Para ouvir: conheça o melhor álbum brasileiro de 2018, segundo a Rolling Stone

Composições que exaltam as raízes africanas na música e denunciam o racismo – e na mesma dose se debruçam no amor e erotismo – compõem o segundo álbum de Baco Exu do Blues. Com o recém-lançado “Bluesman”, uma homenagem do rap ao blues, o disco do rapper baiano levou o título de Melhor Álbum Nacional de 2018 no prêmio da Rolling Stone. Baco sagrou-se vitorioso frente a outros nomes que são revelação e os outros já consagrados na Música Popular Brasileira, como Elza Soares e Gilberto Gil.

O tradicional ranking é responsável por revelar expoentes da MPB, que estão inclusive, distantes dos grandes eixos, desde a chegada da revista ao Brasil, em 2006. Dois anos depois, a cuiabana Macaco Bong – com formação original – figurou na lista. Até 2017, a revista reunia 25 discos. Em 2018, com a música brasileira em “fase intensa, plural e representativa”, segundo o editorial, esse número dobrou para 50.

Nesse novo contexto, Baco Exu do Blues representa a força do hip-hop na cena nacional ao lado de nomes que também figuram com álbuns em destaque na lista. São eles: IZA (41ª), Rashid (39º), Karol Conka (34ª), Diomedes Chinaski (32º), Bk’ (21º) e Djonga (6º).

Clicando aqui, você pode conferir quais são os 50 melhores discos nacionais de 2018 segundo ranking da Rolling Stone.

“Bluesman” é o segundo álbum de estúdio do rapper Baco Exú do Blues

BLUESMAN

Sem guitarra nem gaita, o rapper se coloca como um bluesman, lembrando o histórico de marginalização de ritmos da cultura negra como o samba, rock, jazz e funk. “Tudo que quando era preto era do demônio/E depois virou branco e foi aceito eu vou chamar de Blues”, avisa Baco logo na primeira faixa que leva o nome do disco. Com “BB King”, ele encerra: “Se você não se enquadra ao que esperam/Você é um Bluesman”.

Nesse contexto, o homenageado – blues – é considerado pelo artista um importante instrumento de empoderamento negro em contexto mundial: “Eu sou o primeiro ritmo a formar pretos ricos/O primeiro ritmo que tornou pretos livres”, diz Bluesman. O artista também se mostra antenado a diversas vertentes da MBP ao dar espaço a novos nomes da cena como cantora Ilume, o trio curitibano de afrofolk Tuyo e até o músico Tim Bernardes, em parceria inusitada.

Nas nove faixas carregadas de referências que vão de Van Gogh a Exaltasamba, o rapper lembra o filme Pantera Negra, se compara a Kanye West, cita Beyoncé, Jay-Z e Basquiat. Somado a isso, “Bluesman” chama atenção pela qualidade da produção. O disco, inclusive, ganhou curta-metragem com fotografia e narrativa refinadas, que acumula mais de 500 mil visualizações no Youtube.

Quem é Baco Exu do Blues?

Desde que estourou em 2016, Baco Exu do Blues vem num crescente após o lançamento da faixa “Sulicídio”, canção composta com o rapper Diomedes Chinaski que reivindica visibilidade para a produção musical fora do eixo Rio-São Paulo na cena nacional do rap. Ele é Diogo Alvaro Ferreira Moncorvo, nascido em Salvador (BA) há apenas 22 anos.

Com o aclamado disco de estreia “Esú”, o músico conquistou público e crítica com as letras carregadas de metáforas constrói uma ponte entre fé, morte, amor, literatura, fotografia e cinema. Pelo álbum, Baco foi indicado ao Troféu APCA 2017 nas categorias Artista Revelação, Música do Ano e Disco do Ano.

“Te Amo Disgraça”, canção que popularizou o álbum, também foi laureada como a Melhor Música de Rap pelo site Genius, através do Prêmio Genius Brasil de Música 2017, e a Canção do Ano no Prêmio Multishow 2018.

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