Onça-pintada morta no Pantanal era monitorada por ONG, confirma laudo

O documento foi entregue à Delegacia de Polícia de Poconé que investiga a morte do animal

O confronto foi realizado com base em duas imagens, sendo a primeira uma fotografia tirada em novembro de 2021, que consta no guia de identificação de onças de uma pousada da região ( Foto: Reprodução / ONG Jaguar Identification Project)

A onça-pintada que foi morta por um homem no Pantanal mato-grossense era monitorada e conhecida como Queixada. O monitoramento era feito pela ONG Jaguar Identification Project. O animal foi morto com um tiro, em abril deste ano.

A confirmação consta no laudo pericial da Gerência de Perícias em Áudio e Vídeo da Politec. O exame foi requisitado com o objetivo de investigar a prática de crimes ambientais de caça ilegal de animais silvestres.

A constatação se deu através do exame de Comparação de Padrão, que consiste na análise e comparação de características e detalhes presentes na imagem, para suportar ou contrapor, em maior ou menor grau, a hipótese de que um objeto padrão é responsável pelas características identificadas na imagem questionada.

Neste caso em questão, o confronto foi realizado com base em duas imagens, sendo a primeira uma fotografia tirada em novembro de 2021, que consta no guia de identificação de onças de uma pousada da região; e o vídeo que mostra um homem abraçado ao animal morto com um tiro na cabeça.

Exame minucioso

O exame pericial partiu da análise do padrão de pintas do animal, que, conforme o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), são características individualizantes das onças-pintadas.

As pintas localizadas na região da cabeça, nuca e cauda são sólidas, porém nos flancos elas formam rosetas grandes ou pequenas, fechadas ou abertas, com ou sem pintas no seu interior. Estas marcas são bastante variadas e podem ser usadas para identificar uma onça individualmente, como se fosse uma impressão digital.

De acordo com o perito oficial criminal responsável, Ozlean Dantas, nos exames realizados foi possível notar fortes convergências nos padrões das pintas localizadas na região do flanco direito do animal. Baseado nesses resultados, o perito concluiu que o resultado dos exames corrobora com a hipótese de que o animal presente no vídeo que circulou nas redes sociais é o mesmo fotografado em novembro do ano passado.

Um dos quesitos formulados pelo delegado Maurício Maciel Pereira Junior, ao perito refere-se à data em que as imagens registradas nos arquivos do catálogo foram fotografadas, ao qual foi possível identificar que as imagens foram capturadas em 13 de novembro de 2021.

“Eu recebi os arquivos de um catálogo, que seriam os arquivos que foram gerados por esta foto, e a informação é que este arquivo seria periciável. E a data que ele foi criado, em que a fotografia foi feita ela não é alterável. Eu questionei se esse arquivo é possível dizer que ele é compatível com a onça vista no vídeo, porque daí eu mostro que essa onça é correspondente ao animal do vídeo. Na sequência, que data este arquivo foi criado, ou seja, que a fotografia foi tirada”, explicou Junior.

Prova de crime

(Foto: Polícia Civil)

Conforme o delegado, o resultado da perícia corrobora com a materialidade do crime de caça de animal silvestre. “Eu consigo ter a convicção, a prova objetiva e técnica que me diz que essa onça estava viva em novembro de 2021, o que põe por terra o argumento da defesa de que fazia mais de um ano que o vídeo havia sido produzido”, completou.

O laudo foi concluído e entregue na última segunda-feira (16) à Delegacia de Polícia de Poconé (104 km de Cuiabá).

O caso

Um vídeo que circulou nas redes sociais em abril deste ano, mostravam uma onça-pintada morta com um tiro e um suspeito fazendo comentários jocosos quanto a situação. O fazendeiro, que não teve a identidade divulgada, foi preso pela Polícia Civil. Mas foi solto após pagar mais de R$ 165 mil de fiança e ser colocado sob monitoramento eletrônico.

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(Com Assessoria)

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