Pesquisa mostra que para ser eleito vereador é preciso, no mínimo, cinco salários mínimos

Levantamento coloca em xeque a eficácia das regras de financiamento de campanha. Proibir doações de empresas parece não ter funcionado

(Foto: Agência Brasil)

Ter recursos para financiar uma campanha eleitoral é divisor de águas entre o sucesso e a derrota nas urnas. E a regra imposta em 2016, proibindo empresas de fazerem doações a candidatos, não mudou essa regra.

Naquele ano, 9 em cada 10 candidatos a vereador que saíram vitoriosos da eleição haviam conseguido captar mais que cinco salários mínimos em doações. Um padrão que já havia sido observado em 2008 e 2012, quando a proibição ainda não existia.

Os dados são de um estudo feito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), publicado nesta quarta-feira (9) na Revista Brasileira de Administração Pública (RAP).

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores cruzaram dados de receitas de financiamento e sucesso eleitoral de 317.107 candidaturas a vereador nas eleições de 2008, 2012 e 2016. Esses candidatos foram buscados em 441 municípios brasileiros com mais de 50 mil eleitores.

Os dados foram coletados junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nas tabelas de candidatura, resultados e prestação de contas dos candidatos.

Ao correlacionar as informações, os pesquisadores puderam confirmar a forte relação entre dinheiro e número de votos recebidos.

Menos de 2% de chance de eleição

O candidato que não consegue, pelo menos, cinco salários mínimos para bancar sua campanha tem menos de 2% de chances de ser eleito, segundo o estudo. Um resultado que, para Ivan Jairo Junckes, co-autor da pesquisa, revela uma realidade preocupante.

“O fato de ‘ter’ ou ‘não ter’ recursos financeiros acaba distorcendo absurdamente as oportunidades de competição no pleito eleitoral brasileiro”, ele avalia.

A pesquisa é enfática: sem recursos, o número de votos do candidato é menor a cada eleição. Se não captasse nenhum recurso, esse candidato passaria de 326 votos, em 2008, para 149 votos em 2016.

“São resultados muito cruéis quando vemos que alguém sem recursos financeiros para investir em campanhas – cada vez mais midiatizadas e onerosas -, tem suas chances de eleição diminuídas consideravelmente”, destaca Junckes.

(Com Agência Bori)

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