Pedro Taques admite reunião com Silval Barbosa, mas nega doação da JBS

Mayke Toscano/Gcom

Posse do governador Pedro Taques

Posse de Pedro Taques como governador de Mato Grosso, em 2015

O governador Pedro Taques (PSDB) confirmou que se reuniu com o então governador Silval Barbosa (PMDB) antes da campanha eleitoral de 2014, conforme relatado na delação premiada do ex-gestor. Taques negou, no entanto, que tenha solicitado apoio financeiro a Silval.

O encontro também foi confirmado pelo ex-prefeito de Cuiabá Mauro Mendes (PSB), em entrevista à Rádio Capital. Mendes foi o anfitrião da reunião, realizada na casa dele. Segundo o ex-prefeito, o senador Blairo Maggi (PP) também participou.

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“Eu não vejo nenhum problema em um senador, outro senador e o prefeito da capital se reunirem com o governador”, declarou Taques em entrevista coletiva, na manhã desta quarta-feira (30/08), depois de evento da Secretaria de Agricultura Familiar no Hotel Fazenda Mato Grosso, em Cuiabá.

“Quando íamos crescendo nas pesquisas, o governador Silval Barbosa nos procurou, através do prefeito Mauro Mendes, que era prefeito da capital. Houve essa reunião, mas eu não pedi um real para o Silval Barbosa”, completou Taques.

“Quando íamos crescendo
nas pesquisas, o governador Silval nos procurou, através do Mauro Mendes, que era prefeito da capital. Houve essa reunião, mas eu não pedi um real
para o Silval”

O tucano não respondeu, porém, se Mauro Mendes pediu a Silval que doasse R$ 20 milhões para a sua campanha, conforme afirmou o delator.

“Eu não vi a entrevista do Mauro Mendes. Foi hoje de manhã?”, declarou Taques, ao ser questionado se houve o pedido.

Na entrevista de Mendes à Rádio Capital, o ex-prefeito disse que não iria “desmentir ou confirmar” se pediu dinheiro a Silval, mas, na sequência, afirmou que “pedir ajuda não é ilegal ou imoral”.

Acordão

Silval Barbosa afirmou na delação que ajudou a campanha de Taques como parte de um acordo para que o então candidato a governador não investigasse a gestão do peemedebista, caso eleito.

Ele afirmou, ainda, que deixou de investir na campanha do candidato que ele mesmo lançou à sua sucessão, Lúdio Cabral (PT), a pedido de Taques – e que, inclusive, Taques o agradeceu em duas ocasiões, pois percebeu que a campanha petista estava “financeiramente tímida”.

“Eu não lembro se agradeci Silval por isso. Mas ele deve ter feito o que ele achou por bem”, disse o atual governador nesta quarta.

Doação oculta via JBS

Pedro Taques negou, porém, a afirmação contida na delação do ex-governador de que recebeu doação oculta de Silval para sua campanha, por meio do grupo JBS.

Silval disse que autorizou os donos da JBS a doarem a Taques parte do crédito que ele tinha com a empresa, de propina que ainda não havia sido paga. Dessa forma, segundo o delator, R$ 4 milhões foram aportados no caixa dois da campanha de Taques.

“Não recebi dinheiro da JBS”, declarou Taques. “Aliás, na nossa administração, nós que equalizamos as alíquotas dos frigoríficos. Aliás, na nossa administração, a JBS pagou R$ 376 milhões nas contas do estado. Na nossa administração, fazemos tudo por dentro, não fazemos por fora”, disse.

Ele relembrou o decretou que baixou no primeiro dia do seu governo, determinando auditoria em todos os contratos da gestão anterior. “Todos sabem aqui que eu não amaciei para o governador Silval Barbosa. Eu fui muito criticado por só estar fazendo auditoria. E eu me orgulho das auditorias que nosso governo fez. Aliás, muitas dessas auditorias resultaram em prisões que estão aí e comprovaram o roubo do dinheiro público”, completou.

 

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