Nós, os esteios

Falar sobre os desafios de uma mulher em conciliar os diferentes papéis que precisa desempenhar na sociedade não é novidade nenhuma. Todas nós sabemos disso muito bem e na prática. Vivenciando esses desafios de conciliação dos vários papéis, relembrei de uma conversa com o meu avô.

O “Seu” Armênio era brincalhão, meio bruto e sem meias palavras, mas ao mesmo tempo e do seu jeito, acolhedor. Certa vez ele me disse que a mulher era o esteio da casa e que eu deveria me lembrar disso. Na minha imaturidade e pensamento rebelde, concluí naquela época que meu avô estava imaginando a minha vida dedicada apenas à casa e aos filhos, que eu ainda nem os tinha (nem a casa, nem os filhos).

Com o passar dos anos e sem me lembrar da conversa com o meu avô, passei a ser a figura de apoio e confiança aos meus filhos, ao meu marido, sem contar que além da casa, marido e filhos, eu também tinha um escritório, clientes, amigos, colaboradores, família.

Muito além do estereótipo negativo ou reducionista que possa ter ou parecer, cada olhar passa pela lente de suas crenças e de seus julgamentos; na minha, percebi que o alicerce é a parte mais forte e importante de uma construção e quem sabe era exatamente isso que “Seu” Armênio estava falando? Mas em nossa capacidade de conciliar, podemos também edificar, crescer, desenvolver.

Neste mês em que comemoramos o Dia das Mulheres te pergunto: qual o seu papel no mundo? E ouso te responder que em algum momento você desempenhará o papel de esteio. Antes que me critiques como eu ao meu avô, digo que esta palavra no dicionário quer dizer amparo, sustentáculo. Pode ser que você já seja o esteio financeiro, afetivo, estratégico, operacional, logístico, intelectual e sei lá quantos outros possam existir, você tem e terá sempre o meu respeito.

Nesses tempos de pandemia, percebemos que também nos tornamos esteio umas das outras, compartilhando experiências, muitas vezes dolorosas, trágicas, acolhendo, incentivando, auxiliando, buscando saber como a outra está, sendo o apoio em nós e para nós, cuidando dos filhos ou fazendo compras para aquelas que necessitam, ou simplesmente fazendo uma oração ou emanando vibrações positivas. Descobrimos ainda que podemos ser o nosso próprio esteio quando ninguém o fizer e nos permitir receber apoio quando precisar. Tempos difíceis, tempos de transformação, de autotransformação, mas também de cooperação, de solidariedade, de sororidade.

Na carreira e no trabalho, quantas de nós são este alicerce, a ponta firme da empresa ou do escritório? Mesmo com todos os desafios de home office, ou o constante receio e risco de nos contaminarmos nos trabalhos presenciais, ainda assim avançamos, lindas, arrumadas, ou descabeladas e não maquiadas. Perseveramos.

E apesar de tudo que passamos, ainda estamos aqui e sempre estaremos, com reconhecimento ou não, no sucesso ou no fracasso, na reconstrução e no crescimento, sendo esteio, nem que seja o nosso. Por isso a minha homenagem, respeito e reverência é a você, mulher esteio, que detém a força, o poder, a liberdade e representatividade, que pode escolher restringir ou expandir, de acordo com a sua vontade, com a nossa vontade.

Juliana Zafino Isidoro Ferreira Mendes. Advogada, cofundadora do Ferreira Mendes Advogados. Coordenadora da área de Direito Público e Regulatório. Consultora em Compliance. Secretária-Geral Adjunta da Comissão de Estudos Permanentes sobre o Compliance da OAB-MT.

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