O refinamento que falta à eficiência da seleção brasileira

Lucas Figueiredo/CBF/Direitos Reservados/Agência Brasil

Antes de entrar em campo contra o Uruguai no último dia 17 de novembro em jogo válido pela 4ª rodada das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2022, o Brasil já era a única seleção que havia vencido todos os jogos que havia feito neste torneio. É verdade que os adversários anteriores – Bolívia, Peru e Venezuela – não eram necessariamente os mais fortes da América do Sul. Ainda assim, não se pode ignorar o fato de que 2020 marcou a primeira vez, desde 1981, que o Brasil venceu suas três primeiras partidas em um torneio classificatório para uma Copa do Mundo.
Mas mesmo essa marca não deveria causar surpresa para quem vem acompanhando o trabalho de Tite desde que o gaúcho de Caxias do Sul assumiu o comando da seleção quatro anos antes. Embora nem sempre a Canarinho tenha apresentado um futebol vistoso desde então, a eficiência sempre foi das melhores. E essa, por sua vez, era provavelmente a principal razão para que, em meados de novembro, a equipe fosse tida, de acordo com prognosticadores, como a mais cotada para vencer o Mundial no Catar.


Talvez fosse até mais justo dizer que, àquela altura, o Brasil estava tecnicamente empatado com a atual campeã, a França. As apostas a favor do título do Brasil no Catar daqui a dois anos ofereciam um retorno médio de 7.4 no “Exchange”, modalidade de apostas de futebol que consiste na compra e venda de cotações relacionadas a eventos esportivos, como numa espécie de bolsa de apostas. Já as odds a favor dos franceses ofereciam um retorno médio de 7.8. Ambas as cotações eram mais interessantes do que as oferecidas pelas apostas tradicionais, cujo retorno para o título de Brasil e França eram, respectivemente, 5.5 e 6.0. Tal diferença ocorre porque no trading é o próprio apostador que define as suas cotações, ou odds. Assim, para ter um retorno maior para uma eventual aposta vitoriosa, precisa apenas que pelo menos um outro apostador considere tal cotação igualmente atraente.
Entretanto, mesmo os traders mais confiantes fariam bem em observar as sérias dificuldades que o Brasil vem enfrentando para chegar à meta de equipes que jogam de forma bastante recuada. Esse foi o caso mais uma vez na 3ª rodada das Eliminatórias, quando a Canarinho venceu a Venezuela no Morumbi por apenas 1 x 0. É verdade que, nessa partida, a equipe se ressentiu das ausências de Neymar e de Philippe Coutinho. Por outro lado, é cada vez mais forte a impressão de que, embora o Brasil tenha diversos jogadores habilidosos, velozes e objetivos no meio de campo, parece faltar alguém atualmente com a elegância de um Ronaldinho Gaúcho.

Talvez seja por isso que mesmo hoje alguns torcedores continuem duvidando do sucesso da seleção em 2022. O grupo de jogadores que Tite tem em mãos já mostrou ser capaz de competir no mais alto nível por seus respectivos clubes, mas, coincidência ou não, as seleções que venceram as últimas Copas do Mundo tinham aquilo que mais falta ao Brasil hoje: um meio-campista de estilo mais refinado, como Kroos (Alemanha) e Xavi (Espanha). Nem sempre é fácil adequar um jogador com essas características às demandas do futebol moderno, mas frequentemente é ele o grande diferencial para que uma seleção tenha aquele algo a mais que lhe faça chegar à glória máxima do futebol.

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