14 de abril de 2026 17:39
Economia

Pesquisadores brasileiros criam nanosensor capaz de dizer se uma fruta está madura ou não

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Redação

Todos os anos, pelo menos 26 milhões de toneladas de alimentos vão parar no lixo no Brasil. Uma quantidade que poderia ajudar a alimentar 13 milhões de pessoas. Mas no que depender de pesquisadores da Embrapa, parte desse desperdício pode estar com os dias contados.

Especialistas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária desenvolveram um equipamento de baixíssimo custo que pode identificar se uma fruta está madura ou não.

O dispositivo recebeu o nome de Yva, que significa fruta, em Tupi Guarani. Ele será apresentado publicamente na próxima segunda-feira (9), na Anufood Brazil, feira internacional do setor de alimentos e bebidas.

A ideia dos pesquisadores é colocar um Yva dentro de cada embalagem de frutas. E nos plásticos ou caixas em que esses alimentos estiverem armazenados, um QR Code será estampado.

É dessa forma que o cliente de um supermercado, por exemplo, vai poder “ler” com seu celular – desde que tenha um aplicativo específico instalado, é claro – as informações que o Yva capta das frutas.

Para os comerciantes, o equipamento pode indicar, por exemplo, quais lotes de frutas precisam ser vendidos mais rapidamente, antes que estraguem.

E para quem acha que isso vai encarecer o valor dos alimentos, os pesquisadores já estimaram que cada unidade do Yva – que é descartável – deve custar, no máximo, R$ 0,10 por quilo de fruta.

Só que para ele virar realidade é, justamente, dinheiro que falta. A equipe da Embrapa que desenvolveu o protótipo estima que finalizar o projeto custe entre R$ 700 mil e R$ 800 mil.

Segundo os pesquisadores, o Yva pode funcionar com vários frutos climatéricos, ou seja, aqueles que amadurecem depois da colheita (Foto: Arquivo)

Exclusividade brasileira

Marcos David Ferreira, um dos pesquisadores envolvidos no projeto, diz que o Yva é uma iniciativa nova no Brasil e também no mundo.

Segundo ele, um empreendimento parecido chegou a ser elaborado na Nova Zelândia, há cerca de 10 anos, mas só funcionava com peras.

E embora a ideia dos inventores neozelandeses fosse vender o equipamento, isso acabou nunca acontecendo.

O Yva, por sua vez, já foi testado em manga, mamão e banana. E os pesquisadores daqui garantem: a mesma tecnologia pode ser aplicada a outros frutos como pêssego, caqui, ameixa e maracujá.

Como funciona?

O Yva consegue detectar – com seus recursos de nanotecnologia e inteligência artificial – a liberação do gás etileno, hormônio responsável pelo amadurecimento de frutos.

Esse sensor é classificado de colorimétrico, já que faz essa medição com base em cores, que variam do roxo para o marrom. Cada uma das tonalidades corresponde a um estágio de maturação do fruto.

Uma tecnologia que começou a ser desenvolvida sete anos atrás e, há três, aproximadamente, começou a ganhar forma, graças a uma parceria entre a Embrapa e a Siena Company, empresa especializada em desenvolvimento de softwares.

O projeto também recebeu um aporte de R$ 220 mil do Sistema Brasileiro de Tecnologia (Sibratec), que está vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

Os testes da pesquisa foram feitos no Laboratório Nacional de Nanotecnologia para o Agronegócio (LNNA), pertencente ao Sistema Nacional de Laboratórios de Nanotecnologia (SisNano), do MCTIC.

(Com Agência Brasil)

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