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Número de membros do Comando Vermelho cresceu 700% em Mato Grosso

Foto de Lázaro Borges
Lázaro Borges

O número de integrantes do Comando Vermelho em Mato Grosso cresceu mais de 700% desde o ano de 2014, quando a Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) deflagrou a Operação Grená que indiciou 290 membros. Na época, calculava-se cerca de 400 membros dentro da facção, hoje o número é de 3500 faccionados.

Na opinião daqueles que trabalham no combate ao crime organizado, a explicação para o aumento no número de integrantes da facção está no sistema penitenciário de Mato Grosso, que ainda não é capaz de atender as exigências.
Durante a Grená, os investigadores entenderam que a melhor forma de desmantelar o grupo seria transferindo os líderes presos da organização para prisões federais. Por questões burocráticas, as transferências foram paralisadas e os detentos foram remanejados para outras prisões estaduais no interior.

“Os faccionados chegavam no interior e faziam a cabeça dos outros presos e iam filiando gente. Por isso hoje é difícil uma cadeia no estado que não tenha membros do Comando Vermelho”, contou João Batista, ex-chefe dos agentes da Penitenciária Central do Estado (PCE).

As filiações também ocorrem na marra dentro das prisões: jovens detidos por pequenos crimes, normalmente tráfico de drogas, são filiados em troca de proteção dentro da cadeia. Em troca, eles são eventualmente escalados para cometer crimes quando libertados.

Atualmente, a facção tem um núcleo firme de comando, intitulado “Conselho Final”. O grupo é composto por pelo menos oito membros. A liderança principal, apontado por muitos como “criador” da organização, é Sandro da Silva Rabelo, conhecido como “Sandro Louco”.

“O que se conta é que o Sandro teve contato com o Fernandinho Beira-Mar em uma prisão federal no Rio Grande do Norte. Lá ele aprendeu sobre o Comando e quando voltou para Mato Grosso conseguiu convencer o PCC a não filiar mais ninguém e criou a versão mato-grossense da facção”, comenta Flávio Stringuetta, que liderou os trabalhos da Operação Grená em 2014.

Soluções

Na opinião de Stringuetta e Batista, os investimentos no sistema prisional não acompanharam os investimentos feitos na Segurança Pública desde o início da gestão Taques. O orçamento previsto para Secretaria de Segurança Pública (Sesp) este ano é de R$ 34.223.977,28, enquanto o valor a ser empregado na Secretaria de Justiça e Direitos Humanos, pasta responsável pelas penitenciárias, é de R$ 3.205.350,00.

Em 2016, ano da primeira previsão orçamentária feita pela gestão atual, o orçamento da Sejudh era de 18.724.044,28. Em 2017, o valor caiu para 14.683.203,57 até chegar nos três milhões atuais. A redução total do valor previsto foi de 80%.

“Não é só investimento na polícia. Nossa polícia investigativa hoje é muito boa. Quando você aumenta a polícia aumenta preso, se você não aumenta vaga nem pessoal para fiscalizar a tendência é prender e soltar. E gera esta sensação de impunidade”, diz João Batista.

Para Stringuetta, o primeiro investimento a ser feito é na aquisição de um sistema eficiente de bloqueadores de celulares. “É mais perigoso um preso com um celular do que um preso com uma arma. O alcance do que pode ser feito com um celular é muito maior”, afirma o delegado.

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