Número de infectados pode ser seis vezes maior, mas não no país inteiro

Pesquisa da Universidade de Pelotas apontou que existe subnotificação, mas que as diferenças entre as regiões do país impactam a "velocidade" do coronavírus

(Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

O estudo sobre a covid-19 coordenado pela Universidade Federal de Pelotas (Ufpel) e que gerou polêmica em Mato Grosso – quando pesquisadores foram presos enquanto faziam seu trabalho – apontou que o número de infectados pelo novo coronavírus no Brasil pode ser seis vezes maior do que as estatísticas oficiais apontam.

Segundo os dados, em apenas duas semanas, a quantidade de pessoas que desenvolveram anticorpos para a doença subiu 53%. Isso quer dizer que estas pessoas estavam ou foram contaminada com o coronavírus, ainda que – eventualmente – não tenham desenvolvido sintomas.

LEIA TAMBÉM

“Esse aumento lança um alerta sobre a velocidade com que a doença continua se espalhando pelo Brasil. Somos, hoje, o país em que a covid-19 se expande de forma mais acelerada em todo o mundo”, disse o coordenador geral do estudo e reitor da UFPel, Pedro Hallal.

Na Espanha, um estudo semelhante indicou um aumento de apenas 4% na quantidade de pessoas que desenvolviam os anticorpos no espaço de tempo (duas semanas).

Dados da pesquisa

A pesquisa considerou 83 cidades em que foi possível testar e entrevistar pelo menos 200 pessoas nas duas fases do estudo. Entre as Capitais, somente Curitiba ficou de fora da base de comparação.

A primeira fase da pesquisa foi realizada entre os dias 14 e 21 de maio. Fizeram o teste e foram ouvidas cerca de 25 mil. Em 90 cidades do país, os pesquisadores conseguiram coletar dados de, pelo menos, 200 participantes.

(Foto: Divulgação)

Na segunda fase, entre os dias 4 e 7 de junho, 31 mil testes e entrevistas foram feitos. O número de cidades em que se conseguiu o mínimo de 200 participantes chegou a 120.

Entre essas cerca de 31 mil pessoas, foram identificados os anticorpos para a covid-19 em 2,8%. Como essas 120 cidades representam pouco menos de 33% da população do país – aproximadamente 68,6 milhões de pessoas – os pesquisadores chegaram a estimativa de que de 1,9 milhão de brasileiros podem ter contraído o novo coronavírus.

Na véspera do início da segunda etapa do estudo, essas 120 cidades contabilizavam 296,3 mil casos confirmados da doença, ou seja, para cada paciente oficialmente diagnosticado, outros seis poderiam estar infectados sem saber. 

Realidades diferentes

Mas os próprios pesquisadores ressaltam que o estudo não deve ser usado para estimar a taxa de contaminação de todo o país. Isso porque as cidades escolhidas para os testes são as mais populosas de suas regiões.

Em locais com densidade demográfica menor, é possível que a doença não tenha se espalhado tanto, o que tem um impacto considerável quando é levado em conta o tamanho do país.

Na Região Sul, por exemplo, nenhuma cidade apresentou mais que 0,5% da população como possivelmente infectada. E na Região Centro Oeste, só três cidades superaram essa marca: Brasília, Cuiabá e Luziânia (GO).

A reportagem da Agência Brasil não especificou o percentual de possíveis infectados em Cuiabá, apontado na pesquisa. Mas se for considerado o valor de 0,5% citado acima, significa dizer que, no lugar dos 1.942 infectados em Cuiabá – segundo dados da Prefeitura divulgados nesta sexta-feira (12) – pouco mais de 3 mil pessoas podem estar carregando o vírus neste momento na Capital.

Uma realidade bem diferente de cidades das regiões Norte e Nordeste do país. Lá, segundo os pesquisadores, estão os cenários epidemiológicos mais preocupante do Brasil.

Em Boa Vista – Capital de Roraima -, por exemplo, a proporção da população que tem ou já teve coronavírus foi estimada em 25%, ou seja, um de cada quatro habitantes da cidade.

Das 10 capitais com percentuais mais altos da população com anticorpos – uma variação que vai de 5,4% até 25,4% – quatro são da Região Norte (Boa Vista, Belém, Macapá e Manaus), cinco são da Região Nordeste (Fortaleza, Maceió, São Luís, João Pessoa, Salvador) e uma do Sudeste (Rio de Janeiro).

(Com informações da Agência Brasil)

Use este espaço apenas para a comunicação de erros





Aceito que meu nome seja creditado em possíveis erratas.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigo anteriorBandas de MT se juntam a grupos de outros Estados em festival de musica alternativa
Próximo artigoOportunidade perdida?