Municípios de MT fazem testes sem contraprova e prejudicam dados da covid-19

Com mais produtos no mercado, municípios estão indo atrás dos testes rápidos para ampliar atendimento e a assertividade dos produtos está passando batida

(Imagem Ilustrativa)

Prefeituras no interior de Mato Grosso estão aplicando testes rápidos para covid-19 sem o parâmetro de contraprova para o resultado. E a inclusão desses dados no acompanhamento das secretarias de Saúde tem gerado conflito sobre o nível de contágio. 

“A contraprova para resultados não é uma exigência para os testes rápidos. Cada município está juntado os dados de acordo com parâmetros próprios”, afirma o presidente do Conselho das Secretarias Municipais de Saúde Mato Grosso (Cosems-MT), Marco Antônio Norberto Felipe. 

A baixa qualidade dos insumos pode ajudar a entender os resultados divergentes entre diferentes metodologia de verificação de instalação do vírus. 

(Foto: Reprodução/Agência Brasil) O teste PCR, considerado padrão ouro, é o mais eficiente no diagnóstico, mas esbarra no preço elevado para testagem em massa

No comando da secretaria de Tapurah (450 km de Cuiabá), Marco Antônio afirma que tem buscado amparo no Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen) para resultado de testes rápidos que geram dúvidas no diagnóstico. 

O motivo é o baixo nível de eficiência dos testes rápidos. Em média, estão abaixo de 50%, a depender do dia em que é aplicado. Quanto menos dias após os primeiros sintomas, menores são as chances de identificação da infecção.  

“O teste rápido é para triagem, não serve para confirmar o diagnóstico. Eu já fiz teste rápido que deu negativo e no swab (coleta de secreção oral ou nasal) deu positivo. Mas, também já ocorreu o inverso”, explica. 

Ampliação 

Conforme o presidente do conselho, municípios estão comprando testes rápidos para ampliar a testagem de pessoas expostas ao risco de contágio. Esses produtos são somados aos enviados pelo Ministério da Saúde via o governo estadual. 

A estratégia tem sido testar pessoas de convivência frequente com aqueles que têm sintoma mais conclusivos para a covid-19, como parentes e amigos ou colegas de trabalho. 

Contudo, ainda não se sabe qual é a eficiência das marcas adquiridas pelas prefeituras. O secretário estadual de Saúde Gilberto Figueiredo afirma que, em regra, a assertividade dos testes varia entre 10% e 44%, margem considerada muito estreita para endossar o diagnóstico. 

“Agora que se encontra o teste rápido no mercado com menos dificuldade, as prefeituras estão adquirindo. O preço varia de R$ 140 a R$ 160”, disse Marco Antônio. 

Conforme a Secretaria de Saúde (SES), já foram distribuídos 8 mil testes para os 141 municípios. São produtos enviados pelo Ministério da Saúde desde o início da pandemia que, segundo a SES, passam por validação ainda no ministério. 

A previsão é que outros 47.740 sejam distribuídos nas próximas semanas em Mato Grosso. 

Validação duvidosa 

A conselheira federal de medicina, infectologista Natasha Slhessarenko, diz que os conselhos não têm informações sobre a validação dos testes comprados pelo Ministério da Saúde, o que deixa a qualidade dos diagnósticos em suspensão. 

“Primeiro a gente quer saber se esses testes foram validados, se foi comprado com o resultado de outros testes, tanto de outras marcas quanto de metodologia mais eficiente. Sabemos que o Ministério da Saúde comprou um monte, mas não sabemos o que são”, afirmou. 

A médica explica que o problema pode estar ainda no processo de fabricação dos testes, que passaram a ser criados para atender uma demanda mundial. O tempo necessário para averiguação de qualidade pode estar passando batido. 

“Eles podem ter sido fabricados com a melhor de todas intenções. Entretanto, não podemos ignorar que foram fabricados a toque de caixa, para atender pedidos de urgência. A suspeita aumenta ainda mais se você prestar a atenção que os grandes players do mercado de medicamento não estão ofertando esses tipos de testes”, disse. 

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