Pachamama inca ao Tibre: intolerância ou dever?

Recentemente foi noticiado por diversos portais de imprensa que um pequeno grupo de católicos teria retirado as estátuas da deusa pagã inca da fertilidade, Pachamama, de igrejas em Roma e as lançado nas águas do rio Tibre. A partir desse ato corajoso, e visto como subversivo por alguns, mormente não-católicos, gerou-se um certo frenesi por conta de uma suposta intolerância religiosa consubstanciada no ato.

Para quem não sabe, está ocorrendo em Roma o famigerado “Sínodo da Amazônia”, reunião de bispos católicos e militantes ecologistas que, segundo o Instrumentum Laboris (documento base das discussões do sínodo) de autoria da rede Eclesial Pan-Amazônica – REPAM, indica: Amazônia: Novos Caminhos Para a Igreja e Para uma Ecologia Integral.

O conceito primevo do sínodo é assunto para outro momento. O que importa aqui é o deliberado preenchimento de igrejas católicas com imagens de ídolos pagãos indígenas, aos quais eram ofertadas vidas humanas.

Não há dúvida que a tolerância religiosa nada tem a ver com preencher igrejas com ídolos de outras religiões e esperar sua adoração em contradição aos mais basilares conceitos teológicos da Igreja de Cristo. Em verdade, é uma tentativa profana de mimetizar uma religião de “ecologia integral” plasmando no ídolo pagão uma falsa analogia com a Virgem Maria.

Certamente que os conceitos aqui traçados dizem respeito aos seguidores da Igreja Católica Apostólica Romana, mas é óbvio que se aplica às demais religiões que se veriam igualmente vilipendiadas caso, por exemplo, algo contra a sua doutrina, contra seus dogmas, contra sua tradição e contra sua essência teológica fosse inserido forçosamente em seus lugares de culto por um pequeno grupo de militantes ecologistas em nome da falsa “tolerância”.

A destruição de ídolos em lugares sacros e de responsabilidade de católicos é um dever moral que atine a todos os membros, sempre com o apoio integral do Direito Natural e com o pleno endosso de diversos Santos e Mártires.

Afora a questão legal positivista que reina suprema hoje nas mentes ocidentais, é preciso olhar para a História a fim de perscrutar a legitimidade do ato dos fiéis de retirarem os ídolos das igrejas e jogá-los no rio.

Os primeiros séculos do cristianismo são repletos de Bispos, Santos e Papas que, com recorrente risco à própria vida, abateram ídolos pagãos, os destruíram, os queimaram e os meteram nas águas dos rios, como é o caso de São Vigílio de Trento, ele mesmo mártir apedrejado por ter-se desfeito de um ídolo pagão.

Após as estatuetas de Pachamama serem lançadas no rio Tibre, muitos exsurgiram-se indicando que tal ação seria inimiga do “diálogo” inter-religioso, como fizeram Monsenhor Paolo Ruffini e Andrea Tornielli, além de inúmeros desconhecidos que levaram a cabo o martírio virtual dos autores do ato.

No entanto, novamente relembrando que se volta aqui às mentes católicas, cumpre relembrar a estas pessoas que crêem ser um direito sacrossanto a veneração de ídolos pagãos em igrejas católicas, que a História do Cristianismo, especialmente do catolicismo, está intimamente ligada a atos extremos de destruição de ídolos realizados por diversos santos. Quem conhece minimamente a História Eclesiástica e não se conforma com a falsa idéia de que o Espírito Santo tenha descido às mentes crentes apenas em 2019, sabe muito bem o dever moral cristão qual é.

Comecemos lembrando o Pai da Civilização Ocidental, São Bento de Núrsia, ou mesmo São Martinho de Tours e inumeráveis outros santos que, como Mássimo, bispo de Turim entre 398 a 423, invocavam os fiéis a, em palavras literais, “removerem a corrupção causada pelos ídolos em vossas propriedades e expulsarem o erro do paganismo dos vossos campos”.

