PF sugere que Pedro Taques seja investigado na Operação Ararath

Governador foi citado na delação de Silval Barbosa como beneficiário de propina da JBS

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

A Polícia Federal sugeriu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o governador Pedro Taques (PSDB) seja investigado na Operação Ararath, sobre fatos delatados pelo ex-governador Silval Barbosa. A sugestão está no inquérito policial enviado ao STF na semana passada, pelo delegado Wilson Rodrigues, coordenador do grupo de trabalho da Operação Ararath.

A Polícia Federal sugere que dezenas de inquéritos sejam abertos, sendo dois deles envolvendo Taques, com sugestão para que as duas situações sejam investigadas no âmbito do Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde o governador tem foro. Um dos tópicos foi chamado apenas de “Pedro Taques campanha” e outro de “JBS”.

O tópico da JBS trata da suposta propina do grupo empresarial para o caixa dois da campanha de Taques nas eleições de 2014, quando se elegeu governador de Mato Grosso. Em sua delação, Silval disse que, mesmo apoiando Lúdio Cabral (PT), contribuiu “de forma oculta” com a campanha de Pedro Taques em 2014. Para isso, usou parte dos R$ 12 milhões que tinha a receber do Grupo JBS em “créditos de propina” dos anos de 2013 e 2014.

Propina para campanha

O inquérito cita trechos do depoimento de Silval, que afirmou que a aproximação entre ele e o adversário político Pedro Taques foi intermediada pelo ex-prefeito de Cuiabá Mauro Mendes (DEM) e pelo senador Blairo Maggi (PP), atual ministro da Agricultura. O ex-governador disse que ele e Maggi “se preocupavam com o fato de Taques começar a vasculhar as irregularidades ocorridas” nos governos de ambos.

Por isso, Silval afirmou que fez um acordo com Mendes, que era o coordenador financeiro da campanha de Taques, e depois reafirmou o compromisso com o novo coordenador, Alan Malouf. O ex-governador relatou que ele e o então secretário-chefe da Casa Civil Pedro Nadaf se reuniram com o empresário Wesley Batista em São Paulo e autorizaram a doação de R$ 4 milhões, do crédito de R$ 12 milhões que tinham a receber da JBS.

Segundo Silval, Wesley Batista topou, pois já havia doado para a campanha de Taques ao Senado em 2010 por meio de uma off-shore, mas pediu para “conversar com Pedro Taques para que isso ficasse bem amarrado”. Desse modo, segundo o delator, Alan Malouf e Nadaf retornaram a São Paulo para tratar do assunto com o sócio da JBS e, depois, Wesley veio a Cuiabá para conversar pessoalmente com Taques. Nadaf disse a Silval que o encontro foi realizado.

Outro lado

A assessoria de imprensa do governador Pedro Taques enviou nota dizendo que ele não tem nenhuma relação com os fatos noticiados pela imprensa acerca da delação do ex-governador Silval Barbosa.

“Pedro Taques esclarece que não fez e nem autorizou ninguém a fazer acordo de qualquer natureza com Silval Barbosa. Taques reafirma ainda que não houve doação de nenhum valor da JBS para sua campanha eleitoral em 2014 e que sua prestação de contas foi aprovada pela Justiça Eleitoral”, diz a nota.

À época da delação, em agosto de 2014, o governador Pedro Taques deu entrevistas admitindo ter se reunido com Silval Barbosa. Porém, ele negou que tenha pedido apoio financeiro ao então governador, ou recebido doação da JBS na campanha de 2014.

(Atualizada às 14h27) 

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