O incentivo ao narcisismo e o fim da Família

Sem autocontenção e cosmovisão cristã, sobra a adoração a si mesmo e a perseguição ao máximo de prazer

A moda de alguns anos tem sido o tal do “amor próprio”, mas um amor que exclui o próximo e nos isenta de quaisquer obrigações. As pessoas deixam de se enxergarem como seres feitos à imagem e semelhança do Criador e amarem a Ele, para se enxergarem como deuses do mundo moderno.

Quando se retira o transcendental, sobra apenas um vazio existencial e o desconforto consigo, afinal, não há qualquer coisa além de si mesmo, sendo tudo de ruim que ocorre culpa justamente do próximo, ao invés de provações necessárias para a elevação e a santificação. Na impossibilidade de amar o próximo, e mesmo de amar a Deus, resta apenas amar a si mesmo, nutrir uma auto-adoração.

Casos como o do pequeno Riley, de apenas 3 anos, assassinado a socos pelo namorado da mãe, com conivência e proteção desta ao assassino. Kayleigh Siswick não levou o filho ao hospital para evitar a prisão do namorado, Kyle Campbell, e a criança morreu por rompimento do intestino, causado pelos socos de Kyle.

A mãe prefere o namorado assassino ao próprio filhinho de 3 anos. Nesses casos vemos a expressão máxima do narcisismo, esse auto-amor exacerbado tão incentivado pelos “intelectuais” e a grande imprensa – ambos progressistas. A expressão da felicidade total consistindo em colocar as paixões sensuais, os prazeres e os desejos acima da vida e das necessidades de todos os demais, principalmente dos filhos, é a ode ao narcisismo, e a regra dos moderninhos, sentimentalistas e justiceiros sociais. Eis o resultado dessa autocongratulação coletiva, para a qual importante é se sentir mal pelos “pobres e oprimidos” para se amar ainda mais por se sentir assim, enquanto desvaloriza a própria vida humana.

Essa mãe claramente enxergava o filho como um limitador de suas liberdades, um empecilho, uma pedra no caminho da realização de todos os seus desejos e paixões, por lhe imputar obrigações.

O mesmo é possível de afirmar quanto ao pai (Luke Morgan) e a mãe (Emma Cole) do bebê Tyler, sufocado até a morte quando tinha apenas 2 meses, pelo pai e a mãe, irritados porque o choro do bebê, que já tinha diversas outras lesões, interrompeu a relação sexual deles.

Novamente vemos na motivação uma histeria de alto grau por causa de frustração na realização de um prazer carnal. Conseguir fazer sexo é mais importante para esse casal do que a vida do próprio filho.

Realizar seus desejos egoístas parece estar no cerne da vida dessas pessoas, sendo quaisquer limitações vistas como causa de suas frustrações, infelicidade e como inimigas a serem eliminadas – afinal, do contrário teriam que pensar se a causa está relacionada a outros fatores, aos resultados de suas próprias escolhas, assumindo a responsabilidade por essas conseqüências, mas será que alguém que não suporta sequer a interrupção do sexo pelo choro do filhinho é capaz de lidar, e principalmente de aceitar, as responsabilidades pelas próprias escolhas e pelos problemas e infelicidade causados por ele próprio?

Ambos os casos ocorreram na Inglaterra, que no momento parece ser o modelo supremo da sociedade narcisista e o maior exemplo das perniciosas conseqüências que ela gera, como há anos que demonstra o Dr. Anthony Daniels (Theodore Dalrymple), psiquiatra por décadas em presídios e hospitais públicos, além de dezenas de missões humanitárias por todos os continentes.

Sem autocontenção e cosmovisão cristã, a partir da qual somos todos irmanados da mesma fé, que temos a mesma origem e devemos nos amar uns aos outros, sobra a adoração a si mesmo e a perseguição ao máximo de prazer que pudermos obter, porém, sempre seguido por melancolia, advinda daquele vazio que jamais poderemos preencher, apenas disfarçar ou tentar esquecer com mais e mais prazeres desenfreados e descontrolados, rumando para a autodestruição e o fim de todas as relações possivelmente saudáveis e da própria instituição da Família, último bastião dos princípios e valores que incutem a autocontenção e a moral necessária ao exercício desta e do amor ao próximo.

Ora, se tudo o que importa somos nós mesmos, como formar famílias? Como abrir mão das superficialidades e vícios que nos escravizam, e assumir obrigações com terceiros? O narcisismo, romantizado e propagandeado como o supra-sumo do viver, está destruindo não apenas os narcisistas, mas ameaçando toda a nossa Civilização.

Publicado originalmente na Gazeta Conservadora

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