|Quarta-feira, 23 maio 2018

    Novo método de plantio de milho reduz custos mantendo produtividade

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    Reduzir a adubação com base hidrogenada em até 25% sem perder a produtividade no cultivo do milho. Esse é o desafio proposto por um estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) sediada em Sinop. O trabalho vem sendo conduzido em parceria com a Aprosoja e os ensaios estão sendo montados em fazendas em Santa Carmem, Ipiranga do Norte e Brasnorte, além de Sinop, onde está o Centro de Pesquisa da Embrapa.

    De acordo com o pesquisador Anderson Ferreira, além dos custos de produção serem reduzidos com o novo método, o impacto ambiental é significativo.

    “O adubo hidrogenado vem do petróleo. Se reduzirmos a dose em 25%, consequentemente, é possível diminuir as emissões de gases causadores do efeito estufa, como o óxido nitroso. Já para o produtor, a conta é simples: se ele usa 200 kg de ureia por hectare, gasta cerca de R$ 300. Ao reduzir 25%, ele economiza R$ 75, enquanto gasta somente de R$ 7 a R$ 10 com inoculante por hectare. Isso sem contar a economia com transporte, armazenagem e aplicação”, destaca Anderson Ferreira.

    O pesquisador explica ainda que nesta safra estão feitos ensaios de validação do uso de inoculantes de Azospirillum na cultura do milho. Assim como a aplicação Rhizobium na cultura da soja (usado comumente), a bactéria Azospirillum é capaz de captar o nitrogênio da atmosfera e transformá-lo em nitrogênio assimilável pelas plantas, num processo natural chamado de fixação biológica de nitrogênio (FBN). Diferentemente da cultura da soja, que é uma leguminosa, na qual é possível suprimir totalmente a adubação nitrogenada, nas gramíneas a associação feita não gera nutriente suficiente para a planta.

    Outro ponto destacado pelo pesquisador da Embrapa é que nas pesquisas feitas, percebeu-se que o efeito de fixação biológica de nitrogênio pelo Azospirillum é menor quando são usadas altas dosagens de adubação. Na medida em que se reduz essa disponibilidade de nutriente, percebe-se maior efeito da inoculação. Porém há um limite nessa redução para que não haja perda de produtividade.

    “Se há grande disponibilidade de nitrogênio, a planta não vai querer se associar com a bactéria e ceder parte de sua energia a ela. Agora, com menos nitrogênio no solo, a associação entre planta e bactéria se intensifica, gerando o maior benefício”, explica Ferreira.

    O pesquisador lembra ainda que o método está sendo acompanhado para que não haja erros na implantação e distorções nos resultados.

    “Às vezes o produtor acaba fazendo o chamado ‘sopão’ (mistura indiscriminada de diversos produtos) para adubação da propriedade, e ainda com defensivos. Isso prejudica o processo e pode até matar o adubo, que é um organismo vivo. Então é preciso que a aplicação seja feita corretamente”, pondera.

    Para validar as informações, em cada uma das fazendas serão comparados talhões com e sem uso de inoculantes, com quantidades de 100%, de 75% e 0% da adubação nitrogenada recomendada.

    Nesta fase da pesquisa, a validação nas fazendas será feita durante dois anos. A expectativa é que na safra 2018/2019, o trabalho também seja feito nas regiões leste e sul de Mato Grosso, de forma a contemplar as principais regiões produtoras do estado. Ao fim do trabalho, espera-se ter elementos suficientes para poder recomendar aos produtores de milho.

    Crescimento de raiz
    Além da fixação biológica da nitrogênio, o Azospirillum traz outro importante benefício às plantas. Pesquisas realizadas pela Embrapa mostraram que essa bactéria estimula a produção de hormônios de crescimento, sobretudo de raiz. Com maior volume de raiz, as plantas têm melhor capacidade de absorção de nutrientes, resistindo melhor a veranicos e outras adversidades.

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