Partidos em Mato Grosso divergem sobre cota para negros na eleição

Parte argumenta que o modelo interno dos partidos já funciona, outros defendem que a cota para mulheres é um exemplo a ser seguido

(Foto: Freepik)

Partidos políticos em Mato Grosso divergem sobre a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, que obriga a estipulação de cotas financeiras para negros a partir desta eleição.  

Presidente do MDB, o deputado federal Carlos Bezerra diz que as agremiações já possuem regras próprias para a distribuição de verba para seus candidatos, independentemente da raça. 

Segundo ele, o recurso do Fundo Eleitoral recebido pelo MDB é divido de acordo com o tamanho do município, a representação partidária e a quantidade de vagas em disputa. 

“Vejo como desnecessária essa regra, os partidos já têm regras próprias para definir quanto vai para cada município, se for candidatura a vereador, a prefeito, a deputados, ao governo. Tudo é feito às claras para que não haja questionamento. Essa regra pode atrapalhar aquilo que já funciona”, avalia. 

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O problema da “cotização” também foi ressaltado pelo presidente do PV, Roberto Stopa. Ele disse ver como fator extra partidário a fraca diversidade de gêneros ou raça entre os candidatos e avalia que a criação de cotas poderia fragmentar o grupo. 

“Não adianta tentar criar situações paliativas para resolver problema de representação. Eu acredito é preciso existir educação de qualidade para todos e isso pode levar à participação na política. A cota de 30% para mulheres não funciona ainda”, sustentou. 

Tem quem diga que funciona

Experiências opostas, no entanto, são apontadas por outros partidos. Paulo Borges, membro do diretório estadual do PSDB, acredita que a cota para negros pode gerar efeitos em algum tempo, como a estipulação de regras para a participação de mulheres. 

“Até a eleição passada, nós tínhamos que registrar candidaturas de mulheres à força, porque temos uma cota a ser cumprida. Não havia participação delas, não havia procura. Mas, neste ano, a situação foi bem diferente. Acredito que está começando a mudança e algo semelhante pode ocorrer com a cota para negros”, disse. 

O deputado estadual Lúdio Cabral, do PT, afirma que, apesar de obrigar à reorganização do planejamento do partido já finalizado, a decisão do ministro Lewandowski é válida como política de garantia de grupos sociais. 

“É uma decisão super válida. A cota para mulheres trouxe mudança e garante a participação delas na política. Isso também pode acontecer com a cota por raça, que realmente tem baixa representatividade na política”, disse. 

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