Patrimônio Nacional da França apoia estética controversa para Catedral de Notre-Dame

“É como se a Disney estivesse entrando na Notre-Dame", disse o arquiteto Maurice Culot.

Catedral de Notre-Dame de Paris em construção após incêndio de 2019 (Foto: DW)

As autoridades de Patrimônio da França aprovaram planos polêmicos para o interior da Catedral de Notre-Dame, em Paris. Em reunião restrita no dia 9 de dezembro, as propostas controversas de restauração após o incêndio de 2019 foram aprovadas mesmo diante de protestos.

A Catholic News Agency (CNA) informa que a Comissão de Patrimônio e Arquitetura da França votou favorável ao projeto. Entretanto, o grupo pediu para que não fossem removidas as imagens de santos das capelas e que não houvesse bancos móveis.

Os críticos à “modernização”

Em artigo publicado pela revista La Tribune de l’Art e pelo jornal Le Figaro em 7 de dezembro, algumas personalidades francesas fizeram críticas às propostas.  “A Arquidiocese de Paris quer aproveitar as obras de restauração para transformar o interior de Notre-Dame num projeto que distorce completamente a decoração e o espaço litúrgico”, revela o documento.

Nesse mesmo arquivo, o apresentador de televisão Stéphane Bern e o filósofo Alain Finkielkraut pontuaram: “O projeto prevê a instalação de bancos removíveis, iluminação que muda de acordo com as estações do ano, projeções de vídeo nas paredes, ou seja, a mesma moda (e, portanto, já terrivelmente desatualizada) de ‘dispositivos de mediação’ que podem ser encontrados em todos os projetos culturais ‘imersivos’, nos quais a tolice muitas vezes rivaliza com o sensacionalista.”

Segundo o Daily Telegraph, críticos temem que a Catedral se transforme numa “Disneylândia politicamente correta”.

“Confessionários, altares e imagens clássicas serão substituídos por murais de arte moderna e novos efeitos de som e luz para a criação de ‘espaços emocionais’”, disseram os críticos.

De modo similar, Maurice Culot, um arquiteto que tomou conhecimento dos projetos, expressou seu descontentamento: “É como se a Disney estivesse entrando na Notre-Dame. O que eles estão propondo fazer à Notre-Dame nunca seria feito à Abadia de Westminster ou à Basílica de São Pedro em Roma. É uma espécie de parque temático, muito infantil e trivial, dada a grandiosidade do local ”.

Incêndio na Catedral de Notre-Dame de Paris em 15 de abril de 2019, plena Semana Santa da Igreja Católica (Foto: ART News)

Os responsáveis pela Catedral

Em entrevista à AFP, o Padre Gilles Drouin, responsável pela restauração do interior da igreja, explicou que a restauração buscará não só preservar a catedral como local de culto, mas também acolher e educar os visitantes, “nem sempre de cultura cristã”.

Segundo o sacerdote, pinturas dos séculos 16 e 18 estarão em “diálogo” com objetos de arte moderna. Embora o governo francês esteja supervisionando a restauração e a conservação estrutural da catedral, as autoridades de Notre-Dame é que são responsáveis ​​pelas reformas interiores.

A catedral será reaberta para adoração com a oração Te Deum em 16 de abril de 2024, cinco anos após o incêndio.

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