No meio do caminho, tinha um oásis: pássaros montam sítio reprodutivo em canteiro de avenida

Nem mesmo o barulho e a importunação da vida urbana os afastam do local

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

Uma árvore tornou-se alicerce para dezenas de ninhos de Guaxos em dos cruzamentos mais movimentos de Cuiabá.

O “condomínio” está no canteiro central do acesso à Avenida Beira Rio, na região do  Coxipó. Os ninhos são uma espécie de cacho, formado pelo emaranhado de galhos e dentro deles estão os filhotes.

Há muitos anos, os pássaros escolheram o local para chocar os ovos e criaram ali – bem no meio da cidade e do trânsito – um sítio reprodutivo.

Professor de Biologia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), João Batista Pinho explica que eles permanecem no canteiro porque consideram o lugar seguro.

Mesmo com o barulho e vai-e-vem de carros durante o dia, a noite é tranquila, o que favorece a rotina deles.

Enquanto os carros passam pela pista, a cantoria come sobre a árvore (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Normalmente, eles saem em busca de alimentos na beira do Rio Coxipó, que corre paralelo à avenida, durante o dia. Na busca, tentam localizar frutas, sementes e, principalmente, insetos.

Pinho explica que as chuvas fazem com que a oferta de insetos aumente e os animais são a principal fonte de alimento dos filhotes nos primeiros dias de vida, por conta da proteína.

Conforme o comportamento da ave, depois que os ovos eclodem, os filhotes ocupam o ninho por 15 dias. Passado esse período, já têm condições de voar.

Filhotes ficam exclusivamente no ninho por 15 dias, depois podem acompanhar os pais (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Passam a acompanhar os pais, porém retornam para o ninho por mais 6 meses, até serem expulsos de vez.

“Eles precisam achar outros grupos e, neste processo, o padrão vocal é uma ferramenta importante”.

Mesmo depois de achar outra família, nenhum deles costuma se afastar muito da região porque não possuem características migratórias. Além disso, precisam sempre estar perto de locais com água.

Digitais influencers

Não se surpreenda se um guaxo, japuíra ou xexéo (nomes dados a mesma ave) passar pela sua timeline. É que desde que começou o período reprodutivo, em setembro, muitas pessoas param no local para tentar fazer uma foto.

O chapa Iris dos Santos, 65 anos, trabalhar perto e disse que fica encantado com o movimento deles e a cantoria. De acordo com o vizinho dos ninhos, o melhor horário para vê-los é bem cedo e no final da tarde.

Santos lembra que, antes, os passarinhos ficavam em uma mangueira, mas a árvore acabou cortada para as obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) que, até hoje, não saiu do papel.

Depois, eles mudaram-se para outra árvore, que teve os galhos cortados pela prefeitura. Agora, estão em uma árvore menor.

“Ninguém mexe com eles e nós ficamos vigiando também. É muito bonito ouvir eles cantando”.

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