Nova Santa Casa reabre na próxima segunda-feira e vai atender por agendamento

Pelo menos 30 meses ainda serão necessários até que se alcance o formato ideal, disse secretário

(Foto: Suellen Pessetto/ O Livre)

Finalizadas as etapas de aparelhagem e manutenção, a Santa Casa de Misericórdia, agora administrada pelo Governo de Mato Grosso passa a se chamar Hospital Estadual Santa Casa e volta a atender a população na próxima segunda-feira (29).

A unidade – até então filantrópica – estava fechada desde março deste ano devido à suspensão das atividades pelos profissionais que estavam com salários atrasados há quase um ano.

“Nossa equipe já está planejando as primeiras cirurgias eletivas e recepcionaremos os pacientes de Pronto Atendimento em Pediatria, de UTIs [Unidades de Terapia Intensiva] e para os tratamentos de oncologia e nefrologia”, afirmou o secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, em visita guiada para a imprensa nesta segunda-feira (22).

Ele explicou que o regime será de agendamento. “Não é um hospital de porta aberta, onde o paciente sente um desconforto e corre para cá”, ressaltou o gestor.

Reforma

(Foto: Suellen Pessetto/ O Livre)

De acordo com Gilberto Figueiredo, com a intervenção estadual foram investidos cerca de R$ 1,5 milhão nas reformas. “Tudo que existia aqui foi abarcado: móveis, equipamentos e prédio”, afirmou. Por isso, o Estado está indenizando o hospital em R$ 360 mil por mês.

O secretário explicou que, para uma reestruturação ideal, serão necessários cerca de 30 meses.

“Nós não poderíamos reabrir o hospital nas condições em que o recebemos, seria uma irresponsabilidade. Para fazer uma reforma completa, serão destinados, ainda, cerca de R$ 80 milhões”, afirmou.

Por enquanto, serão feitas apenas manutenções que viabilizem o funcionamento. A intenção do governo seria investir em “algo novo, dentro das concepções modernas”.

“Esse hospital foi construído há 200 anos e desde então vem sendo remendado. Isso aqui é um labirinto de sobe e desce, que não atende a maioria das normas de acessibilidade. O melhor dos mundos, se nós fossemos buscá-lo, nós não abriríamos esse hospital. Teria que derrubá-lo e construir outro. Ainda há deficiências que ao longo do tempo vamos corrigindo”, complementou.

Déficit de leitos

(Foto: Suellen Pessetto/ O Livre)

Conforme Gilberto Figueiredo, a reabertura da Santa Casa não resolverá completamente o déficit de leitos em Mato Grosso.

“Nós precisamos de quase 500 UTIs no Estado para suprir toda densidade populacional. Esta é uma iniciativa necessária que ameniza o problema, mas não resolve a questão da saúde”.

Funcionários

Gilberto Figueiredo não quis comentar os imbróglios da antiga gestão em relação a dívidas e salários atrasados.

“Não cabe ao governo do Estado fazer qualquer investigação sobre a gestão da sociedade beneficente. Nós estamos preocupados em fazer funcionar o hospital”, disse.

De acordo com o secretário, 120 servidores que já trabalhavam na Santa Casa foram recontratados pelo governo.

“O Estado tem uma característica de gestão própria. Quando selecionamos profissionais para trabalhar aqui, nós buscamos aqueles que tinham aderência e convergência ao que o Estado poderia pagar e àquilo que eles queriam receber. As áreas que não são prioritárias nós trabalhamos com pessoa jurídica, mas nunca teremos 600 servidores como antes”.

Nova gestão estatal

Os recursos para manutenção da “nova” Santa Casa agora virão de fontes estadual e federal, através do Sistema Único de Saúde (SUS). A previsão do custo mensal é de R$ 13 milhões a 15 milhões.

“Isso vai acontecer paulatinamente, à medida que ele vai entrando em operação”, afirmou Gilberto Figueiredo, durante entrevista coletiva.

Conforme o secretário, para a reforma também foram realizadas campanhas de arrecadação, coordenadas pela primeira-dama do Estado, Virgínia Mendes. Os recursos e as doações captados de empresas e sociedade civil foram revertidos na aparelhagem de três brinquedotecas. A intenção é continuar trabalhando com voluntariado para a captação de recursos.

“Esse hospital já tinha antes um grupo voluntário que trabalhava na captação de recursos. Eles continuam atuando e são bem-vindos. Já está programada uma festa julina com objetivo de arrecadar fundos para aquisições necessárias. Mas todos os entes que quiserem contribuir, o hospital estará de portas abertas para receber essas doações”, afirmou.