Pacientes não conseguem retirar medicamentos na Farmácia de Alto Custo

Nossa equipe esteve no local e constatou que quase 20 pessoas aguardavam atendimento; sistema está fora do ar

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

Há quase uma semana os pacientes que necessitam de medicamentos da Farmácia de Alto Custo, em Cuiabá (MT), não podem retirar seus remédios por um problema com o sistema de cadastro. A reportagem do LIVRE esteve no local na manhã desta segunda-feira (18) e contabilizou aproximadamente 20 pessoas que aguardavam o restabelecimento do sistema.

Um cartaz logo na entrada avisava que o sistema estava inoperante e que, mesmo entrando em contato com o Ministério da Saúde (órgão responsável), não existia uma previsão para o retorno. Com a chegada de nossa equipe, servidores que até então se encontravam nas salas anexas ao prédio se dirigiram rapidamente aos guichês de atendimento. “O sistema é interligado ao Ministério da Saúde. O problema é em Brasília”, esclareceu à nossa equipe uma servidora, que não quis se identificar.

“Independentemente de quem seja a responsabilidade, eles deveriam encontrar uma solução. Antes o sistema era manual, por que eles não entregam o medicamento para quem precisa?”, questionou a dona de casa Roseli de Quadros. Mais uma vez ela terá que voltar para a casa sem o medicamento de sua filha de 25 anos, que sofre de diabetes e leucemia.

Além do problema do sistema, Roseli cita que a burocracia em torno da liberação dos medicamentos é confusa. Em mãos, portava um laudo de apresentação das doenças que sua filha tinha, além do receituário e uma carta de explicação da médica responsável pela filha Vanderleia de Quadros. Desde o mês passado, a dona de casa não consegue pegar um dos remédios, pois, segundo ela, sua documentação não é aceita.

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

“Tem o medicamento aqui, mas eles não querem passar porque dizem que o laudo estava errado, mas o laudo não está errado. Perguntei para eles ‘se minha filha vier a óbito, o que eles vão fazer?’”, questionou Roseli, que fez questão de explicar que vive de uma aposentadoria de apenas um salário mínimo (R$ 988). Cada medicamento custa em torno de R$ 500.

Diferentemente de Roseli, a administradora Celiane Amaral ainda consegue custear alguns dos medicamentos utilizados pelo filho que sofre de Síndrome de Janz, um tipo de epilepsia, e de esquizofrenia. Mas dois deles não cabem no seu orçamento mensal, e, por isso, desde quarta-feira (13), Celiane tem se ausentado do trabalho para conseguir ter acesso aos remédios que acabam hoje.

“Ele não pode ficar sem, se não começam os surtos. Ele já me agrediu fisicamente, ele já teve que ficar internado, então vim de novo na sexta-feira, mas estava sem previsão de retorno do sistema”, contou a administradora.

A maioria das pessoas com quem a equipe do LIVRE conversou afirma que, na sexta-feira (15), servidores orientaram os pacientes a voltarem hoje, a partir das 7h, que o problema estaria resolvido e que a equipe da Secretaria de Estado de Saúde (SES) trabalharia o final de semana tudo para que fosse feito o restabelecimento.

Outro problema relatado foi sobre a falta de medicamentos. Um dos remédios mais procurados é a insulina Glargina, uma injeção de ação prolongada utilizada por diabéticos dos tipos I e II, e constantemente fica em falta nos estoques da farmácia.

Outro lado

Nossa equipe tentou conversar com o coordenador do local, no entanto ele disse que não tinha autorização para passar informação.

Já a assessoria de imprensa da SES informou que está buscando informações e que deve dar um posicionamento sobre a situação ainda hoje.

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