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MT anuncia abertura de novos leitos de UTI, mas ainda faltam insumos e profissionais

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Caroline Rodrigues

O secretário de Saúde de Mato Grosso, Gilberto Figueiredo, anunciou hoje a abertura de 204 novos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Alguns, como em Cuiabá, no Hospital Estadual Santa Casa, começam a funcionar imediatamente, mas outros estão em fase de instalação.

Ele argumentou que, atualmente, o governo do Estado não tem dificuldade em adquirir equipamentos e sim na compra de insumos e contratação de profissionais. A cada 10 vagas de UTI são necessárias pelo menos 60 pessoas, entre enfermeiros e médicos.

“Nossa lotação está em praticamente 100% e, muitas vezes, existe a vaga, mas não temos equipe para atender o paciente, porque mais de 1 mil servidores que atuam na ponta estão afastados”, relatou.

Na entrevista coletiva, concedida nesta sexta-feira(10), quando Mato Grosso atingiu o recorde de 40 mortes e 1.592 casos confirmados em 24 horas, ele apresentou o cenário caótico vivido pelo Estado, considerado pela Fundação Fiocruz o epicentro da doença no país.

Segundo Figueiredo, serão encaminhados dois projetos de Lei para a Assembleia Legislativa para tentar atrair profissionais, principalmente para a função de coordenação, que deixou de ser atrativa quando houve o aumento do valor pago por plantões.

O outro será para o pagamento de uma remuneração, equivalente aos plantões feitos nos 14 dias antes da contaminação, para quem for infectado.

Onde estão os novos leitos

  • 20 na Santa Casa de Misericórdia – Cuiabá (aberto hoje)
  • 30 leitos no Hospital Metropolitano de Várzea Grande (próxima semana inicia abertura)
  • 9 leitos no Hospital Regional de Sinop (aberto hoje) e mais 10 leitos posteriores
  • 5 leitos no Hospital São Luís em Cáceres
  • 10 leitos em Campo Verde (abertos na próxima segunda-feira)
  • 10 leitos e Primavera do Leste (abertos na próxima segunda-feira)
  • 10 leitos em Pontes e Lacerda (abertos na próxima segunda-feira)
  • 10 leitos no Hospital Regional de Cáceres
  • 10 leitos em Alta Floresta
  • 20 leitos em Nova Mutum
  • 10 leitos em Água Boa
  • 10 leitos em Peixoto de Azevedo
  • 10 leitos em Confresa
  • 30 leitos em Cuiabá

Testagem

O governo do Estado fez a aquisição de 300 mil testes rápidos e recebeu a doação de mais 100 mil da JBS e pretende usá-los no Centro de Triagem, que será aberto na Arena Pantanal. Lá, serão recebidas as pessoas com sintomas leves e assintomáticos.

Uma quantidades também será distribuída aos Municípios e ainda ao Sistema Prisional, já que a Justiça determinou a testagem dos reclusos na Penitenciária Central do Estado (PCE) e a Defensoria Pública já pleitou a ampliação da decisão para os 9 mil presos do sistema.

Com relação ao PCR, que é o teste laboratorial, Figueiredo afirma que estão sendo realizados 1 mil por dia. Um número aquém do necessário e inferior ao que era feito no começo da pandemia.

Ele lembrou que, antes, o governo Federal tinha um contrato com um empresa que entregava os equipamentos em comodato. O acordo foi desfeito de maneira abrupta, o que reduziu a capacidade de testagem.

Por esse motivo, foram realizados novos investimentos no Lacen (Laboratório do Estado) e a expectativa é usar de termos de cooperação técnica com instituições acadêmicas, como tem sido feito desde o começo da pandemia, para ampliar o serviço.

Insumos e medicamentos

As estratégias usadas pelo Estado para a compra de medicamentos são a articulação com o Ministério da Saúde, que está fazendo um registro de preços nacional, para facilitar as aquisições. E, também iniciativas próprias, com o contato direto com os fornecedores e a indústria.

Mesmo assim, segundo Figueiredo, está complicado por conta da falta de insumos. De acordo com o secretário, muitas empresas declinam do contrato porque não conseguem atender.

Como resultado, são realizadas remodelagens constantes nos editais para tentar garantir as quantidades mínimas de remédios, sedativos e demais produtos.

Única solução é a vacina

Para o secretário, as pessoas precisam reforçar o isolamento social e terem em mente que a única solução definitiva é a vacina. Os dados divulgados quinta-feira(9) pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) apontam que 961 pessoas morreram pela covid e 1.596 testaram positivo em Mato Grosso.

Ele criticou a ampliação da quarenta em Cuiabá e Várzea por apenas 7 dias. Na opinião dele, deveria ser pelo menos mais 15 dias.

“As pessoas precisam ter consciência porque não temos mais leitos na rede pública e nem particular. Recebemos diariamente pedido de leito de UTI para quem tem plano de saúde”, afirma.

Segundo ele, os médicos da regulação estão escolhendo quem tem mais chances de viver na hora de liberar uma vaga e, mesmo assim, diante do colapso, as pessoas continuam a agir como se nada tivesse acontecendo, principalmente nas periferias da cidade.

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