O xeque-mate tem seu próprio ritmo independente

No jogo a Torre, o Cavalo e o Bispo são muito importantes, assim como são vitais a Rainha e o Rei. Mas a dança dos peões no tabuleiro também tem sua utilidade prática. Todos os movimentos no tabuleiro, de todas as peças, revelam ou dissimulam a intenção do jogador. Mais o jogador preparado não se baseia somente em seus “instintos”. Cada movimento alimenta de dados um simulador de cenários, que por sua vez com base em softwares próprios para este tipo de operação, redesenha o cenário futuro provável com incrível nível de acerto e oferece novas “linhas de ação”.
Estas simulações são feitas em computadores quânticos muito sofisticados com desempenho de milhares de qubits (os chamados bits quânticos) localizados em compartimentos blindados com temperaturas baixíssimas e projetados para impedir que a energia eletromagnética entre ou saia, alguns semelhantes às conhecidas como gaiolas de Faraday. Sua tecnologia é tão avançada que o padrão RSA de criptografia pode ser “desembaralhado”, quebra de encriptação, em milionésimos de segundos, mesmo sendo uma chave de 2.048 bits ou mais. A execução adequada do algoritmo de Shor dependia, no passado, basicamente da construção de um computador com qubits suficientes, fato já superado a tempo. Computadores quânticos tem várias aplicações, como pode ser visto nesta antiga matéria do Washington Post de janeiro de 2014 – vide link: http://apps.washingtonpost.com/g/page/world/a-description-of-the-penetrating-hard-targets-project/691/#document/p1/a138758. Neste caso o computador estava sendo desenvolvido a cinco anos atrás para o Project Penetrating Hard Targets (Projeto de penetração em alvos difíceis).
Os computadores quânticos utilizados nas agências de inteligência estratégica de primeira linha, não conhecidas do público, utilizam uma tecnologia dezenas de anos à frente da tecnologia de domínio público, sendo seus computadores milhões de vezes mais rápidos que o Frontier (este computador utiliza CPUs Epyc da AMD, cada uma conectada a quatro GPUs Radeon Instinct) que entrará em operação em 2021 e que poderá produzir mais de 1,5 exaflops de capacidade de processamento (um exaflop é a capacidade de executar um quintilhão de operações por segundo), sendo que o Frontier será aproximadamente 50 vezes mais rápido que o computador mais veloz do mundo atual. Se o Frontier é considerado uma tecnologia totalmente ultrapassada com seus 1,5 exaflops, imagine o Summit, que entrou em operação no início de junho de 2018, e é capaz de fazer 200 petaflops, sendo hoje o mais veloz do mundo? Daí você pode imaginar o poder de processamento dos computadores quânticos utilizados para projeções de cenários futuros nos centros estratégicos de primeira linha. Desde que Garry Kasparov, Grande Mestre do Xadrez, enfrentou Deep Blue (o computador da IBM) na década de noventa, muito se avançou. Foi um bom laboratório.
A tecnologia dos computadores quânticos envolvidos em projeção de cenários envolve fortemente Machine Learning, com ênfase em Deep Learning, e Inteligência Artificial. De forma superficial e sintética, como este é um artigo para um público heterogêneo, isso significa genericamente que a cada projeção confrontada com a realidade, ele aprende com seus próprios erros e os corrige na projeção seguinte, refinando o grau de acerto. A cada dia acumula mais dados e aprendizado, que geram mais informações essenciais à tomada de decisões estratégicas, que por sua vez são novamente confrontados com os resultados, gerando novo aprimoramento do método, num looping infinito até aproximar-se da perfeição. Computadores adiabáticos são particularmente úteis para questões de otimização nas quais projeções de cenários estão envolvidos. O orçamento para o National Intelligence Program (Programa de Inteligência Nacional) dos EUA, assim como o de todos os países de ponta, prioriza este investimento e não poupa recursos. Afinal, poder projetar o futuro, movimento a movimento e corrigindo rotas, com elevado índice de precisão é um diferencial competitivo determinante.

