O deputado federal Carlos Bezerra (PMDB) afirmou que o esquema de grampos ilegais revelado em Mato Grosso é uma agressão ao Estado democrático de direito. Na tribuna da Câmara Federal, nesta terça-feira, 16, o parlamentar comparou a situação atual à ditadura e afirmou que essa violação é pior que a corrupção. “Muito pior que roubar o dinheiro público é violentar a liberdade individual”, afirmou. O esquema começou nas eleições de 2014. Em 2015, novos nomes foram incluídos nos grampos.
Bezerra lembrou da reportagem do Fantástico que trouxe à tona os grampos ilegais e as declarações do promotor Mauro Zaque de que alertou o governador Pedro Taques sobre as escutas, quando era secretário de Segurança Pública. O governador nega.
“Hoje, ficamos sabendo que os policiais que faziam isso eram do Gaeco (Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado) e que o governador os tirou do Gaeco para colocar na Casa Militar. Ficaram na antessala do governador para fazer o trabalho sujo e antidemocrático que eu considero muito pior que a corrupção”, disse, chamando Taques de aprendiz de ditador.
Em defesa de Janaina
Bezerra ainda defendeu Janaina Riva, que foi grampeada e também foi alvo de uma postagem do secretário de Comunicação, Kleber Lima, logo depois da exibição da reportagem do programa Fantástico. O secretário enviou a uma lista de distribuição no WhatsApp uma foto da deputada em roupas íntimas que vazou na semana passada acompanhada da mensagem “Quem iria invadir a intimidade da ilustre deputada se ela mesma o faz?!”
“Estou aqui para desagravar a deputada Janaina, que é líder do PMDB. Corajosa e combativa, por isso, ela está sendo perseguida. A deputada Janaina, uma jovem deputada do PMDB, foi violentamente agredida, colocada na escuta. E, como se não bastasse isso, o secretário de Comunicação do governo mandou colocar na mídia social foto da deputada com roupa íntima. Mais uma agressão à deputada”, disse Bezerra, que ainda cobrou que o governador se pronuncie sobre o caso.
Ele ainda defendeu Mauro Zaque, autor da denúncia, que foi acusado por Pedro Taques de fraudar o protocolo com as denúncias. “Usam mentiras e hipocrisia para tentar denegrir o promotor Mauro Zaque, que é um homem integro e tem feito um trabalho maravilhoso de desmantelar o crime organizado. É um dos membros mais respeitados do MPE. Estão tentando de todo modo agredir e desqualificar o promotor.”
Barriga de aluguel
As interceptações telefônicas ilegais foram autorizadas pela Justiça em uma tática conhecida como “barriga de aluguel”, quando números de telefones de pessoas comuns, sem qualquer ligação com a investigação, são colocados num pedido de quebra de sigilo à Justiça. No caso revelado, Janaina Riva e outras pessoas foram incluídas em uma investigação sobre tráfico de drogas para terem o sigilo telefônico quebrado.
Também foram alvo de grampos o advogado eleitoral ligado ao PMDB José do Patrocínio, o vereador cuiabano Clovito Hugueney (falecido), o jornalista José Marcondes “Muvuca”, o desembargador aposentado José Ferreira Leite e até mesmo a uma ex-amante do ex-chefe da Casa Civil Paulo Taques. Confira a lista divulgada pelo LIVRE.
O caso foi denunciado pelos promotores Mauro Zaque e Fábio Galindo, que à época eram secretário e adjunto da pasta de Segurança Pública do governo estadual, respectivamente. Zaque afirma ter avisado o governador Pedro Taques, por diversas vezes, sobre os grampos. O governador afirmou que denúncias verbais eram “fofoca” e que a documentação com a denúncia nunca chegou às suas mãos.



