Na aula “Hakuna Matata”, professor de MT cria jogo para ensinar química

Ideia foi apresentada em um encontro da Sociedade Portuguesa de Química, em Portugal

A química costuma ser uma disciplina temida por muitos alunos e aprender teoria em sala de aula pode não ser uma tarefa fácil. Mas e se aula se chamar “Hakuna Matata” e tiver à mão um jogo de tabuleiro que ensina de maneira lúdica o conteúdo tão complicado?

Foi pensando nisso que o professor de química da Escola Estadual Plena Plácido de Castro, de Diamantino (a 208 km de Cuiabá), criou o jogo “Perfil Químico”, uma adaptação do tradicional Perfil, da marca de brinquedos Grow.

A experiência acaba de ser apresentada no XXVI Encontro da Sociedade Portuguesa de Química, realizado na cidade de Porto, em Portugal. No evento, foi exibido o projeto, intitulado “Game perfil químico: protagonismo e conhecimento sobre a tabela periódica”.

O professor é Paulo Henrique de Carvalho. Ele criou o jogo para subsidiar o ensino da tabela periódica, ajudar os alunos a compreenderem a organização dos elementos e suas características. E os alunos ajudaram.

“Os alunos pesquisaram características dos átomos e elaboraram dicas relacionadas a estes. Todos os componentes do jogo foram adaptados, desde o tabuleiro, que passou a ser a tabela periódica, até o assunto abordado nas cartas”.

Um lugar especial

O coordenador pedagógico Rodrigo Rocha Oliveira explica que o objetivo das disciplinas eletivas é trabalhar as dificuldades dos alunos, de maneira lúdica. As atividades estimulam a criatividade, o desenvolvimento de habilidades linguísticas, mentais e de concentração, além de exercitar interações sociais e trabalho em equipe.

“Do projeto, participam 30 alunos, todos da disciplina eletiva, mas os professores continuaram utilizando o game em sala de aula normal”, informa.

As disciplinas eletivas ocupam 2 horas semanais da grade. Na Escola Plena, os alunos têm oito horas de aulas por dias, com intervalo de 1 hora para o almoço.

Além das 12 disciplinas da base comum, eles têm cinco diversificadas e, dentre elas, está a eletiva. Ela é coordenada pelo próprio Paulo Henrique e pelo professor Alex Junior Barbosa Farias. Eles tiveram a colaboração da professora Deise Morone Perígolo, do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), campus Avançado Diamantino.

Há ainda no dia-a-dia, aulas de prática experimental, estudo orientado, avaliações semanais e projeto de vida. Esta última, segundo ele, o coração do programa diferenciado.

“É nela que eles têm orientação sobre a carreira que querem seguir. Se o aluno define, por exemplo, que quer ser agrônomo, o professor pesquisa sobre a profissão e apresenta ao aluno. Se não tiver ainda nada definido, o professor apresenta opções. Constantemente, visitamos as universidades do entorno para ajudá-los nessa decisão”.

E os professores se esforçam muito em tornar a escola o segundo lar dos alunos. Rodrigo conta que isso acontece até mesmo quando ultrapassam os limites do portão.

“Todos os dias temos acolhida especial. Uma dupla de professores fica responsável pelo acolhimento, os recebendo no portão para dar bom dia, declamar uma poesia, para celebrar um dia comemorativo… Os professores se caracterizam, imprimem fotos, exibem painéis com informações sobre a temática”.

Olha só os professores em ação:

*Hakuna Matata, expressão que ficou conhecida com a animação O Rei Leão, é de um idioma chamado suaíli, que é falado em algumas regiões da África Oriental, como Quênia, Tanzânia, Uganda e Congo. “Hakuna” significa “não há” e Matata quer dizer “problemas”.