O que pesquisadores polares e astronautas têm a ensinar sobre isolamento? Tudo!

Há anos, psicólogos estudam os efeitos do enclausuramento nas mentes desses profissionais e você pode ter todos os sintomas

(Foto: Pixabay)

Enquanto médicos e cientistas do mundo todo ainda se esforçam para entender os sintomas e como a covid-19 – doença causada pelo novo coronavírus – se manifesta no corpo humano, dois grupos de pessoas permitiram a outro tipo de médicos e cientistas entender, pelo menos, o que pode acontecer com quem “for pego” pelos efeitos colaterais do isolamento social, necessário nesse período de pandemia.

Separados por cerca de 400 quilômetros de distância (na vertical), pesquisadores que trabalham na Antártida e astronautas da Estação Espacial Internacional, há anos, são estudados por psicólogos engajados em entender o que a reclusão e o enclausuramento causam na mente de seres humanos.

Dois desses psicólogos, Larry Palinkas, da Universidade do Sul da Califórnia, e Emma Barrett, da Universidade de Manchester, falaram com o jornal El País sobre os sintomas mais comuns e o que esses seres humanos faziam para superá-los.

E praticamente tudo o que a maioria das pessoas isoladas pelo novo coronavírus têm relatado, já era conhecido: dores de cabeça, tédio, fadiga, menor motivação, maior apetite. Palinkas listou ainda irritabilidade – o que causa conflitos interpessoais – emoções negativas e até transtornos no sono e deterioração do rendimento cognitivo.

Transtorno do sono

Algumas pessoas, segundo o psicólogo, vão encontrar dificuldade para dormir, outras vão acabar dormindo por mais tempo.

O neurologista Hernando Pérez, especialista do Centro de Neurologia Avançada da Espanha, explicou à BBC News Mundo que a falta de sono pode ocorrer por dois motivos: menor exposição à luz solar e o fato de você estar menos cansado, já que passou mais tempo parado do que de costume.

Já as pessoas que acabam dormindo mais, conforme as explicações de Larry Palinkas ao El País, podem ter esse sintoma porque ele está atrelado a outro: o embotamento mental.

Embotamento mental

Conforme o psicólogo, trata-se de uma repentina dificuldade para lembrar de coisas e até de como executar certas tarefas. Ele chamou de “hibernação psicológica” e disse que ela é uma espécie de mecanismo de defesa do cérebro.

Neste caso, o “agressor” é o estresse crônico, causado pela ansiedade. O sintoma foi detectados em pesquisadores que trabalhavam na Antártida. Nas palavras de Palinkas, é como se o cérebro “se deixasse levar” ao invés de enfrentar uma situação. Assim, o corpo parece estar desacelerado e a mente apresenta sinais de uma pequena deterioração.

O que fazer?

Exercícios físicos foram sugeridos pelos especialistas ouvidos pelo El País. E de acordo com a reportagem, um estudo feito com oito pessoas que passaram 520 trancadas, em uma simulação do tempo de viagem da Terra a Marte, apontou que atividades de resistência, como correr ou pedalar são melhores opções do que exercícios de força.

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Outra sugestão adotada por estes mesmos “tripulantes” da simulada viagem espacial foi escrever. E aqui, vale mais uma ressalva. Os especialistas sugerem a escrita de cartas ou e-mails, ou seja, textos mais longos do que aqueles publicados nas redes sociais.

E pode parecer estranho, mas ter um lugar exclusivamente seu, onde você se sente confortável e fica isolado dos demais integrantes da sua “nave” ou “estação de pesquisa” também algo para se tentar.

Ao mesmo tempo, passar momentos com as outras pessoas que estão no mesmo ambiente que você, de preferência festejando algo, é outra iniciativa necessária. Conforme os psicólogos ouvidos pelo El País, reuniões assim promovem relaxamento e diversão.

Até porque o humor é um dos “sintomas” que podem se manifestar em pessoas enclausuradas. Pelo menos, foi o que mostrou um estudo com tripulações de submarinos de Israel.

O que aponta para algo com que se deve ter cuidado: o tom desse humor. Segundo Emma Barrett, o cinismo se manifestou mais fortemente entre os marujos, portanto, é preciso ter cuidado para que uma piada não seja motivo de conflitos com alguém.

Para ler a reportagem completa do El País, basta clicar aqui.

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