O xeque-mate só surpreende o incauto

Cada peça tem o seu papel no jogo, e nenhuma pode ser subestimada. O Bispo (sistema de crenças) adota estratégias interessantes que vão da distração ao blefe. Simulação e dissimulação são suas especialidades. Faz movimentos rápidos e chamativos no tabuleiro para desviar a atenção das peças-chaves, atraindo a atenção do adversário para situações sem importância ou induzindo-o a acreditar em algo que não atende ao seu mais elevado interesse.

O bispo sabe que a realidade é moldada pelas concepções e crenças que são altamente influenciáveis. Quem controla a narrativa cria a “realidade”. Por isso sua estratégia é conquistar corações e mentes. Já discorri aqui em artigo anterior sobre o conceito de Túnel de Realidade, explicando que “os indivíduos possuem um filtro mental com o qual percepcionam a realidade. Ao estudar este conceito foi verificado que as pessoas só ouvem, enxergam ou entendem o que se encaixa perfeitamente dentro do seu sistema de crenças, abdicando do discernimento”. Quando estes filtros são muito espessos, deixando pouca “abertura mental” a resultante é a chamada “Imunização Cognitiva”.

Segundo uma definição que está na Revista Sociedade Militar, “a imunização cognitiva é o processo de proteção do pensar diferente, é o processo de padronização dos pensamentos de forma direta e subliminar que objetiva extinguir toda a capacidade dos desavisados de se contrapor às maiores obviedades”.

A imunização cognitiva é um bloqueio que leva as pessoas a acreditar apenas no que querem acreditar, tornando-se imunes a outros pontos de vista, desprezando ou considerando irrelevantes e sem crédito tudo que não se informa (entra na forma) dentro da sua “caixinha”, mesmo que evidências e fatos objetivos demonstrem que o seu entendimento é equivocado ou incompleto. Os especialistas em controle mental coletivo sabem que nossas mentes se transformaram mais para blindar nossas crenças do que para discernir o que é verdade e o que é mentira.

Esta incapacidade de enxergar as maiores obviedades, mesmo após a apresentação de fatos e evidências, tem se tornado uma verdadeira epidemia em nosso país, contaminando pessoas de diversos extratos sociais, notadamente as que se dizem intelectualmente mais preparadas e que por dever de ofício deveriam ter a mente aberta e o discernimento afiado.

O General Villas Bôas manifestou sua preocupação em palestra recente no Instituto Histórico e Geográfico do DF, ao dizer: “O que me impressiona é que a inteligência nacional e seus múltiplos gestores até hoje não compreenderam que essas novas ferramentas de atuação do imperialismo internacional”, ao se referir a questão ambiental, mas que se aplica igualmente e vários outros assuntos. Esta Imunização Cognitiva atingiu em cheio muitas mesas em Brasília. Meus alertas sobre estas dificuldades vem desde 13 de outubro de 2013 quando publiquei o artigo “A Atividade de Inteligência Militar, os Governos Civis e o Cenário Atual”.

Não é necessário ser vidente para antecipar movimentos no tabuleiro. Basta conhecer o jogo e sua metodologia, acumular conhecimento e experiência, usar técnicas de análise de risco e projeção de cenários desprovidas de crenças limitantes. No primeiro artigo da série Xeque-mate eu disse que o bilionário Jeffrey Epstein era alguém bem conhecido nos círculos interno. No segundo artigo enfatizei que ele havia sido ‘encontrado “quase inconsciente” com “marcas no pescoço” em posição fetal no chão da cela que ocupa no Centro Correcional Metropolitano (MCC), em Manhattan’.

Na grafia utilizada no artigo coloquei palavras entre aspas propositalmente e deixei claro que ele “sabia demais”. Por que abordei este tema em dois artigos? Pois bem, no dia 10/08/19 o cidadão foi encontrado morto em sua cela. O “suicídio” ocorreu de forma tão evidente que até o jornal The New York times não conseguiu deixar de registrar os “detalhes” – .

Falando agora um pouco da Torre, a leitura de que os sinais apontam para uma nova crise ao estilo 2008 estão vindo de todos os lados. Recentemente o Sr. Fernando Ulrich, numa palestra na VI Conferência de Escola Austríaca do Instituto Mises Brasil, chamou a atenção para a fragilidade do sistema atual alertando para o fim de um ciclo. Por isso, como já comentei nos artigos anteriores, os países estão acumulando ouro, seja oriundo de sua própria produção, seja “comprando” de países produtores desavisados como o Brasil. Foi amplamente noticiado que o roubo de uma carga de ouro de 718,9 quilos no aeroporto de Guarulhos estava destinada para….. EUA e Canadá.

