Players discutem cenários e medidas para reaquecimento pós-corona

Assembleia articulada pelo Instituto Besc reúne executivos do mercado privado e do governo; expectativa é por forte mobilização a partir de maio

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que cerca de 400 mil caminhões estão parados no país neste período de isolamento social imposto pela contenção ao avanço do novo coronavírus. A queda nas operações de frete rodoviário, sobretudo entre profissionais autônomos, se dá, paralelamente, à concentração maior de fretes de curta distância, dada a queda na movimentação de várias atividades econômicas.

A situação posta pelas medidas de prevenção à Covid-19 se dá logo após a consolidação do movimento de entrada de grandes produtores rurais no setor de transportes, estimulado por programas de incentivo governamentais à aquisição de caminhões. Além disso, a brusca queda na demanda por fretes, segundo analistas, é também reflexo direto do tabelamento do serviço no Brasil, que aumentou o frete de retorno às fazendas.

A rotina nos últimos dias é de vários cancelamentos. Cenário atípico para profissionais como Carlos Justo, em seus mais de 30 anos de experiência na boleia. Com residência formal em Cuiabá e tendo a estrada como companhia diária, ele se mostra preocupado com uma extensão do período de quarentena na economia. “Utilizamos aplicativos e o que tem ocorrido: logo após acordar uma carga, vem uma mensagem de cancelamento. Isso está ocorrendo bastante. Pra nós, é muito mais preocupante que a suspensão de atendimento de alguns restaurantes nas estradas, por exemplo. Se a gente não roda, não ganha. Fora isso, os preços do frete despencaram, muitos bem abaixo da tabela da ANTT. Escassez de frete e frete abaixo do custo. Não é um momento fácil”.

Gustavo Bonini, diretor de Relações Públicas da Scania no Brasil, destaca que o período é, sobretudo, de imposição de um desafio extra ao setor produtivo como um todo, de autônomos, como produtores rurais individuais, aos maiores conglomerados fabris. “Não há para nós a possibilidade de produção em home office, como em vários segmentos do setor de comércio e serviços. Há uma pressão adicional ao setor de produção. Mas gosto de tentar ver o copo meio cheio, mesmo que esteja tão difícil neste momento. É preciso ver a evolução, dia após dia, para ter a melhor avaliação, acompanhar as medidas do Poder Executivo e tomar as decisões mais assertivas”.

A leitura ponderada se soma à de outros executivos reunidos em encontro online da Assembleia Permanente para a Eficiência Nacional (Aspen) em tempos de Covid-19, articulada pelo Instituto Besc. Executivo do mercado de navegação de cabotagem, Marck Juzwiak, diretor de Relações Institucionais da Hamburg Sud e Aliança Navegação e Logística, destaca que a união de players do setor para a manutenção das operações nos portos brasileiros vem sendo a solução para tentar minimizar os impactos da queda nas exportações prevista para o mês de abril, da ordem de 16%.

“Os setores foram parando e nossa preocupação era a de manter os portos funcionando. Tivemos um trabalho muito dinâmico de conversar com todos os envolvidos na atividade portuária. A Anvisa cooperou, todos ajudaram a mantermos os canais abertos. É importante essa coesão de todos os players para que os portos permaneçam atuando. É o momento de sacrifício para muitas pessoas, mas é importante que o Brasil não pare. Estamos tocando em frente”.

Diretor de Operações do Aeroporto Internacional de Guarulhos, Miguel Dau sustenta que apesar da abrupta quarentena imposta ao setor aéreo, empresas não podem ceder espaço ao pessimismo. “Ambos os modais, navegação e aviação, estão sofrendo fortemente com a queda de demanda, mas nós temos drives totalmente diferentes. A aviação de carga, por exemplo, responderá rapidamente à medida que os principais provedores de insumos e a demanda da China se movimentem”.

Dau observa que há sinalização de várias empresas de retomada de operações de voos comerciais de passageiros no mês de maio, mas o setor ainda carece do desenrolar das medidas governamentais. “No meio disso, há alguns carregamentos essenciais, como kits de testes de coronavírus e medicamentos, que o governo terá que definir como será o frete de voos cargueiros para essas mercadorias”, ressalva.

O diretor de operações de um dos maiores aeroportos da América Latina também chama a atenção para a necessidade de desenvolvimento de plano estratégico conjunto de logística, para a rápida mobilização da logística nacional ato contínuo à liberação de atividades. “Não estou vendo uma mobilização consistente nesse momento. Nossa movimentação em Guarulhos despencou de 840 até 1.000 operações diárias, de 250 mil passageiros ao dia para 18 mil ontem. É impactante. O setor aéreo terá que responder fortemente para superar isso no pós-pandemia”.

Sobre o Instituto Besc – Entendendo os desafios enfrentados pelo Brasil na busca por desenvolvimento socioeconômico sustentável, o Instituto Besc de Humanidades e Economia foi fundado em 2009 e concebe e fomenta projetos para a promoção do crescimento econômico brasileiro em sintonia com aspectos ambientais e sociais.

Entre as iniciativas está o Seminário Internacional Frotas & Fretes Verdes, com a discussão de técnicas que aumentem a eficiência no uso de recursos energéticos por transportadores de cargas e passageiros, visando o desenvolvimento sustentável. Saiba mais sobre o instituto, ações e cronograma de eventos por meio do site: http://institutobesc.org/

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