O obituário no jornalismo: livro explora as histórias de vida na imprensa brasileira

A obra contribui para as pesquisas sobre a produção jornalística, sobretudo as voltadas para as histórias de vida e jornalismo literário

(Foto: divulgação)

Registros de morte e crônicas de vida que dão forma e conteúdo à história social de uma nação. Assim são apresentados os obituários, tema central do livro lançado pelos pesquisadores Paulo da Rocha Dias, professor de jornalismo da UFMT, e Aparecido Santos do Carmo, jornalista e aluno de mestrado do programa de pós-graduação em Estudos de Cultura Contemporânea na mesma instituição.

Resultado de um projeto de pesquisa liderado por Paulo da Rocha, o livro “O obituário no jornalismo” é publicado pela editora Insular e desponta como uma relevante contribuição para as pesquisas sobre a produção jornalística, sobretudo aquelas voltadas para as histórias de vida e jornalismo literário.

O obituário tem a capacidade de levar para as páginas de jornais as trajetórias de todo tipo de pessoa e registrar o cotidiano das nossas comunidades. A partir dessas histórias de vida e de morte é possível identificar as transformações sociais ocorridas nos últimos tempos, bem como os valores compartilhados por todos nós que dizem se uma pessoa levou uma boa vida, se foi um herói ou um anti-herói, por exemplo”, explica o professor.

A partir da análise de dez anos de publicação da coluna “Mortes”, no jornal Folha de S. Paulo, bem como de textos veiculados em várias publicações do Brasil e do mundo em variados períodos históricos, os pesquisadores puderam construir uma genealogia robusta para o formato.

“Geralmente, os trabalhos sobre obituários indicam que o formato foi criado pelos jornais ingleses no século dezoito. Mas nós conseguimos apontar que ele existe na imprensa desde sempre, já existia no império romano, na pré-história do jornalismo, e estava lá no século dezessete, quando a prática jornalística tomou a forma como conhecemos hoje”, pontua Aparecido Carmo.

Muito popular no jornalismo de língua inglesa, o obituário voltou a ganhar destaque no Brasil nas páginas do principal diário impresso do país em 2007. Desde então são amplamente consumidos como uma forma de literatura popular.

“Os obituários atraem os leitores por causa da qualidade estética do texto, mais refinado e que permite ao repórter usar técnicas do chamado jornalismo literário. São relatos muito humanos que apresentam as peripécias e os dramas do cotidiano de pessoas comuns e desconhecidas para a maioria dos leitores do jornal”, conclui Paulo da Rocha.

Em razão da pandemia de coronavírus não será realizado evento de lançamento. O livro está à venda com os autores, além disso é possível obter mais informações sobre a obra no site do livro.

(Com assessoria)

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