Segundo outra reportagem, o ouro “pertencia à mineradora canadense Kinross, a quinta maior do mundo. O metal foi extraído de uma mina de Paracatu, no noroeste de Minas Gerais. No ano passado ela havia batido um recorde de produção de 14,7 toneladas de ouro! Isso apenas numa mina. Não é de admirar que o Brasil não tem reservas em ouro físico, mas os estrangeiros têm.

Todos sabem que no Brasil há espaços do território nacional onde os brasileiros não podem circular livremente, mas os estrangeiros podem. A exploração da época colonial nunca cessou e à medida que o Governo do Presidente Bolsonaro se opor a isso, questionando ainda as ações relativas à floresta amazônica, seu governo automaticamente se antagonizará a interesses poderosos que já se levantam contra ele.

Líderes como o Papa Francisco já estão se manifestando, demonstrando que o movimento já começou, elevando a questão ao nível de risco à humanidade. Isso lembra as famosas “armas de destruição em massa” que Bush alegou para invadir o Iraque e que nunca foram encontradas.

Num ensaio de ideias o professor de Relações Internacionais da Universidade de Harvard, Stephen M. Walt, num artigo publicado dia 06/08/19 na revista online Foreign Policy, pergunta: “Quem vai invadir o Brasil para salvar a Amazônia?”. Como ele tem juízo deixa claro que, para o “crime” ambiental relativo a emissão de gases (cujos principais poluidores são EUA, China, Índia, Rússia e Japão) não poderia ser feito a mesma coisa porque “ameaçar qualquer deles com sanções possivelmente não vai funcionar e ameaçar com uma intervenção armada é completamente irrealista”; acrescentando que no caso do Brasil é diferente, usando o seguinte argumento: “Mas o Brasil não é nenhuma grande potência. Ameaçá-lo com sanções econômicas ou o uso da força caso se recuse a proteger a floresta poderia funcionar”. As ideias começam a circular.

Os EUA, como demonstrei no artigo anterior, aceleram os preparativos para a crise iminente. Em 1 de outubro de 2019 o chefe do Estado-Maior do Exército, General Mark Milley, se tornará presidente do Joint Chiefs of Staff. Segundo informações ele não está vindo para brincadeiras. A trajetória dele e seu semblante parecem confirmar esta impressão.

Para ter certeza que nada vai falhar, quando for necessário colocar em andamento os planos de emergência que parcialmente descrevi no artigo anterior, os estadunidenses fizeram na semana passada os primeiros testes significativos no sistema de Alerta de Emergência Nacional.

O que se deve destacar aqui é que a FCC (Comissão Federal de Comunicações) e a FEMA (Agência Federal de Gestão de Emergências) não haviam ainda trabalhado juntas em testes desta magnitude, notadamente envolvendo aspectos que se aplicam direta e especificamente a ambas, relativas à lei sobre os poderes de guerra do presidente dos EUA.

Depreende-se que POTUS pode, com base na seção 606 (c), assumir o controle de todo o establishment de mídia do país, segundo a seguinte condição: “Após a proclamação do presidente de que existe guerra ou ameaça de guerra, ou estado de perigo público ou desastre ou outra emergência nacional, ou para preservar a neutralidade dos Estados Unidos”.

Todos os preparativos estão sendo feitos com o maior cuidado para não violar a lei federal que, em sua Seção (f), determina a Proibição de Ações Secretas destinadas a influenciar Processos Políticos dos Estados Unidos. Ninguém quer ser acusado de interferir na eleição de 2020. Nela consta que “nenhuma ação secreta pode ser conduzida com a intenção de influenciar os processos políticos, a opinião pública, políticas ou mídia dos Estados Unidos”.

E o Brasil, como está se preparando? Será que não precisa ou a Imunização Cognitiva tornou-se irreversível? O preço de erro ou omissão será o sangue derramado e as lágrimas de parentes, incluindo das famílias hoje em Brasília.

Todavia, importa ressaltar que antes, durante e depois do Xeque-mate tem o efeito dominó, na medida que a cada movimento um novo dominó cai e empurra outro para o movimento seguinte!

Todo jogo acaba ou muda de fase. O xeque-mate se aproxima.

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Luiz Antonio Peixoto Valle é professor e administrador de empresas.