Quase 40% dos professores de MT escolheriam outra profissão, se pudessem

Pesquisa do Instituto Ayrton Senna também mostrou que a qualidade do professor é determinada mais pela motivação do que pela má-infraestrutura das escola

(Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Nem sempre um bom salário é motivo suficiente para um profissional permanecer na área de formação. É o que mostra o levantamento do Instituto Ayrton Senna, intitulado “Enfrentando os Desafios Educacionais“.

Os dados apontam que a remuneração de um professor da rede estadual em Mato Grosso é superior à média nacional. Enquanto aqui se paga cerca de R$ 5,2 mil, no país o valor gira em torno de R$ 4,1 mil e, no Centro-Oeste, de R$ 5,1 mil.

Esse salário, segundo a pesquisa divulgada no fim de 2019, é considerado o 5º melhor do país. Ainda assim, 38% dos profissionais mato-grossenses não escolheriam a ocupação novamente, se pudessem.

Conforme o levantamento, 14% dos entrevistados afirmaram ter se arrependido de se tornar professores e 36% admitiram que seria melhor ter escolhido outra profissão.

Ainda assim, 64% ainda acreditam que as vantagens de ser professor superam as desvantagens e 10% dizem perceber que sua profissão é valorizada pela sociedade.

Apesar de ser uma das piores taxas do país, a porcentagem de professores que deixaria a profissão fica abaixo da média nacional.

Estima-se que, no Brasil, aproximadamente 30% dos professores em escola pública não seriam professores novamente, se pudessem voltar atrás. Nesse quesito, o estado que mais se destaca é o Paraná, onde apenas 15% desistiriam da profissão.

Qualidade da escola x professores

O estudo aponta que a qualidade dos professores é um fator determinante para o desenvolvimento dos alunos. Mas, apesar de ponderar que a infraestrutura da escola também pesa na educação dos alunos, a pesquisa destaca que a qualidade do profissional depende muito mais de características como liderança e motivação do que da estrutura ofertada.

O documento ainda cita que essa “descoberta” contraria as expectativas. Principalmente porque, conforme a pesquisa, as escolas públicas não conseguem ter uma infraestrutura bem conservada.

No caso de Mato Grosso, por exemplo, o levantamento aponta que apenas 21% das escolas estaduais têm laboratório de ciências. Numa escala de 0 a 10, a qualidade das escolas públicas de ensino fundamental de Mato Grosso foi avaliada em 5,9.

Nos componentes da infraestrutura escolar, Mato Grosso se destaca positivamente dessa forma: Em 2017, 99% das escolas estaduais tinham prédio e computador para uso administrativo, 78% tinham impressora e 69% refeitórios.

Já os índices preocupantes destacam que apenas 97% têm energia elétrica, 67% têm sala da diretoria escolar, 52% têm computador com acesso a internet e 32% têm máquina de xerox.

Os dados foram sinalizados como preocupantes porque colocam Mato Grosso como um dos piores estados do Brasil nesses quesitos. Em outros pontos, como ter ou não coleta de lixo, rede de esgoto, banheiro e água, o Estado foi classificado como “mediano”.

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1 COMENTÁRIO

  1. Fato: se essa pergunta fosse feita a todos os trabalhadores, praticamente 80% escolheria outra profissão. Tirando um ou outro bem sucedido, em geral estamos todos enrolados, com pressão no ambiente de trabalho, metas de resultado, salário minúsculo, e trabalhando até junho de 2020 só pra pagar impostos. então segue o baile.

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