Pandemia estaciona discussão partidária e lideranças defendem adiamento das eleições

Sem condições para articulação política, lideranças também não conseguem vislumbrar propostas de recuperação da economia

(Divulgação)

Lideranças partidárias suspenderam as discussões político-eleitoral em relação às eleições municipais. Apesar de que as eleições municipais deverão ser realizadas em algum momento após a pandemia – e, por ora, ainda estão mantidas para outubro – alguns partidos políticos não estão preocupados em oferecer soluções pós-crise.

Um dos principais desafios que deverão compor o pano de fundo das próximas eleições é a situação econômica. Isso porque as medidas de quarentena tem feito diversos setores paralisarem as atividades – bem no momento em que a economia começava a dar sinais de recuperação.

Outro fator que políticos – principalmente os que pretendem se eleger para prefeito ou vereador – deverão ter atenção é sobre a saúde, que – apesar de agora estar recebendo diversos investimentos como ampliação de leitos de UTI – depois precisará de manutenção e atenção continuada.

No atual contexto, o que está em evidência é a ameaça de morte por conta do coronavírus e a falta de estrutura da saúde para atender os pacientes que por ventura vão precisar de atendimento.

Enquanto isso, as lideranças partidárias entrevistadas pelo LIVRE são unanimes em afirmar que não existe ambiente para discussão partidária com foco nas eleições municipais.

Wellington Fagundes

O senador Wellington Fagundes é presidente regional do PL, e no começo do mês apresentou uma PEC para alterar a data das eleições municipais – para que sejam realizadas em conjunto com as eleições majoritárias daqui a dois anos.

Senador Wellington Fagundes defende adiamento das eleições e afirma que não há espaço para movimentações político-partidárias (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

“Estou convicto de que a alteração da data acontecerá. Acredito que o calendário deverá ser alterado. Além disso, existe uma discussão: independentemente de quanto durar a crise de saúde, teremos depois uma recessão econômica. Aí a população vai aceitar gastar os recursos do fundo eleitoral – que é dinheiro público – para as eleições? Acho muito difícil”, argumenta.

Fagundes avalia que quem se movimentar politicamente neste momento, será “rechaçado” pela população.

“Nós do PL, a orientação é no momento cuidar da saúde e salvar vidas. Neste momento, eu não tenho foco para discutir política partidária e muito menos eleitoral. Quem focar nisso agora está equivocado”, pontua.

Fábio Garcia

O presidente regional do DEM, suplente de senador, Fábio Garcia, também avalia que não existe espaço para discutir política eleitoral.

“A discussão que tem prevalecido: salvar vidas e preservar empresas. Não existe ambiente neste momento, é inoportuno fazer discussão política no Brasil”.

Fábio também defende que sejam evitadas as brigas políticas, a polarização, e a “politicagem”.

Suplente de senador, Fábio Garcia, diz que foco do DEM é salvar vida e preservar empregos (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

“Nosso foco tem que ser construir condições para que as pessoas possam passar com menor sofrimento, seja na saúde ou na condição financeira. Garantir acesso à saúde, a leitos e condições de se tratar. Também precisamos garantir renda às pessoas”.

Fábio defende que as eleições sejam realizadas somente quando o país tiver condições para isso, e ter superado a pandemia.

“No DEM hoje a gente discute: salvar vidas, preservar empregos e dar condições para que as pessoas tenha condições de ter renda mínima”.

Carlos Avalone

O presidente regional do PSDB, deputado estadual Carlos Avalone, também defende o foco em salvar vidas.

“Fiz uma convocação a todos os filiados do partido para deixar a política um pouco de lado, e se dedicar ao próximo. Infelizmente estamos vivendo um momento de pandemia, e eu nunca imaginei que nós iriamos passar por uma situação como essa”.

Carlos Avalone pediu para filiados do PSDB esquecerem política partidária por enquanto e focar em ajudar as pessoas durante a crise da pandemaia (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Avalone complementa: “não tem espaço para pensar num futuro político ou em como os partidos políticos vão se sair depois disso. Acho que isso será o menor dos problemas”.

O parlamentar pontua que a pandemia tem possibilitado que a sociedade repense a forma como se relaciona e, com isso, evite os entendimentos e os confrontos.

“Se há o que tirar algo de bom disso é que seremos pessoas muito melhores depois disso. Estávamos indo por um caminho muito ruim, as pessoas sem conseguir se comunicar mais, polarização em todos os lados. E tudo isso por conta da falta de respeito”, pontua.

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