Novos advogados falam dos desafios e expectativas da profissão

No Dia dos Advogados, o LIVRE quis saber mais sobre essa carreira tão desejada e concorrida

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Ela está no topo da lista das profissões mais desejadas por quem ingressa em uma faculdade. Recentemente se tornou alvo de polêmica por conta do Exame da Ordem. E, neste domingo (11), quem a escolheu tem um dia a comemorar: o Dia do Advogado.

Para entender o que tanto chama atenção nesse ramo, o LIVRE resolveu ouvir jovens advogados sobre o que eles acham da profissão e quais as expectativas com o futuro para quem atua no setor público, como empregados ou como profissionais liberais.

Concursados

Déborah Ribeiro de Carvalho tem 23 anos e decidiu cursar Direito aos 10, depois de ver uma reportagem na TV. Ela quer ser juíza, mas ainda não chegou lá. Hoje é procuradora do município de Alto Garças

Déborah Ribeiro de Carvalho teve uma jornada difícil no curso de Direito. “Sempre trabalhei fora, desde os meus 12 anos. Corria para casa, tomava um banho, pegava o transporte. Depois da aula, chegava meia-noite. Foi assim até o quinto semestre”, ela lembra.

A cidade que morava era pequena e Déborah não teve contato com a profissão. No meio do curso, sua família decidiu morar em Cuiabá, o que a fez notar que o ritmo era bem diferente.

“Não sei, se por ser Capital, mas o ritmo de estudo era mais intenso. Era uma pressa por conhecimento e por vivência”, conta.

Na Capital, foi a primeira vez que conseguiu trabalhar na área escolhida. A dedicação a levou ao cargo de assessora da Defensoria Pública da União (DPU).

Déborah passou de primeira no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), antes mesmo de terminar a faculdade. Ainda no serviço público, virou assessora do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e passar no primeiro concurso público, depois de três tentativas.

“Hoje, meu trabalho é muito gratificante, me sinto trabalhando pelo bem da cidade toda. Fico feliz. Faço os apontamentos que são necessários e estamos conseguindo fazer tudo dentro do prazo”, destaca.

Sua perspectiva é de que as coisas melhorem mais. Se aperfeiçoando, ela deseja que a cidade seja um exemplo, modelo de administração, independente do prefeito escolhido.

“Toda vez que tenho um entrave e uma questão para resolver eu penso nessas pessoas que estão me remunerando. Minha mensagem final é alinhar a vontade e o nosso gás de transformação com as possibilidades, quando a gente faz isso, muda uma coisa de cada vez e consegue bons resultados. Um dos fatores do Direito que não me deixa desanimar é de que estamos caminhando para o melhor”.

Iniciativa privada

Advogada trabalhista, Lindyellen Magalhães, 24 anos, atua em uma empresa de transporte. Para ela, o sonho de ser advogada veio no ensino médio. Ela foi selecionada para cursar Direito com uma bolsa de 100% e economizou quase R$ 100 mil (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Lindyellen Magalhães também foi aprovada no Exame da Ordem antes da formatura. E o contato mais a fundo com a profissão aconteceu em um estágio em uma delegacia.

“O Direito é algo apaixonante. Você tem a possibilidade de ver a Justiça sendo feita e beneficiando alguém que poderia estar à margem da sociedade”, conta.

Hoje, Lindy, como gosta de ser chamada, trabalha em uma empresa privada, fazendo a  defesa em processos trabalhistas e ações civis.

“No Direito, você entende que toda história tem, ao menos, duas versões. Ajudar a mostrar isso e ver a justiça sendo feita é algo que me motiva a continuar”.

Sobre o futuro da profissão, ela vê uma mudança de rumos e os novos profissionais seguindo para o empreendedorismo. “Mas, ainda assim, a profissão de advogado vai sobreviver para ajudar a relação de consumidor e empreendedor”, avalia.

Profissional liberal

Erick Rafael da Silva Leite, 31 anos, começou o curso de Direito depois de tentar outras cinco faculdades: Administração, Ciências da Computação, Publicidade, Gestão Empreendedora e Gestão em Marketing. Hoje, atua como advogado (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Erick Rafael da Silva Leite conta que quando sentou na cadeira da faculdade de Direito sentiu que era aquela profissão que queria para sua vida: ser advogado. Uma sensação que ele não havia experimentado nas cinco tentativas de curso de graduação anteriores.

Ele não quis perder tempo e logo começou em um estágio. No entanto, a rotina de estudos era intensa.

Pai de uma criança pequena, ele lembra dos dias e noites cuidando do filho e lendo um livro ao mesmo tempo. Tudo para conseguir passar no temido Exame da Ordem, que ele também superou antes da formatura.

Ele diz que, assim como em outras profissões, há frustrações e adversidades, mas que “cada queda é um motivo de recomeço”. Hoje, ele tem seu escritório próprio e, com o dinheiro que ganhou, já conseguiu abrir uma loja para a esposa.

“Aquilo que perdemos nos tempos de faculdade, estamos reconstruindo agora. Sempre tive fé que seria dessa forma”, ele diz, destacando que todo estudante de Direito, será eternamento um estudante de Direito, já que as leis são dinâmicas.

Prática jurídica

Para que o jovem advogado aprenda a prática da advocacia, a OAB-MT oferece um curso de formação a quem acabou de passar no Exame (Foto: divulgação)

Coordenador da comissão da jovem advocacia da OAB-MT, Pedro Henrique Marques sustenta que o mercado não está saturado. Segundo ele, há espaço para todos e os bons profissionais tendem a se sobressair.

Para ajudar nos primeiros passos, há um curso de iniciação à advocacia. Nele, o jovem advogado aprende práticas em Direito Penal, Cível e Trabalhista.

O curso ajuda também na oratória e na persuasão que o trabalho exige. De acordo com Marques, o próximo passo é montar um banco de talentos para que os grandes escritórios encontrem jovens advogados habilitados a exercerem a profissão.

“Sem advogado não há justiça, não há uma sociedade civil organizada. Vejo que temos muito ainda para conquistar, mas estamos no caminho certo”, diz.

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