Nova Santa Casa de Cuiabá: devagar, quase funcionando

Apenas 23 dos 242 leitos foram ocupados em 12 dias

Reportagem ficou no local por 2 horas e nenhuma ambulância chegou neste período (Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

Somente 9% dos leitos do Hospital Estadual Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá estão ocupados, 12 dias após a reinauguração da unidade. As internações seguem em ritmo lento e, na recepção, os funcionários se mantêm ociosos.

Nesta quinta-feira (1º), a reportagem do LIVRE esteve no local por duas horas e, nesse período, nenhum carro trazendo paciente se aproximou e até o movimento de acompanhantes era raro.

Os que se aproximavam em busca de informação, ou estavam passando mal, e buscavam socorro, ou queriam saber se o procedimento marcado antes do fechamento da unidade seria realizado.

Em ambas as situações, as respostas não eram positivas. Edilene Cristiane, por exemplo, queria saber a situação da cirurgia da filha dela, de 3 anos.

Edilene Cristina descobriu que filha saiu da fila de cirurgia e precisará voltar ao posto de saúde para pegar novo encaminhamento (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

A criança aguarda para tirar duas hérnias que tem na barriga. Depois de fazer todos os exames, precisava apenas fazer um retorno, agendado para o período de paralisação das atividades do hospital, para marcar o procedimento.

Na recepção, Edilene foi informada de que terá que retornar ao posto de saúde e recomeçar todo o processo. “Tenho que marcar uma nova consulta, depois fazer os exames e esperar um novo encaminhamento. Não sei quanto tempo vai demorar”.

Enquanto isso, a mãe relata que a menina reclama de dores constantes e precisa ser vigiada, porque não pode fazer muito esforço e nem brincar.

Emergência

Já Joselaine Cristina Rodrigues saiu da unidade revoltada. Ela está na fila para fazer uma cirurgia de vesícula há 3 anos. Sente muitas dores e não sabe mais o que fazer.

Com a ajuda de parentes, conseguiu uma vaga para fazer o procedimento no Santa Helena, porém não conseguiu pegar o encaminhamento, que está na Santa Casa desde antes da greve dos funcionários.

“Eu fiz todos os exames particulares na época. Estou sempre passando mal. Vivo em farmácia para tentar diminuir a dor e conseguir esperar. Agora, venho aqui passando mal e eles me mandam para o Pronto-Socorro”.

Joselaine Cristina chegou ao local reclamando de muita dor e não obteve atendimento (Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

Entenda o caso

O hospital, que tinha caráter beneficente, foi fechado em 11 de março deste ano, por causa de uma grande crise financeira. Na ocasião, não havia recursos sequer para pagar os funcionários, que estavam em greve.

Em maio, o Governo de Mato Grosso assumiu a unidade, promoveu a reforma e a reinauguração do espaço foi na quinta-feira (22), com a presença do governador Mauro Mendes e do ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta.

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Outro lado

A diretora do Hospital Estadual Santa Casa de Misericórdia, Daniela Carmona, afirma que a unidade está funcionando normalmente. Ela assegura que, dos 242 leitos, 23 estão ocupados.

Diretora do hospital, Daniella Carmona, assegura que funcionamento está seguindo etapas do plano de ação(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

Do total, 13 são pacientes de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), sendo 5 adultos, 5 pediátricos e 3 neonatal. Outros 10 são crianças, das quais 6 estão na ala oncológica, 2 na clínica, 1 no pronto-atendimento e 1 no centro cirúrgico.

Carmona explica que os encaminhamentos estão sendo realizados conforme o plano de ação da unidade. Nele, o prazo para o funcionamento com toda a capacidade é dia 31 deste mês.

Na atual fase, a diretora explica que os esforços estão concentrados nos setores de urgência e emergência. Também ressalta que o Pronto-atendimento infantil está funcionando.

Nota oficial

Por meio meio de nota oficial, a Secretaria de Estado de Saúde justificou o cancelamento dos encaminhamentos anteriores a reforma. Leia nota na íntegra:

A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) esclarece que o Hospital Estadual Santa Casa configura uma nova personalidade jurídica, logo, todos os encaminhamentos que são anteriores à reabertura da unidade deverão passar novamente pela Central de Regulação.

Entretanto, este fato não quer dizer que os pacientes que já foram regulados para a antiga Santa Casa voltarão automaticamente para o final da fila de espera, pois, neste processo, será avaliado o grau de urgência de cada um dos casos.

A SES-MT ainda enfatiza que o Hospital Estadual segue criteriosamente o seu cronograma de reativação, que prevê o funcionamento total da unidade para daqui a 30 dias. Também é importante reforçar que o hospital atende prioritariamente às demandas de alta complexidade, fato que impacta em sua logística, já que todos os procedimentos são previamente agendados. Por tais razões, não é eficaz uma avaliação pautada apenas na movimentação ou na lotação dos leitos da unidade hospitalar.

(Atualizada em 05 de agosto)