Ossadas de animais mortos em incêndio no Pantanal são doadas ao Museu Nacional do RJ

Exemplares irão contribuir para a reconstrução do acervo da instituição, que foi consumido pelo fogo em 2018

Duzentas carcaças de animais do Pantanal Mato-grossense estão sendo transportadas para o Museu Nacional do Rio de Janeiro, onde servirão de fonte de pesquisa e contribuirão para reconstrução do acervo da instituição, que foi consumida pelo fogo em 2018 .

Os ossos foram coletados e tratados pelos profissionais da Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN- Sesc Pantanal e são de várias espécies vitimadas pelo incêndio que devastou o bioma no ano passado. O objetivo da doação é que o material integre futuras exposições e sirva como fonte de pesquisa para cientistas de todo o mundo.

Cerca de 90% dos 20 milhões de itens conservados no acervo do Museu Nacional, o maior do Brasil, foi destruído no incêndio do prédio, que causou comoção mundial e a indiganação de todo o setor científico.

Após três anos do ocorrido, o Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o Comitê Executivo do Projeto Museu Nacional Vive (UFRJ, Unesco e Instituto Cultural Vale) deram início à campanha de recomposição do acervo da instituição para obtenção de exemplares de animais e plantas, de fósseis e minerais, objetos etnográficos, históricos, arqueológicos e tantos outros. Museus, instituições de pesquisa, diferentes coletividades representativas da sociedade e colecionadores de todo o mundo estão convidadas a fazer parte da missão.

Conforme o planejamento da Direção do Museu Nacional/UFRJ é que as 10 mil peças arrecadadas até o momento ocupem os 5,5 mil metros quadrados das quatro exposições da instituição: Histórico (mil exemplares); Universo e Vida (4,5 mil exemplares); Diversidade Cultural (2,5 mil exemplares); e Ambientes do Brasil (2 mil exemplares). Parte do novo acervo já doado pode ser conhecido pelo site www.recompoe.mn.ufrj.br.

A coleta

Os professores e pesquisadores do Museu Nacional, Luiz Flamarion B. de Oliveira e João Alves de Oliveira, responsáveis pela Coleção de Mamíferos, realizam estudos na RPPN Sesc Pantanal desde 1999 e vieram coletar mais ossadas, que se juntam ao que já havia sido recolhido pelo Grupo de Estudos em Vida Silvestre (GEVS) nos meses seguintes aos incêndios de 2020. O grupo, do qual Flamarion é coordenador, realiza o estudo de avaliação do impacto do fogo sobre a fauna da RPPN.

De acordo com Flamarion, a iniciativa e necessidade de coletar o material veio a partir desta pesquisa, que já divulgou uma estimativa, com base no conjunto de espécies avaliadas, dos três animais com maior mortalidade – jacaré, queixada e macaco-prego – que somam 20 mil indivíduos atingidos na RPPN.

“Diante do grande inventário feito logo após o incêndio, entendemos que poderíamos aproveitar esse material para recompor as exposições de mamíferos do Museu Nacional. Vamos tentar utilizar essa tragédia do Pantanal para trazer algum alento e para compor coleções de pesquisa”, explica.

Incêndio no Museu Nacional, no Rio de Janeiro, em 2018 (Foto: Divulgação)

Os incêndios de 2020 atingiram mais de 4 milhões de hectares, ou seja, 26% do Pantanal, em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Deste total, 100 mil hectares impactados pelo fogo encontram-se na RPPN Sesc Pantanal, que teve 93% de seus 108 mil hectares impactados em diferentes níveis.

Para a superintendente do Polo Socioambiental Sesc Pantanal, Christiane Caetano, a coleta das ossadas representa mais um passo neste percurso de recuperação do bioma. “Foram muitas as perdas no Pantanal e lamentamos muito por isso, mas também agimos para que nada tenha sido em vão, dando início a pesquisa com o Grupo de Estudos em Vida Silvestre (GEVS), por exemplo. Agora, as ossadas de animais que morreram direta ou indiretamente pelo fogo, vão ser fonte importante de estudos e de divulgação sobre a fauna pantaneira. É uma parte do Pantanal ganhando um novo sentido no palácio que guarda a história do Brasil”, declara.

Para representar tanto a diversidade de espécies quanto a variabilidade, algumas ossadas ainda precisam ser identificadas, uma vez que foram carbonizadas, estão incompletas ou são de difícil identificação, como pequenos roedores e marsupiais (parentes de gambás).

“É muito comum que pesquisadores e alunos que frequentam os acervos precisem identificar partes das espécies por comparação e não é muito fácil obter boas amostras. Elas são importantes para os trabalhos de teses de mestrado e doutorado. Diante de uma tragédia com muitos animais mortos, tentamos aproveitar o máximo possível para ter essa representatividade, especialmente do Pantanal, que tem animais tão emblemáticos da fauna de mamíferos brasileiros, como o lobo-guará e cervos, dentre outros”, completa Flamarion.

A gerente de pesquisa e meio ambiente do Sesc Pantanal, Cristina Cuiabália, ressalta que, além dos estudos ligados à mortalidade da fauna na Reserva, um trabalho robusto de pesquisa tem sido feito para monitorar o impacto do fogo e a recuperação da paisagem. “Hoje são duas grandes frentes de ação para acompanhar o processo de recuperação da vegetação e da fauna e é essencial realizarmos estudos de longa duração, pois a restauração natural é um processo demorado e gradual”.

(Com informações da Assessoria)

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