O Brasil caiu! E pode continuar caindo

Uma banda podre não está instalada apenas no Executivo e no Legislativo. Está também no Judiciário

(Foto: Montagem/O Livre)

A tentativa  da soltura do ex-presidente Lula, através de uma manobra sórdida levada a efeito por três parlamentares do PT, em conluio com um desembargador de estatura moral diminuta, um tal de Favreto – ex-funcionário do PT e ex-assessor de Toffoli na Casa Civil quando José Dirceu era o Ministro Chefe da pasta e levado à condição de juiz pela ex-presidente Dilma – de plantão no TRF-4, no último domingo, fez com que, de repente, parecesse que a nossa desclassificação na Copa fosse coisa de um passado distante. A derrota para Bélgica logo caiu no esquecimento. O assunto das redes sociais mudou como num passe de mágica. Além da preocupação da grande maioria brasileira, a discussão que só foi encerrada no início da noite, após o Presidente daquela Corte de Recursos,  determinar que se encerrasse a brincadeira, que o processo fosse devolvido ao Relator e que – o melhor de tudo – Lula permanecesse na cadeia.

A situação expôs um Judiciário fraturado, aparelhado, onde a divisão começa na Suprema Corte e chega, por conseguinte, nas instâncias inferiores. Ora, se aqueles que deveriam ser os Guardiões da Constituição, decidem não como magistrados e sim como fiéis seguidores de um criminoso condenado e preso por ter infligido ao país o maior nível de corrupção da sua história, desrespeitando as decisões do Plenário, resta apenas a reação do cidadão, como ocorreu no domingo, mostrando toda sua repugnância e inconformismo através das redes sociais. Não foi desta vez que conseguiram subverter a ordem e colocar nossa frágil democracia em risco.

A manobra foi milimetricamente planejada e com a certeza de sucesso. A mente diabólica por trás de tudo era ninguém mais que o velho conhecido José Dirceu, que tirado detrás das grades por decisão da Segunda Turma do STF, com votos de Dias Toffoli – relator – acompanhado do Gilmar Mendes e Lewandowski, após condenação em segunda instância a mais de trinta anos de prisão. A certeza da soltura era tanta que José Dirceu gravou um vídeo divulgado nas redes sociais comemorando antecipadamente a vitória que, graças à intervenção do Presidente do TRF-4, Desembargador Thompson Flores, não chegou a acontecer.

Toda essa operação mostrou à sociedade que uma banda podre não está instalada apenas no Executivo e no Legislativo. Está também no Judiciário, lamentavelmente. Pior ainda quando se sabe que esse mesmo Toffoli poderá assumir interinamente a Presidência do STF, interinamente, uma vez que a Ministra Carmem Lúcia responderá pela Presidência da República por viagem do Presidente Temer ao exterior. Na presidência do Supremo poderá acolher monocraticamente qualquer liminar que lhe chegar às mãos, inclusive uma requerendo a liberdade de Lula. O prazo já está demarcado: entre 23 e 27 de julho próximos. Já em setembro, Toffoli será o Presidente do STF por um período de dois anos e aí mora o perigo.

Em 7 de outubro, a menos de 90 dias, teremos a oportunidade real de começar a mudar tudo isso com a única, mas poderosa, arma de que dispomos: o nosso voto. É a grande chance de renovar, de fato, os principais postos de comando do nosso país. Eleição não é uma “ação entre amigos”, é a oportunidade que nos é dada para reconduzir quem fez por merecer e de mandar para casa, definitivamente, aqueles que usaram o mandato que lhes foi outorgado de forma inversa aos compromissos assumidos.

Aqui, na terra de Rondon, o quadro da disputa já está quase concluído. Com os prazos quase esgotados, há movimentação intensa de bastidores com mudanças de lado a lado a todo instante. Já, já teremos a consolidação dos partidos e saberemos quem caminhará ao lado da reeleição do Governador Taques, ou do ex-prefeito da capital, Mauro Mendes, ou do Senador Wellington Fagundes. Ninguém disse, até agora, o que pretende, de fato fazer, mas o cardápio já está sendo finalizado. A partir daí, cada eleitor poderá escolher o prato a degustar. Se nos omitirmos, ou a escolha for mal feita, é possível que tenhamos uma indigestão e mais quatro anos serão necessários para expiar o nosso arrependimento e torcer que na próxima eleição tudo dê certo, como o sonho do hexacampeonato que não veio.

O caldeirão político já está fervendo e a semana promete grandes definições. É aguardar para ver.

Advogado, analista político e ex-parlamentar estadual e federal

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