É uma tecnologia muito além do IonQ com 79 qubits comprovados (os pesquisadores em meados de 2018 entendiam que os computadores quânticos sobrepujariam os convencionais quando ultrapassassem a 50 qubits) ou o D-Wave Two de 512 qubits informados. O grau de acerto destas projeções, após os computadores quânticos de primeira linha serem alimentados com quatrilhões de dados portadores de futuro diariamente (referentes a economia, defesa, engenharia social, demografia, hábitos pessoais captados nas redes sociais e internet, etc….) tem chegado à marca de 99,2% de precisão para projeções de cinco anos, 95,5% quando envolvem projeções de dez anos e 89,3% para projeções até quinze anos. Todavia, merece menção que nos últimos meses variáveis exógenas tem deixado apreensivos os analistas.
Além de simular cenários os computadores quânticos sugerem linhas de ação para alcançar os objetivos com que foram alimentados. Assim, o jogador abastecido com estas informações pode refinar os movimentos seguintes para alcançar maior letalidade no xeque-mate.

A Torre não pode ser subestimada, então vamos um pouco a ela. Esta é uma análise interessante sobre algumas vulnerabilidades que Bancos Centrais enfrentam – https://www.zerohedge.com/news/2019-08-26/will-central-banks-survive. Bancos Centrais também sofrem perdas. “Geralmente, as perdas resultam de obrigações de juros, pagamentos de subsídios, práticas cambiais múltiplas, esquemas de “garantia” e alterações desfavoráveis ​​nas avaliações de ativos líquidos”, conforme relata a matéria.Fonte: GnS Economics, BoJ, BCE, Fed, PBoC

Este gráfico mostra os balanços do Banco do Japão, Banco Central Europeu, Federal Reserve e Banco Popular da China, em bilhões de dólares.

Existem aqueles que já advogam a mudança do padrão monetário. “Chegamos ao ponto em que estamos praticamente no fim do caminho em termos de rendimentos e taxas de juros. E os banqueiros centrais agora têm o desejo de refletir o sistema de uma nova maneira. Estamos à beira desse novo paradigma em que essa reflação vai dar certo”, disse Mark Valek, autor do relatório anual ‘In Gold We Trust’, a Max Keiser.

O diretor de investimentos (CIO) da Blackrock (um dos maiores fundos de investimento do mundo), Rick Rieder, escreveu em 08/09/19 no blog da Blackrock, ao ponderar abertamente sobre o Fim da Política Monetária, dizendo: “Como se posicionar para esse fim de jogo? Como provavelmente é evidente, qualquer instrumento nominal será desvalorizado em termos reais; portanto, a solução é manter um ativo que mantenha seu valor real – um ativo que não pode ser impresso.” Em outra parte, continua: “Por definição, o pior ativo a ser detido seria um título soberano com rendimento negativo, seguido de perto por papel-moeda com rendimento zero, ambos com uma oferta teoricamente infinita sobre as opções de investimento”. Títulos soberanos são exatamente o que o Brasil mantêm nas suas reservas. Mais a frente ele conclui: “Portanto, tudo isso leva hoje a considerar ativos que podem participar de uma desvalorização inerente da moeda local, ou seja: ações, imóveis e até ativos duros que têm relevância histórica em termos de valor, como o ouro.”
Talvez seja relevante considerar o posicionamento de um dos maiores investidores do mundo intitulada: “Talvez Warren Buffett esteja nos alertando sobre algo” – click no link
O Supremo Cruzeiro do Sul precisa ser preservado para a próxima fase.

Quem pode antever o futuro com boa margem de acerto, em virtude de sua ciência que possui metodologia e tecnologia apropriada, pode em virtude disso prever o movimento das peças do outro e construir um cenário, onde as opções que se deixa ao oponente, sempre o levarão para o xeque-mate, independentemente de sua vontade. Não existe “justiça” no jogo, há o jogo.

“Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas” – Sun Tzu em “A arte da Guerra”.

O efeito dominó começou, na medida que a cada movimento um novo dominó cai e empurra outro para a queda seguinte!Todo jogo acaba ou muda de fase. O xeque-mate se aproxima.

*Luiz Antonio Peixoto Valle é Professor e Administrador de Empresas.

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