Mássimo convidava os cristãos de seu tempo a não adorarem “demônios” e a não realizarem sacrifícios aos ídolos pagãos: “aquele que tomar consciência que um ato sacrílego ocorre em sua propriedade e não o proíbe, de certa forma, é como se ele mesmo o tivesse determinado”.

Palavras que soam atuais diante da proliferação de reverências e loas às estatuetas do ídolo da fertilidade inca, Pachamama, a quem se rende homenagem com o sangue de fetos de lhamas e folhas de coca!

Continuando a breve digressão à História dos Santos, São Cesário, bispos de Arles entre 500 e 543 disse: “Ouvimos que alguns de vocês têm feito oferendas às árvores, rezam às fontes, praticam formas diabólicas de profecias. Por conta disso nosso coração está tão cheio de tristeza a ponto de não poder ser consolado. E o que é pior, há pessoas miseráveis e desgraçadas que não só se negam a destruir os altares das divindades pagãs, mas não se envergonham e nem temem reconstruir aqueles já destruídos. Mais ainda, se alguém que tem Deus no coração e pretende fazer em pedaços esses altares diabólicos, é vítima de furiosos que reagem com fanatismo exasperado. Vão até o ponto de golpearem aquele que, por amor a Deus, está tentando abater os ídolos malvados, e talvez não hesitem nem mesmo de tirar-lhe a vida”.

Muito mais poderia ser escrito, porém convém lembrar detalhadamente São Vigílio, patrono da cidade de Trento, na Itália, morto e martirizado justamente após ter jogado no rio Ádige uma estatueta de Saturno (como a Pachamama inca, também deus da agricultura, da abundância e da natureza).

São Vigílio de Trento havia feito dos pagãos seus inimigos justamente porque eles praticavam sacrifícios humanos e exposição de recém-nascidos, então já proibidos pelos Imperadores cristãos, mas muito difundidos entre a população na festa de Saturno, o deus que devora seus filhos e que tinha seu correspondente fenício Baal, famosos por sua sede de sangue de crianças.

Pois diante da gravidade desses fatos, São Vigílio não se limitou a pregar, mas se desfez fisicamente do ídolo que escravizava a mente e o coração de seus concidadãos enquanto se nutria de seu sangue e do sangue de seus filhos.

Os séculos de perseguição sanguinária pelos quais os cristãos padeceram nas mãos dos pagãos devem estar vivos em nossa memória. E com o santo de Trento não foi diferente: pelo seu corajoso gesto pagou com a vida. Para a Igreja ele é mais que um mártir, mas um civilizador: não seria possível surgir verdadeiramente uma civilização se os homens continuassem adorando ídolos pagãos e ofertando suas colheitas, seus animais, seu sangue e vida. Como admitir uma civilização na qual as colheitas seriam abundantes apenas conforme se aumentassem os sacrifícios humanos?

Acerca dos ídolos amazônicos pré-colombianos e os sacrifícios a eles indicados, vale recordar que o grande historiador da Igreja no México, padre Mariano Cuevas, ressalta: o número mínimo de sacrifícios humanos que ocorriam na Nova Espanha à época dos Descobrimentos chegava a 100 mil inocentes por ano.

Assim é que, ao fiel católico, não se pode sugerir e menos ainda impor a adoração no Altar do Sacrifício Divino incruento a adoração de um ídolo pagão repleto de sangue de inocentes e com bases éticas, morais e teológicas diametralmente opostas às crenças cristãs.

Se os algozes das estátuas de Pachamama serão advertidos pela lei dos homens, não se pode dizer, mas perante às Leis de Deus seu destino é certo, tendo agido com risco à própria integridade física e liberdade para preservar a Casa de Deus.

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1 COMENTÁRIO

  1. Bravo! Uma voz lúcida e precisa. Hoje, mais do que nunca, importa livrar os consumidores de conteúdo jornalístico das falácias e desvios intelectuais contaminados pelo relativismo.

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