Pesquisadores apontam 5 motivos pelos quais pessoas rejeitam vacinas

Fatores envolvem informação, mas psicólogos são unâmimes em dizer que não tem nada a ver com "ignorância"

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre )

A pandemia da covid-19 não criou o movimento anti-vacina. Logo, pesquisas que tentam entender porque algumas pessoas rejeitam um imunizante contra uma doença potencialmente letal também não são novas. E o que elas apontam é que os motivos para isso estão muito além da simples “ignorância”.

Vários modelos de pesquisas já foram desenvolvidos, mas o mais aceito atualmente, segundo uma reportagem da BBC, é o modelo dos cinco Cs.

Psicólogos identificaram cinco fatores que fazem as pessoas aceitarem ou não uma vacina e explicam como a combinação entre eles pode aumentar essa aceitação ou resistência. São eles:

  1. Confiança na eficácia e segurança das vacinas, nos serviços de saúde e nos responsáveis pelas políticas públicas de imunização;
  2. Complacência, ou seja, se a pessoa considera a doença em si um risco grave à saúde;
  3. Cálculo do custos e benefícios sobre a decisão de tomar ou não a vacina;
  4. Conveniência ou facilidade de acesso aos sistemas de saúde;
  5. Coletividade, ou seja, a vontade de proteger outras pessoas da infecção.

Como esses fatores se combinam?

À BBC a pesquisadora Jessica Saleska, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, nos Estados Unidos, explicou, por exemplo, como as tendências do ser humano à negatividade e ao otimismo (ao mesmo tempo) podem unir os Cs da complacência e do cálculo e fazer uma pessoa decidir não se vacinar.

Segundo ela, o ser humano tende a reter por mais tempo na mente informações negativas sobre eventos que não estão em seu controle. Já quando se trata de fatos que a pessoa julga poder controlar, a tendência maior é pelo otimismo.

Dentro deste contexto, quando essa pessoa vai calcular os custos e benefícios de tomar uma vacina e, por exemplo, faz pesquisas sobre os efeitos colaterais, pode ser bombardeada com informações negativas.

Ao mesmo tempo, o otimismo pode agir fazendo a pessoa considerar que não está tão exposta assim à infecção.

Jessica Saleska enfatiza: essas tendências psicológicas são muito comuns e influenciam, não apenas a decisão sobre tomar ou não a vacina, mas várias outras ao longo da vida de uma pessoa.

Políticas públicas

Também à BBC, a pesquisadora Cornelia Betsch, da Universidade de Erfurt, na Alemanha, falou sobre a facilidade de acesso à vacina, ou seja, a conveniência. Segundo ela, quanto menos complicações, mais aceitação há.

A tese de Betsch à que na Alemanha, por exemplo, muitas pessoas podem ter tomado a decisão de rejeitar a vacina porque o sistema para definir os grupos a serem vacinados é muito complexo e demorado.

Na realidade brasileira, as longas filas ou a espera pela liberação de sua faixa etária poderiam ser apontados como responsáveis, numa comparação entre os países.

Já Mohammad Razai, do Instituto de Pesquisa de Saúde Populacional St. George, da Universidade de Londres, afirmou que é preciso ensinar mais sobre a história das vacinas para que as pessoas ganhem confiança.

À reportagem da BBC, ee citou especificamente os casos das vacinas que usaram a tecnologia do RNA mensageiro. Segundo ele, pesquisas nesse sentido são feitas há décadas, por isso puderam ser rapidamente aplicadas ao caso da covid.

(Com informações da BBC)

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