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Pastagem: especialista diz que é mais rentável recuperar do que reformar

Foto de Edyeverson Hilário
Edyeverson Hilário

Para suprir a crescente demanda mundial por alimentos, o produtor terá que aumentar sua produção nas próximas décadas. Missão difícil que não se dará na exploração de novas áreas, mas, na utilização máxima das que já estão disponíveis.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, cerca de 70% dos 160 milhões de hectares de pastagens do Brasil apresentam algum grau de degradação. Dados que mostram que a maioria das propriedades poderiam ser mais eficientes.

De acordo com o Instituto de Métricas Agropecuárias (Inttegra), 37% das fazendas de pecuária de corte no País tiveram prejuízo na safra 2018/2019, com 70% das propriedades ganhando menos de R$ 400 por hectare.

A maioria das pastagens são degradadas por serem antigas, por isso, a compactação do solo acaba se tornando o maior causador do dano no campo. O alto índice de degradação além de causar lotação, gera um manejo nutricional de baixa qualidade, interferindo diretamente no ganho do peso.

Para reverter essa situação é preciso se atentar para a qualidade das pastagens. Mas aí surge o dilema: reformar ou recuperar o pasto?

Pastagem degradada em primeiro plano e, ao fundo, unidade demonstrativa com pastagem recuperada – Foto: Flávia Araújo – WWF-Brasil

De acordo com o técnico de agricultura de precisão da Piccin Implementos Agrícolas, Paulo Padilha, recuperar o pasto tem um custo muito mais baixo que reformar.

Para reformar uma pastagem o criador precisaria de no mínimo, quatro operações. “É necessário uma grade superpesada, outra intermediária e uma niveladora. Além disso, é preciso a gradagem que deve ser feita tantas vezes se fizer necessário para descompactar o solo devidamente. Em geral 2 a 3 gradagens são o suficiente”, explica.

Também é necessário o uso de calcário para correção e um distribuidor de sementes. “É fundamental terminar o preparo do solo com uma grade niveladora, pois esta irá dar o acabamento do preparo e realizar a cobertura da semeadura de uma nova pastagem. Esse processo todo pode gerar até seis operações que podem serem feitas de acordo com cada situação”, destaca o especialista.

Recuperação de pastagem

O processo é mais simples, afirma Padilha. “Uma vez identificado, basta realizar uma descompactação do solo”. Processo realizado por meio da escarificação, nome dado ao trabalho com máquinas que remove a palha do pasto e deixa a terra mais solta, garantindo uma boa oxigenação, assim possibilitando o crescimento do pasto. A descompactação atinge apenas a camada superficial do solo, envolvendo até 270mm de terra.

Foto: Assessoria

Esse trabalho deve ser feito em conjunto com um Distribuidor de Adubos e Sementes (DSAP), que com uma caixa dosadora de sementes acoplada ao escarificador realiza a semeadura durante a descompactação. Vale ressaltar que precisa ser feito no início das chuvas.

“Com um operacional no período certo, antes da chuva, há uma retomada boa dessa pastagem sem a necessidade de se realizar diversas operações”, diz o técnico.

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