“Nós estamos no Estado mais machista do país”, diz Janaína Riva

Só neste ano, foram 20 casos em todo o Estado, sendo seis deles em Cuiabá e Várzea Grande, os suspeitos todos identificados como ex companheiros das vítimas

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

“Nós estamos no Estado mais machista do país”, iniciou a deputada Janaína Riva, em audiência pública sobre Feminicídio na manhã desta segunda-feira (02). Mato Grosso, segundo dados da OAB, lidera o ranking de crimes contra a mulher. Só neste ano foram 20 casos em todo o Estado, sendo seis deles em Cuiabá e Várzea Grande, os suspeitos todos identificados como ex companheiros das vítimas.

A pré-candidata à presidência da República Manuela D’Ávila, também esteve presente na condição de procuradora especial da Mulher da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. Ela apontou a falta de mulheres ocupando espaços políticos e ressaltou a necessidade do debate sobre machismo, processo que considera ser o responsável pelo crime de feminicídio, que configura sua etapa final.

Para ela, a violência contra a mulher ocorre baseada na divisão de papéis entre gêneros e a noção de propriedade que envolve a criação da mulher para os serviços do lar.

Em Cuiabá, o maior índice de crimes registrados é de violência doméstica, são pelo menos 12 mil casos segundo o juiz Jamilton Haddad. Para ele, o período é de crise e afeta as políticas orçamentárias do Estado, sobrecarregando o sistema carcerário, sendo necessária maior atenção às políticas de prevenção, como inserir o tema na grade curricular do sistema público de ensino.

De acordo com o advogado criminalista Eduardo Mahon, dez mulheres são estupradas por dia, e de cinco a cada 10 mil mortes são mulheres, colocando o país em 5º lugar do ranking. Já o índice de violência contra as mulheres negras subiu 54% no último ano, segundo dados divulgados pelo IPEA.

A procuradora do Núcleo de Enfrentamento à Violência Doméstica do Ministério Público Estadual, em Cuiabá, Lindinalva Rodrigues, também participou do evento e denunciou a falta de um centro de referência para vítimas de violência. “Elas não querem simplesmente o processo penal, elas querem ser ouvidas e querem que o companheiro receba tratamento”.

A procuradora também ressaltou a importância da humanização do atendimento às mulheres e a reivindicação das delegadas que cobram melhorias da estrutura de trabalho da delegacia da mulher. “Precisamos de uma delegacia funcionando 24 horas, pois, a maior ocorrência de violência contra a mulher acontece no fim de semana”.

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