15 de abril de 2026 20:54
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Pesquisadores criam manual para prefeitos e médicos sobre como tratar a depressão

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Redação

A depressão é uma doença crônica complexa, que se expressa em diferentes formas, contextos e necessidades. Seu manejo requer recursos e estratégias que dependem de uma rede de saúde bem integrada e articulada, o que não corresponde à atual fragmentação do SUS (Sistema Único de Saúde) e do sistema de saúde suplementar no Brasil.

Foi considerando este contexto que pesquisadores do Instituto de Pesquisa e Apoio ao Desenvolvimento Social (IPADS) se uniram à Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo e à Janssen, empresa farmacêutica da Johnson & Johnson, para elaborar a Linha de Cuidado em Depressão (LCD), lançada nessa sexta (25), um plano de ação para que gestores e profissionais da saúde possam montar estratégias para melhorar o cuidado em depressão no Brasil.

O projeto envolveu oficinas de trabalho nos municípios paulistas de Valinhos e Vinhedo, com o teste de diferentes técnicas para ajudar gestores e trabalhadores da saúde a organizarem o itinerário terapêutico do paciente com depressão. A partir daí, foram elaborados três materiais de referência: um manual técnico voltado ao trabalhador, com informações acerca da doença e possibilidades de assistência envolvidas; um guia prático que revisa os protocolos existentes para a atuação de diferentes profissionais; e o manual do gestor, focado em subsidiar a tomada de decisão a gestores de municípios.

O objetivo é que qualquer um dos 5570 municípios brasileiros possa aplicar a LCD, seja esta cidade de pequeno, médio ou grande porte.

“Se sou secretário da saúde do município e quero melhorar a atenção ao paciente na minha cidade, aqui tenho todos os instrumentos para executar isso. Então a gente fala como funciona e propõe indicadores que podem induzir o gestor a fazer a organização da sua linha”, explica Thiago Lavras Trapé, pesquisador do IPADS e coordenador do projeto.

O material também conta com informações sobre os diferentes pontos de atenção para a depressão, incluindo os ideais de articulação entre os diferentes aparelhos da rede de saúde pública.

Trapé explica que a ideia é organizar desde o diagnóstico até as formas de tratamento para as mais diversas intervenções necessárias, de forma que o gestor consiga olhar para sua rede, em uma cidade qualquer, e entender a linha de cuidado que organiza os três níveis: a clínica, com protocolos para profissionais como psicólogos, psiquiatras e enfermeiros; os serviços que precisam existir, como UPA (Unidade de Pronto Atendimento) e UBS (Unidade Básica de Saúde); e a relação que deve haver entre estes serviços.

“Nosso grande interesse é influenciar a constituição de políticas públicas. Então a gente quer que o município, o estado e o governo federal se apropriem desse material e utilizem dele para subsidiar sua organização e planejamento”, diz Trapé.

“O suicídio é o desfecho ruim da linha de cuidado. A gente sabe que só consegue mudar o perfil do atendimento quando a política pública de fato se organiza, o gestor entende que é importante, há financiamento, treinamento, formação, divulgação, veiculação de materiais, educação permanente, aí sim isso chega no cidadão. Senão vira um projeto de gaveta, que é o que a gente não quer que aconteça”, conclui o pesquisador.

(Da Agência Bori)

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