Pesquisa deve subsidiar fixação de calendário da soja para 2022 em MT

Maioria dos membros da Comissão Estadual de Defesa Sanitária Vegetal de MT recomenda semeadura da soja até 31 de dezembro

O Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (Indea MT) realizou uma consulta aos membros que compõem a Comissão Estadual de Defesa Sanitária Vegetal (CDSV-MT) sobre o período de vazio sanitário e calendário de semeadura de soja no estado de Mato Grosso para o ano de 2022. Das 16 instituições que constituem a CDSV-MT, 11 recomendaram o período de vazio sanitário de 15 de junho a 15 de setembro e calendário de semeadura de 16 de setembro a 31 de dezembro. O resultado da consulta vai subsidiar o envio das sugestões dos períodos à Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

A consulta se deu necessária após a SDA/Mapa publicar a Portaria nº 306, de 13 de maio de 2021, atualizando o Programa Nacional de Controle da Ferrugem Asiática da Soja (PNCFS) e instituindo a Estratégia de Vazio Sanitário da Soja como medida fitossanitária para o controle da praga Phakopsora pachyrhizi e o Calendário de semeadura da Soja como medida fitossanitária complementar, para racionalização do número de aplicações de fungicida e redução dos riscos de desenvolvimento de resistência do fungo Phakopsora pachyrhizi às moléculas químicas utilizadas como fungicidas para o controle da Ferrugem Asiática da Soja.

Considerando que a referida Portaria nº 306/2021 determinou que ambos períodos serão estabelecidos pela SDA/MAPA, com base nas sugestões dos Órgãos Estaduais de Defesa Sanitária Vegetal, em articulação com as Superintendências Federais de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, em cada unidade da federação, considerando ainda os dados de pesquisa científica, de monitoramento da praga na safra anterior, os resultados dos ensaios de eficiência de fungicidas, o zoneamento agrícola, as condições climáticas, entre outros.

A CDSV-MT é um órgão, criado em outubro de 2021, pelo Governo do Estado de caráter consultivo e propositivo sobre os temas de natureza fitossanitária relevantes para a agropecuária de Mato Grosso.

A Comissão é composta por representantes do setor público e privado, com representação na agropecuária mato-grossense e pelo Indea MT (instituição coordenadora), Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec-MT), Superintendência Federal de Agricultura do Estado de Mato Grosso (SFA-MT), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa Agrossilpastoril, Empresa Mato-Grossense de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Empaer), Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso (Crea MT), Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat), Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso –(Famato), Federação dos Trabalhadores na Agricultura em Mato Grosso (Fetagri), Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa MT), Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja), Associação dos Produtores de Sementes de Mato Grosso (Aprosmat), Associação dos Produtores de Feijão, Trigo e Irrigantes de Mato Grosso (Aprofir MT) e Universidade de Várzea Grande (Univag).

Vazio sanitário e calendarização da semeadura da soja

Segundo a Embrapa, o vazio sanitário e a calendarização da semeadura da soja são estratégias para o manejo da ferrugem-asiática da soja. Porém, essas medidas têm objetivos diferentes. O vazio sanitário deve ser realizado antes da implantação da lavoura, sendo iniciado no planejamento agrícola.

Dessa forma, compreender o vazio sanitário será extremamente relevante para elaborar o planejamento da semeadura da soja. O vazio sanitário é o período de no mínimo 60 dias sem a cultura e plantas voluntárias de soja no campo. Pode variar de 60 a 90 dias, dependendo da região. No Brasil, 13 estados e o DF adotaram essa medida, estabelecida por meio de normativas. Além do Brasil, o Paraguai também estabeleceu o período de vazio sanitário.

O objetivo do vazio sanitário é reduzir a sobrevivência do fungo causador da ferrugem-asiática durante a entressafra e, assim, atrasar a ocorrência da doença na safra. A ferrugem asiática da soja é a doença mais severa que atinge a leguminosa e a que demanda maior investimento dos produtores para combatê-la. Ela é favorecida por chuvas e umidade, podendo ocasionar grandes perdas na lavoura. O vazio pode reduzir a aplicação de fungicidas, diminuindo o custo de produção da soja.

Semeaduras tardias de soja podem receber inóculo (esporos do fungo) já nos estádios vegetativos, exigindo a antecipação da aplicação de fungicida e demandando maior número de aplicações. Quanto maior o número de aplicações, maior o custo, maior a exposição dos fungicidas e maior a chance de acelerar o processo de seleção de populações resistentes a esses fungicidas. É importante ficar atento às datas do vazio sanitário em cada Estado, já que cada um varia de acordo com a lei local. Se o produtor não realizar o vazio sanitário estará sujeito a multas aplicadas pelo Estado.

Importância da calendarização da semeadura da soja

As sementes que eventualmente caem no chão durante a colheita da soja não devem germinar, é necessário fazer o controle químico ou mecânico dessas plantas. Normalmente o controle químico se faz necessário já que se faz o controle de outras plantas invasoras e também se preserva o sistema de plantio direto.

A calendarização da semeadura se torna uma aliada ao planejamento agrícola da soja, é o período que determina a semeadura da soja, importante para reduzir o número de aplicações de fungicidas ao longo da safra e reduzir a pressão de resistência dos fungos aos fungicidas.

O planejamento da semeadura da soja não é uma tarefa fácil, o produtor precisa ter em mãos todas as atividades que precisam ser executadas para não perder a janela de semeadura que pode ser bem curta. Além disso, todo o maquinário deve estar com a manutenção em dia para evitar qualquer problema relacionado a esse fator durante a semeadura.

Manejo da Ferrugem Asiática

A doença é causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, sendo uma das doenças que mais têm preocupado os produtores de soja.

O seu principal dano é a desfolha precoce, impedindo a completa formação dos grãos, com consequente redução de produtividade. O nível de dano que a doença pode ocasionar depende do momento em que ela incide na cultura e das condições climáticas favoráveis a sua multiplicação. Devido à facilidade de disseminação pelo vento, a doença ocorre em praticamente todas as regiões produtoras de soja do Brasil.

A doença causa pequenas pontuações de coloração mais escura que o tecido foliar superior, na parte inferior da folha, surgem pequenas verrugas, chamadas de urédias, que é o local onde o fungo produz os seus esporos. A coloração dessas urédias, em um estágio mais avançado, passa de castanho-claro para castanho-escuro e o tecido foliar nessa região fica castanho-claro.

(Da Assessoria)

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