O que vai cair no Enem? Professores de três das melhores escolas públicas de Cuiabá respondem

A reportagem do LIVRE ouviu um professor de cada disciplina. Corre que ainda dá tempo dar uma revisada no material

(Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

A mudança de governo e polêmicas envolvendo edições anteriores do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) fizeram a prova deste ano ganhar novos ares de mistério.

Se antes só o tema da redação gerava expectativa, agora a abordagem de assuntos relacionados a outras disciplinas também pode ter sido alterada.

É a opinião de alguns professores de três das melhores escolas públicas de Mato Grosso que a reportagem do LIVRE resolveu consultar perguntando: o que o senhor(a) acha que vai cair na prova deste ano?

Matemática – Escola Militar Tiradentes

Maicon Adailson dos Santos é professor de Matemática da Escola Militar Tiradentes de Cuiabá (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Para o professor Maicon Adaison dos Santos, da Escola Militar Tiradentes de Cuiabá, o aluno não pode sentar na cadeira em que fará a prova do Enem deste ano sem entender de geometria espacial.

A aposta dele é que a prova deve estar recheada de cálculos de volume, assim como exames de anos anteriores. O assunto é um dos mais “aplicáveis” ao dia a dia e pode ser incorporado no contexto de várias profissões.

“Vale para a quantidade de água em um copo, a capacidade de um reservatório como um silo de trigo ou o cálculo de quanto de remédio cabe numa seringa”.

E embora a prova seja de Matemática, o professor diz que o aluno deve estar atento ao texto. A dica número 1 é: primeiro encontrar os dados que serão usados para o cálculo. A número 2: entender o que está sendo perguntado.

“Porque eles podem dar várias informações e perguntar algo bem simples”.

Biologia – Escola Militar Tiradentes

Rafael Wolf é professor de Biologia da Escola Militar Tiradentes de Cuiabá (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Evolução, genética e meio ambiente. Esses são os temas que o professor de Biologia da Escola Militar Tiradentes, Rafael Wolf, acredita que estarão presentes na prova do Enem deste ano.

Ele lembra que o exame sempre valoriza assuntos que foram abordados na mídia ao longo do ano, então sua aposta é na temática das queimadas e incêndios florestais.

“É um tema bem relevante e que não é só uma questão nacional. [Podem cair questões relacionadas aos] biomas, o quanto deles já foi devastados”, explica.

Ainda no campo dos “assuntos que estão na mídia”, Rafael Wolf lembra das vacinas e doenças infecciosas.

“E não é tão difícil assim. Sempre tem uma coisinha ou outra relacionada à vacina, como age cada agente infeccioso, por exemplo”.

Física – Liceu Cuiabano

Thomas Eduardo é professor de Física da Escola Estadual Liceu Cuiabano (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Por incrível que pareça, a conta é o de menos. Na opinião do professor Thomas Eduardo, da Escola Estadual Liceu Cuiabano, o candidato deve estar atento à leitura da questão, bem como à interpretação das informações e ao entendimento dos resultados.

Eduardo analisou a prova dos últimos 4 anos para selecionar questões para as aulas recentemente e constatou que, todos os anos, caíram questões relacionadas a circuitos, principalmente, os de residência.

Todos os casos tinham contas matemáticas simples, porém a dificuldade estava em entender o que era oferecido e associar o resultado à pergunta.

História – Liceu Cuiabano

Sandra Miriam Figueiredo é professora de História na Escola Estadual Liceu Cuiabano (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Todos devem estar atentos a uma possível mudança no modelo das questões. É um alerta da professora de História Sandra Miriam Figueiredo, da Escola Estadual Liceu Cuiabano.

Ela acredita que não houve tempo hábil para mudanças na prova dentro dos novos moldes do governo federal, tendo em vista que a elaboração do texto acontece quase um ano antes da aplicação.

Porém, em alguns temas, o aluno deve ficar atento porque as questões que tinham como base a interpretação e desenvolvimento do senso crítico, podem ser substituídas por algo mais “mecânico”, como acontecia nos vestibulares anteriores.

Entre os assuntos que podem passar pelo filtro da nova abordagem estão os ligados a escravidão e ditadura. “Também não podemos descartar as correntes de revisionismo históricos que rondam a Educação atualmente”.

Para não perder a questão, o ideal é que o estudante também esteja atento a datas, nomes e o fato. Como nos modelos dos antigos vestibulares.

Química – IFMT

Claudia Joseph Nehme é professora de Química no Instituto Federal de Mato Grosso (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

A professora Claudia Joseph Nehme, do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), acredita que a vedete da prova será a tabela periódica, que este ano completa 150 anos.

“Eu ficaria muito decepcionada se não caísse nada a respeito”.

O que está na tabela, bem como a história dela devem estar presentes nas questões, por isso, é importante ler um pouco sobre a criação.

Na hora da prova, a professora alerta sobre a calma. Ela lembra que os exercícios, principalmente os de química orgânica, costumam parecer complexos no primeiro momento.

No entanto, basta o candidato ler com tranquilidade a questão para perceber que está dentro do conteúdo estudado.

