Piloto que sobreviveu a queda de avião passa por cirurgias diárias para tratar queimaduras

O tratamento consiste em retirar a pele queimada, visando impedir piora em infecções

O piloto Maicon Semencio Esteves, de 27 anos, resgatado com vida quatro dias após a queda de um avião agrícola, em Peixoto de Azevedo (675 km de Cuiabá), tem passado por cirurgias diárias para tratar das queimaduras sofridas durante o acidente.

Maicon segue internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital e Maternidade 13 de Maio, em Sorriso (418 km de Cuiabá). O médico Júnior Pasin, que está responsável pelo tratamento do piloto, disse que ainda não há previsão para que ele receba alta.

“Ainda não tem previsão de alta da UTI. A partir do momento que estiver controlado o quadro infeccioso e ele estiver com a dor controlada, nós podemos conversar e pensar na alta, mas no momento não”, disse o médico.

[related_news ids=”115343,115597,116346″][/related_news]

Maicon teve 25% do corpo queimado – os dois braços, as duas mãos, um pouco das costas, à esquerda, e o rosto. São queimaduras de 2º grau e, em alguns locais, de 3º grau. Por isso, tem passado por cirurgias diárias, chamadas desbridamento, que é a retirada de tecidos que foram queimados.

“A partir da retirada de todos esses tecidos é que nós vamos ver, mais para frente, a necessidade de enxerto e outros tratamentos. Então esses tratamentos estão sendo diários, para que fique o mínimo possível de tecido e a gente consiga retirar a maior quantidade, o mais rápido possível”, disse o diretor técnico do hospital, Paulo Sérgio da Silveira.

Segundo o diretor, Maicon pediu que os médicos tranquilizassem os familiares, dizendo que, apesar de tudo que passou, está se recuperando bem.

A grande preocupação da equipe médica, no momento, é com infecções. Desde o primeiro dia em que Maicon está na unidade hospital ele apresenta febre, que, segundo o médico Júnior Pasin é sintoma de infecção, com alterações analíticas.

“Ele, no global, melhorou. No aspecto renal, que ele tinha insuficiência – e já normalizou a função renal. Tinha lesões musculares que já normalizaram. A única coisa que ainda é incerta e a gente está tratando, e acompanhando muito de perto, é o quadro infecioso, ou seja, o foco da pele, que pode passar para via sistêmica”, afirmou o médico.

Pasin ainda citou que está tratando da respiração de Maicon e de uma possível lesão no joelho esquerdo, que o piloto machucou no momento do impacto com o solo e pode ter sofrido uma lesão na parte articular.

Como aconteceu, segundo o piloto

Maicon está sendo acompanhado no hospital pelo irmão, Diego Semencio Esteves. Em entrevista, Diego contou como o irmão disse que tudo aconteceu. Na primeira decolagem, o piloto disse que tudo estava normal com a aeronave. Ele fez a primeira parada em Confresa, abasteceu o avião agrícola e decolou novamente.

“Quando saiu de Confresa, ele percebeu algumas alterações. Parou na próxima fazenda, ligou para o patrão e falou: ‘está acontecendo isso, isso e isso. O óleo está aquecendo, alguns fatores técnicos’. Ai o patrão dele perguntou ‘ta alterando isso? Aquilo?’. Ele falou que não e o patrão falou ‘deve ser que o termômetro está marcando errado, dá uma rodada aí, vê o que acontece, se alterar de novo você para’”, contou Diego.

O piloto teria rodado em volta da fazenda, em Confresa, e, como não notou mais nenhuma alteração, seguiu viagem, passando por cima do Xingu, uma grande distância em que ele não teria nenhum lugar para pousar.

“Chegando no final, perto da cidade de Peixoto de Azevedo, ele percebeu a alteração e viu que estava começando a dar um probleminha, alguma pane no motor. Ele viu que ia cair, escolheu uma copa legal de uma árvore e jogou lá. Do jeito que ele bateu numa árvore com tronco médio, fez o avião rodar. Na hora já pegou um pouco de fogo e ele saiu correndo”, relatou o irmão do piloto.

Para maior segurança, a aeronave possui dois cintos. O primeiro foi retirado por Maicon com facilidade, mas no segundo ele teve maior dificuldade, momento em que tirou o canivete, que estava ao lado do seu braço, bateu mais uma vez a aeronave e finalmente conseguiu sair correndo.

Esse canivete foi a primeira pista que a família e as equipes de buscas tiveram de que o piloto estava vivo. O objeto foi encontrado aberto a dois metros da aeronave.

“Depois de três dias de procura, achamos um papelzinho, que era de uma arma de pressão, uma espingardinha de pressão que ele tinha. Esse papelzinho foi a pista para no outro dia, no quarto dia, finalmente, encontrarmos ele”, disse Diego.

Segundo o irmão, durante os dois primeiros dias Maicon andou bastante. Ele estava com as mãos queimadas, o que atrapalhava um pouco, pois não conseguia quebrar galhos, mas, ainda assim, conseguia se locomover. Porém, no terceiro dia, o piloto perdeu as forças, achou um córrego e ficou deitado até ser encontrado.

A todo momento, segundo Diego, a família, que é de 1º de Maio (PR), nunca perdeu as esperanças de encontrar o jovem com vida. “O seu Leonesio informava, mandava os áudios, ‘ele está vivo, do jeito que ele saiu de lá, a cabine está intacta’. Os funcionários dele chegaram duas horas depois que o avião caiu. A cabine estava intacta, não tinha nada, ele não estava perto. Ele caiu e saiu correndo, desesperado, atrás de socorro”, relatou Diego.

O acidente foi um grande susto para a família, que está aguardando ansiosamente pela volta do piloto para casa. Agradecido, Diego disse que pediram ajuda a todas as forças de segurança que podiam, mas que se não fossem os voluntários, jamais teriam encontrado o irmão com vida.

“O seu Leonesio, que o tempo todo se empenhou. O cara da Fazenda Búfalo, que deu os funcionários para procurar. O Guga e o Messias, de Cláudia, se não fossem eles, não tinham procurado, o crédito principal foi para eles. Meu tio Samuel Semêncio, ele ajudou bastante nas buscas, estava lá disposto, ia no mercado, comprava pão com mortadela, dava para os peões, que ficavam lá dentro o dia inteiro. No quarto dia, o gerente da Fazenda Bom Futuro falou ‘quem vai plantar vai, quem não for e estiver disposto a procurar o moleque, monta no ônibus’, foram 43 pessoas da fazenda, mata a dentro”, agradeceu o irmão.

Segundo Diego, os fazendeiros contaram que na quinta-feira (08), um dia após o encontro, a região de Peixoto de Azevedo recebeu uma chuva de 120 milímetros, o que alagou o córrego em que Maicon foi encontrado e poderia ter matado o piloto afogado.

“Se não achasse ele na quarta-feira, na quinta ele não estaria vivo”, afirmou Diego.

Use este espaço apenas para a comunicação de erros





Aceito que meu nome seja creditado em possíveis erratas.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigo anteriorNo Carnaval 2019, Bode do Karuá cantará os 300 anos de Cuiabá e duas décadas de samba
Próximo artigoMoreira Franco critica peso dos tributos na conta de luz