Policiais fazem cota para manter o básico em delegacias de MT

Policiais pagam do próprio bolso conserto de móveis, internet, alimentação e até os copos disponíveis para beber água

(Foto: Reprodução/O LIVRE)

Agentes da Polícia Judiciária Civil (PJC) de Mato Grosso estão tendo que fazer cota para manter itens básicos nas delegacias em que trabalham. Quem faz a denúncia é o Sindicato dos Escrivães (Sindepojuc).

Presidente da entidade, Davi Nogueira contou ao LIVRE que a situação se repete em todo o Estado e que faltam computadores e cadeiras adequados, a internet é de baixa qualidade e há inúmeros prédios com banheiros interditados. Em alguns casos, faltam até copos para beber água.

“Até foram feitas reformas, mas uma coisa é você reformar o prédio, outra é dar condições para se manter. Equipamentos quebram e a gente sabe disso. Se não tem a manutenção constante, o prédio vai deteriorando. Então, a casca por fora está bonitinha, mas lá dentro, o dia a dia do policial é de dificuldades, mesmo em prédios recém-reformados”.

É o que acontece, por exemplo, na Central de Flagrante de Cuiabá, que foi reformada recentemente, mas não teve o problema do banheiro solucionado.

“O policial não consegue usar o banheiro. Ou vai em casa ou fica sem usar durante todo o plantão”, afirma Davi.

Banheiro em delegacia localizada em Cáceres – 220 quilômetros de Cuiabá (Foto: Sindepojuc )

Internet

Internet ruim é um problema que afeta Mato Grosso de modo geral. Mas no caso da Polícia Civil, que depende dela pra trabalhar, algo precisa ser feito, certo?

“Estamos em uma fase de transição de digitalização de todos os sistemas de procedimentos das delegacias. Já existe o flagrante online e estamos começando a testar o inquérito online. E tudo isso demanda uma infraestrutura de internet que seja muito boa, mas a internet que o Estado fornece é péssima”, declara o sindicalista.

Segundo o Sindepojuc, muitos policiais estão pagando do próprio bolso por internet melhor. “O policial cansa dessa situação e de pedir solução para isso e acaba ele mesmo bancando”.

Um dos problemas que a internet oscilante gera é a demora para lavrar o boletim de ocorrência. O tempo gasto, em média, é de 1h30, o que poderia ocorrer em poucos minutos nos casos mais simples.

Alimentação

Outro fator que tem incomodado os policiais civis é a alimentação, ou melhor, a ausência dela.

“A lei obriga o Estado a fornecer alimentação para quem está de plantão. E a lógica é muito simples, porque quem está de plantão não pode sair da delegacia para fazer as refeições. O problema é que isso nunca ocorreu”.

Em algumas delegacias, os policiais têm que trabalhar em espaços repletos de mofo (Foto: Sindepojuc)

Davi afirma que os policiais que trabalham em Cuiabá e Várzea Grande recebem marmitas, mas que a sistemática adota tem sido ineficiente e gerado desperdício do dinheiro público.

“A marmita chega às 17h e este não é o horário que o policial vai se alimentar. Por exemplo, se ele estiver lavrando um flagrante, não vai parar, porque dependendo do fato, demora entre 3h a 4h para se concluir. Ele vai jantar às 21h ou 22h, quando aquela comida – que chegou às 17h – está fria, sem condições para ser consumida”.

O resultado deste problema logístico é que, em muitas situações, segundo Davi, a marmita é descartada e o policial precisa gastar do próprio bolso se quiser se alimentar.

A sugestão do sindicato é que o Estado forneça um vale alimentação ou um crédito mensal junto ao salário dos servidores para que possam se alimentar de forma adequada.

O que diz o diretor da PJC?

Delegado-geral da Polícia Civil de Mato Grosso, Mário Dermeval admite que existem déficits nas delegacias, mas aponta que, apesar disso, os problemas não estão incapacitando a atuação dos policiais.

“As questões arguidas não podem ser condição para não se trabalhar, porque a sociedade espera da PJC a prestação do bom serviço. Se hoje as condições não são ideais, no passado foram infinitamente piores“, ele disse.

Mário Dermeval Aravéchia de Resende – Diretor Geral da PJC-MT (Foto: Mayke Toscano/ Gcom MT)

Dermeval argumenta que a falta de autonomia financeira para gerir a instituição é um dos fatores que impede melhor atendimento das delegacias.

“O que a gente necessita e foge ao nosso alcance, solicitamos ao Estado, porque não temos autonomia financeira e quem manda nas nossas contas é a secretaria [de Segurança Pública]. Muitas vezes os recursos vem e muitas vezes não tem como vir”.

E apesar de julgar importante a reivindicação sindical, considera como descabida e desnecessária a denúncia feita pelo Sindepojuc, já que, segundo ele, não é possível garantir “milimetricamente” a situação ideal.

“Eu não vou entrar especificamente no que disseram, porque achei desnecessário e descabido. Eles sabem muito bem o que é ou não possível. Nós lidamos com racionalidade e exequibilidade. A PJC tem focado no que é exequível. Não adianta nada a gente querer o ótimo. O ótimo é inimigo do bom. Se não dá para executar o ótimo, vamos executar o bom”.

Avanços

Em defesa do governo, Dermeval enaltece que nos últimos seis anos foram entregues 38 novas unidades da PJC em Mato Grosso. Ele cita como exemplo Várzea Grande, que tinha uma unidade de flagrantes deteriorada, perto do aeroporto; uma delegacia precária, no Jardim Glória, e uma unidade inoperante, no Parque do Lago.

“Hoje, nós temos no Parque do Lago uma unidade reformada, uma central de flagrante totalmente moderna e uma nova unidade que incorporou outras três: a central de ocorrências, na Filinto Muller. Esse é um exemplo do que se tem buscado”.

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