Ela ressalta que muitas vezes o susto vem nas nomenclaturas e situações de uso.

Geografia – IFMT

Mauro Sérgio de França é professor de Geografia no Instituto Federal de Mato Grosso (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Distante de polêmicas. Assim o professor de Geografia Mauro Sérgio de França, do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), acredita que será a prova do Enem.

Ele argumenta que o atual governo, de ideologia neoliberal, vai “suprimir” questões ligadas a gênero e a pensamentos incompatíveis com as diretrizes da gestão.

Levando isso em consideração, o professor preparou uma lista de assuntos que, na avaliação dele, têm grande possibilidade de cair.

Geografia Física: mudanças climáticas (Acordo de Paris, Protocolo de Kyoto e as Conferências sobre o Meio Ambiente); classificação mais recente do relevo brasileiro; fusos horários e não adoção do horário de verão este ano no Brasil; uso da cartografia digital/sensoriamento remoto no mapeamento do espaço urbano/rural;

Geografia Humana e Geral: fluxo migratório Venezuela/Brasil; teorias demográficas com ênfase nas pirâmides etárias; Brexit; USMCA; Fontes de energias alternativas como matriz energética;

Geopolítica: curdos – maior nação sem pátria do mundo; avanço do conservadorismo/nacionalismo em países europeus e sul-americanos; guerra comercial EUA X China; a questão da Criméia; conflitos separatistas na Catalunha, Tibet e Hong Kong;

Geografia do Brasil e Atualidades: expansão das queimadas/desmatamento em 2019 em biomas brasileiros; IDH nos países e a evolução do Índice de Gini no Brasil pós crise econômica; importância geoestratégia do pré-sal na plataforma continental; balança comercial brasileira e sua dependência nas commodities; os meios de comunicação em massa nas relações espaço X sociedade.

Além do domínio do conteúdo, o estudante precisa ler atentamente as questões, alerta o professor. Principalmente, quando houve necessidade de interpretar tabelas, gráficos e quadros.

Redação – Escola Militar Tiradentes

Andreia de França Rosa Coelho é professora de Língua Portuguesa da Escola Militar Tiradentes de Cuiabá (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Para a professora de Língua Portuguesa da Escola Militar Tiradentes, Andreia de França Rosa Coelho, o tema saúde pública deve estar presente na redação deste ano do Enem.

Ela acredita ainda que assuntos como a resistência dos brasileiros à vacinação e o consequente ressurgimento de doenças que já haviam sido consideradas erradicadas do país, como é o caso do Sarampo, podem vir acompanhados da temática das fake news.

A atenção às notícias falsas, aliás, é uma dica que a professora dá a seus alunos na hora de pesquisarem sobre possíveis temas que possam cair na redação.

“Estamos vivendo um momento que temos vários temas em alta. Eles precisam filtrar bem as notícias para, no momento de escrever, ter domínio. Precisam aprender a filtrar e verificar se aquela informação é verídica ou não”.

Andreia lembra que o tema da redação costuma ser uma surpresa para todos, até para os professores. Então, também trabalhou com os alunos assuntos como depressão, meio ambiente e até economia.

Redação – Liceu Cuiabano

Jussara Marcolan Camões é professora de Português na Escola Estadual Liceu Cuiabano (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Nada de temas polêmicos para este ano. A professora Jussara Marcolan Camões acredita que a prova será elaborada com assuntos que estão em evidência, mas sem muita conotação política.

Ela defende que podem ser trabalhados tópicos como o consumismo, por exemplo. Conectando os conceitos as figuras atuais, como os digitais influencer.

“Eles estão nas novelas, na vida das pessoas e ditam as regras sobre o que comprar, vestir e comer”.

Jussara reforça ainda que os alunos devem ler as regras com atenção e sempre usando argumentos e prezando pela organização das ideias e objetividade.

Redação – IFMT

Edilson Serra é professor de Português no Instituto Federal de Mato Grosso (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Para o professor Edilson Serra, do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), o aluno bem preparado não precisa se preocupar com o tema. Ele relata que antes que qualquer coisa, é preciso ter em mente as competências avaliadas na prova.

A primeira delas é o uso da norma padrão e depois seguem a progressão textual, intertextualidade e repertório sociocultural, coesão e coerência e por último a proposta de intervenção.

Segundo Serra, o estudante deve escrever no mínimo 4 parágrafos. O primeiro com a introdução – apresentando o problema -, dois com desenvolvimento e o último com a intervenção.

O professor lembra que o parágrafo final deve responder as seguintes perguntas: o que eu proponho como solução? Quem fará? Como será? E, com que finalidade?

Com relação ao tema, Serra explica que o candidato deve identificar qual é o problema apresentado pelos textos.

Para este ano, os assuntos possíveis, na opinião de Serra, são “o decréscimo da imunização da população brasileira”; “os problemas trazidos pelo consumismo e a sustentabilidade”.

Nesse caso, o professor acredita que a palavra sustentabilidade pode aparecer como sinônimos por questões políticas.

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