Os bebês da pandemia: como é a rotina de quem se tornou mãe em tempos de isolamento social?

Segundo o Unicef, cerca de 116 milhões de mulheres darão à luz a sombra da covid-19. Cuidados médicos são a principal preocupação

(Foto: Freepik)

Em todo o mundo, cerca de 116 milhões de mulheres devem dar à luz sob a sombra da pandemia do novo coronavírus. A estimativa é do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), que aponta para uma preocupação: os cuidados médicos que mães e bebês precisam logo nos primeiros meses de vida.

“As gestantes receiam ir aos centros de saúde por medo de serem infectadas, ou estão perdendo cuidados emergenciais devido à serviços de saúde sobrecarregados e medidas de confinamento”, diz Henrietta Fore, diretora executiva do Unicef.

O Brasil está entre os 10 países com maior número esperado de nascimentos. A estimativa é que – entre março e dezembro – 2,3 milhões de bebês venham ao mundo em solo brasileiro.

Antonella nasceu no início de fevereiro. Na época, embora o coronavírus já estivesse se espalhando pela Europa e fosse um problema sério na China, no Brasil, a vida ainda seguia normalmente.

Foi a primeira gravidez de Raianna Kafka, 30 anos, uma cuiabana que mora em São Paulo há cerca de 10 anos.

“Estava tudo perfeito, recebíamos visitas diariamente dos avós e tios, comemoramos o primeiro ‘mêsversário’ em família e os laços de amor só cresciam. Mas, em meados de março, após o Carnaval, a covid se tornou o nosso terror”, conta.

Uma tia de Raianna, que saiu de Cuiabá para Vinhedo (75 km da Capital paulista) para ajudar a nova mamãe, teve que voltar para Mato Grosso às pressas. “Caso contrário, ficaria presa aqui, pois a quarentena já tinha iniciado”.

(Foto: Arquivo pessoal)

Missão quase impossível

Comparecer às consultas periódicas ao pediatra, segundo Raianna, é uma das partes mais difíceis de se ter um bebê durante uma pandemia. Não faltam médicos, mas os cuidados ao entrar e sair do hospital têm que ser redobrados.

Máscara, álcool em gel e roupas extras para mãe e bebê fazem parte da bagagem.

“Na última consulta, com o estágio da doença mais avançado, quando saímos de lá, além da higiene das mãos e uso das máscaras, troquei de roupa – a minha e a dela – ainda dentro do carro. As usadas na consulta foram para o porta-malas. Quando chegamos em casa, fomos direto para o banho”, Raianna relata.

Os mesmos cuidados valem para o pai, o engenheiro Gilmar Kafka Júnior, que continua trabalhando normalmente e é quem faz as compras da casa.

“Ele entra pelos fundos, deixa a compra em cima da mesa, tira toda a roupa. Os sapatos ficam do lado de fora. Passa álcool em gel no celular, nas chaves do carro e nas compras e vai direto para o banho. Estamos driblando a situação como podemos”.

Dia das Mães

Diretora executiva do Unicef, Henrietta Fore lembra que esse deve ser um Dia das Mães de grande comoção para famílias que estão separadas pela pandemia. Raianna concorda.

“Será meu primeiro Dia das Mães e jamais pensei passar por algo parecido. Vamos passar longe de quem amamos, mas não importa. Estamos com nosso maior presente nos braços e será perfeito, carregado de muita emoção e gratidão”.

(Foto: Arquivo pessoal)

Para matar a saudade, um grupo no WhatsApp foi especialmente criado para que familiares e amigos possam acompanhar o crescimento de Antonella.

“Diariamente envio fotos e vídeos e, nos finais de semana, fazemos chamada de vídeo para que possam vê-la. Brinco que, quando as pessoas vierem conhecer a Antonella pessoalmente, ela já estará andando, porque não tivemos tempo de receber visitas”, ela diz descontraída.

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