Pesquisa diz que cultivo de soja em fevereiro reduz doença em lavouras

Pesquisadores dizem que casos de ferrugem são menores e chances de mutação de fundo também são reduzidas

Foto: GCOM

Pesquisa realizada pela Fundação Rio Verde aponta que o plantio de soja em fevereiro reduz o risco de doenças nas plantas e o uso de fungicida para o combate da ferrugem. E, consequentemente, melhora a qualidade do grão. 

Os dados foram apresentados nesta sexta-feira (29), em coletiva de imprensa na sede da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), em Cuiabá.  

A pesquisa foi realizada durante três anos em 70 lavouras analisadas em dezembro e fevereiro de cada ano. 

O resultado contradiz as regras fitoterápicas em vigor que estabelecem o vazio sanitário em fevereiro e são defendidas pelo Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea) e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). 

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“O semeio de fevereiro tem menor intensidade de ferrugem em todos os locais de Mato Grosso. É uma doença muito menos severa do que no plantio de dezembro. O uso de fungicidas em fevereiro chegou a ser 50% menor do que em dezembro”, disse o pesquisador mestre em fitopatologia pela Universidade Viçosa, Laércio Zambolim. 

Segundo ele, as condições microclimáticas no início do ano favorecem um plantio mais saudável, pois o volume de chuvas que caem no período é menor que no fim do ano.  

Outro fator positivo seria a redução nas chances de mutação do fungo Phakopsora pachirhizi, causador da ferrugem na soja. As mutações ocorrem durante a semeadura e o fungo se adapta com resistência aos herbicidas usados para combate à doença – histórico dos três produtos mais usados em Mato Grosso começou em 2003. 

“A possibilidade de produzir fungo resistente seria reduzido praticamente a zero. Embora a produtividade da soja seja menor que em dezembro, mas nós temos todas as condições viáveis para produzir soja de melhor qualidade”, afirmou Zambolim. 

“Refuta especulação”  

O pesquisador Fernando Juliatti, que também entrou a equipe do estudo da Fundação Rio Verde, diz que os dados mudam as perspectivas das autoridades responsáveis pelo calendário de plantio no país. 

Segundo ele, as portarias publicadas pelo Indea e pela Embrapa não possuem dados científicos para apoiar a proibição do plantio em fevereiro. A determinação foi baixada com base em especulação sobre o comportamento do solo e dos fungos ao fim da safra. 

“Havia uma especulação de quantos mais próximos se fizesse uma nova semeadura entre safra, mais riscos teria para a ferrugem. Mas, o que o estudo que fizemos resulta essa especulação, e não dados, avaliação científica que se contraponha ao resultado”, disse. 

Em 2020, a Justiça de Mato Grosso mandou a Aprosoja destruir lavoura do grão, cultivado fora do calendário sanitário. A entidade, a pedido de produtores, fazia capitaneado um experimento de cultivo em fevereiro. 

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