Performance retrata mazelas humanas em movimentos de dança

Fred Gustavos

Package Fim O - dança

Estreando projeto solo, o bailarino Vinicius do Santos desnuda a alma em P.A.C.K.A.G.E. Fim O. A performance de dança contemporânea conduz o espectador por um mergulho profundo por sua ancestralidade e também, contextualizando episódios históricos marcantes da humanidade, como a perseguição aos judeus e discriminação racial, religiosa e política, como o período da Ditadura Militar, dentre outros.

Integrado ao projeto Cena em Pauta, ele exibe a performance que tem efeito multisensorial neste sábado (3) e domingo (4), às 21 horas, na sala do Teatro de Formas Animadas, do Sesc Arsenal. A classificação indicativa é de 18 anos.

Por meio de sua atuação em palco, da trilha, figurino e cenário – todos com sua assinatura, além da direção – ele transpõe para a dança o sofrimento causado pelos infortúnios da humanidade. O objetivo, é estimular a reflexão da plateia, especialmente de forma individual. “As pessoas precisam ter mais atenção ao outro, olhar nos olhos, ter empatia, de verdade”, descreve.

O artista se inclui entre as minorias. “Sou negro, ameríndio, judeu, gay e artista, sou um ser, humano. Nascido, criado e que constrói sua vida neste país chamado Brasil. Neste momento direciono minha atenção a toda violência física, histórica e psicológica”.

Fred Gustavos

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Os tataravós de Vinicius eram judeus e ajudaram a construir a primeira sinagoga brasileira, mas tiveram adotaram o catolicismo e sobrenomes portugueses. Mais tarde, ele revisitou o triste episódio da humanidade em passagem pela Alemanha. “Quando cheguei em Auschwitz, simplesmente não consegui entrar. Me arrepio só de lembrar”.

Também passou por Israel e participou de capacitações em outros países como a Irlanda e a França. Já no continente africano, vivenciou a situação calamitosa de populações tribais. “Todas essas vivências, aliadas ao aprendizado acadêmico como aluno especial no mestrado em Antropologia, foram me lapidando”. A arte o ajuda a extravasar e canalizar essa diversidade de informações.

O bailarino ousou um novo formato, ao começar com uma breve interação com a plateia – que por si só já é uma performance – em que relata um pouco de sua história. Depois, as metáforas e a poesia são traduzidas em movimentos corporais. “Divido em dois atos, peles e vísceras. O fim, é o começo”, profetiza.

Para condução rítmica, Vinicius também se aprofundou em pesquisas. “Baseei minhas escolhas no trítono, conhecido também como o som do diabo. Em um certo período histórico da humanidade, quem o utilizava em suas composições pagava um alto preço: era executado”.

Para sugerir uma atmosfera asséptica o cenário é enxuto, o chão do palco é branco e a luz é fria. “Na época da Ditadura, houve uma tortura, a geladeira. As pessoas ficavam muito tempo em uma sala escura e úmida e depois, eram levadas para uma sala branca e quente”, explica a inspiração.

“P.A.C.K.A.G.E FIM O, traz em dois momentos íntimos, metáforas poéticas que revelam hábitos e floram lembranças de quem hoje o artista/performer é. Um mergulho na multiplicidade que o ser humano se constitui e finda‐se”, descreve na sinopse.

Fred Gustavos

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