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Para escapar de “fritura”, Janaina Riva monta novo bloco de oposição

Foto de Laíse Lucatelli
Laíse Lucatelli

A deputada estadual Janaina Riva (PMDB) se rebelou com a bancada do PMDB na Assembleia Legislativa e montou um novo bloco de oposição, com quatro deputados. Ela conseguiu o apoio de Zeca Viana (PDT) e dos dois deputados no PT, Valdir Barranco e Allan Kardec. Com a mudança, o “blocão” de situação passa a ter 20 parlamentares, incluindo os outros dois deputados do PMDB, Romoaldo Junior e Silvano Amaral.

O LIVRE apurou que a deputada fez essa manobra para escapar de um processo de “fritura” articulado nos bastidores pelo Palácio Paiaguás. O objetivo, segundo fontes, seria impedir a parlamentar de participar das duas comissões mais importantes da casa: Constituição, Justiça e Redação (CCJ) e de Fiscalização e Acompanhamento da Execução Orçamentária. Como o novo bloco deve ter direito a vaga nas duas comissões, Janaina espera assegurar sua vaga da CCJ, e a de Zeca Viana na Comissão Orçamentária.

O líder do governo, deputado Dilmar Dal’Bosco (DEM), confirmou a formação do novo bloco de oposição, mas não garantiu a participação de Janaina na CCJ. Segundo ele, os membros ainda não foram definidos. Ele assegurou apenas que Romoaldo Junior fará parte dessa comissão. O peemedebista, que tinha uma atuação independente nos dois primeiros anos da legislatura, vem se aproximando do governador Pedro Taques (PSDB) e agora, ao integrar o bloco de situação para compor comissões, pode acabar migrando para a bancada governista.

Disputa na CCJ
Além da briga para definição dos membros, a CCJ deve passar por novas turbulências, na escolha do presidente. Tanto Dal’Bosco quanto Oscar Bezerra (PSB) desejam a presidência da comissão. “Tenho vontade de ser presidente, e meu nome está à disposição desde o ano passado. Agora cabe aos colegas decidir sobre isso. Eu soube que o Dilmar que ser presidente também, mas acho meio confuso que ele, como líder do governo, seja também presidente da CCJ. Agora, precisamos saber se o Palácio quer o nome dele. Da última vez, já vetaram meu nome. Se acontecer de novo, vou ter que rever posicionamentos”, afirmou Oscar.

Dal’Bosco, por sua vez, também confirmou interesse na presidência, e não vê incompatibilidade nas duas funções. “Tenho vontade, sim. Estou líder do governo, mas também estou deputado”, disse. Ele negou qualquer interferência do governo estadual na formação das comissões. “O governo não tem restrição a nenhum dos 24 deputados para ser presidente de nenhuma comissão. O que a Assembleia decidir, está decidido”, declarou.

Em 2016, a definição da presidência da CCJ causou atritos que foram parar na tribuna da Assembleia. O estopim da crise foi quando a dupla formada por Sebastião Rezende (PSC) na presidência e Oscar Bezerra na vice-presidência pediram o voto do membro Zeca Viana. A atitude despertou a ira do Paiaguás. O então líder do governo, Wilson Santos (PSDB), chegou a discursar lançando dúvidas sobre a “aliança” e os acordos que teriam sido feitos entre base e oposição.

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