Polícia Militar, Civil e até Exército são acionados por causa de confusão em festa

A Corregedoria da Polícia Civil foi acionada, visto que uma investigadora queria impedir a prisão do filho

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

Uma festa com menores regada a álcool no Bairro Chácara dos Pinheiros, em Cuiabá, acabou com uma menor em coma alcoólico, sete pessoas presas, tentativa de “carteirada” de uma investigadora da Polícia Civil e um conflito entre policiais civis e militares que resultou no acionamento da Corregedoria da Polícia Judiciária Civil.

O evento teve início na noite desse sábado (16) e a Polícia Militar foi acionada por volta das 02h30 deste domingo (17) por vários vizinhos reclamando do som alto em um clube de festas chamado “Mansão Azul”.

Conforme as inúmeras denúncias, menores estavam consumindo bebida alcoólica e danificando placas da rua Santo Antônio, promovendo uma “algazarra”.

Uma equipe da Polícia Militar foi até o local indicado e, ao entrar, encontrou uma menina de 15 anos caída no chão, em coma alcoólico. Os policiais perceberam que na casa de festas tinha cerca de 500 pessoas – grande parte delas eram menores consumindo álcool – e que o ambiente tinha forte cheiro de maconha.

Eles acionaram reforços e pediram que todos colocassem as mãos na cabeça, para que fossem revistados. Nesse momento, um jovem de 19 anos se recusou a atender à ordem da PM e começou a ofender os militares, dizendo: “não vou colocar, p#@* nenhuma, PM não manda em mim”, enquanto tentava intimidar os policiais dizendo que sua mãe também é policial.

O rapaz foi detido e colocado dentro da viatura, enquanto os militares continuavam as buscas na casa de festas. Outros dois rapazes também se recusaram a serem revistados e foram encaminhados para a viatura.

Os militares então conversaram com o chefe de segurança da casa, que afirmou que foi contratado por três homens – sendo que um deles o ameaçou dizendo que seu pai era policial militar e autorizou a entrada de menores e informou quem seria a responsável pela venda dos ingressos na portaria. Dois deles foram presos e o terceiro conseguiu fugir.

Um homem de 28 anos se apresentou como dono do clube e afirmou ter alugado o lugar com um contrato verbal para dois jovens (o que fugiu e um que foi preso). Ele também acabou detido.

Todas as pessoas que estavam na festa foram revistadas, inclusive as mulheres, por policiais do sexo feminino. Porém, ninguém estava com nada ilícito, visto que antes da revista alguns jogaram as drogas no chão.

Em determinado momento, os policiais foram avisados que uma investigadora da Polícia Civil estava na porta do clube de festas dizendo que iria entrar no local para “resgatar seu filho”, o primeiro jovem que havia sido detido por desacato e resistência e tinha afirmado que a mãe era policial.

A policial civil acionou “apoio” de uma equipe da PJC e uma viatura foi até o local. A equipe da Polícia Civil se posicionou na frente da porta do clube, conforme o boletim de ocorrência, na intenção de intimidar as equipes da Polícia Militar que estavam no local.  

A investigadora voltou a discutir com os policiais militares tentando forçar sua entrada, mesmo sendo informada de que não iria entrar na casa de festas até que as revistas fossem finalizadas.

Os policiais militares encaminharam os sete detidos à Central de Flagrantes de Cuiabá e 11 menores também foram parar na delegacia, como vítimas. A menor que estava em coma alcoólico foi socorrida por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e levada para o Pronto-Socorro de Cuiabá.

Um dos sete presos, de 19 anos, se identificou como militar do Exército brasileiro e a polícia do Exército também acabou sendo acionada.

Quanto ao comportamento da investigadora da Polícia Civil, os militares entraram em contato com o chefe de operações do Ciosp, que acionou a Corregedoria da Polícia Civil.

Por fim, os seguranças contratados para a festa – que inclusive haviam sido ameaçados – ficaram sem receber pelo serviço.

(Atualizada em 20/06/2018, à 12h15)

Em contato por telefone com a Redação, a investigadora da Polícia Civil afirmou que a versão narrada no Boletim de Ocorrência não é verídica. Disse também que está entrando com um processo na Corregedoria da PM, alegando que seu filho foi agredido pelos policiais militares.

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