MPE denuncia policiais por pedirem propina a causador de acidente

Os agentes da Polícia Civil teriam pedido R$ 1,3 mil para não levá-lo à delegacia

Dois investigadores da Polícia Civil de Mato Grosso foram denunciados pelo Ministério Público do Estado (MPE), acusados de exigir propina de R$ 1,3 mil para “livrar” um motorista de uma autuação. O documento é assinado pelo promotor de Justiça Reinaldo Rodrigues de Oliveira Filho, do dia 10 de julho.

Segundo o MPE, lotados na Delegacia Especializada em Delitos de Trânsito (Deletran), os investigadores Elxilena Cássia de Oliveira Confessor e Marcelo Machado Butakka foram chamados para atender uma ocorrência na Estrada do Moinho, em Cuiabá, em agosto de 2015, por volta das 23h. No local, um motorista identificado como Walner colidiu com um motociclista, que foi socorrido pelo Samu.

Os investigadores teriam constatado que Walner estava embriagado e, para não autuá-lo e conduzi-lo à delegacia, Elxilena teria exigido “vantagem financeira indevida”. O motorista só tinha R$ 300, mas a investigadora queria mais. Então, o levou para uma agência bancária, onde pediu que ele sacasse R$ 1 mil.

Como o local estava fechado, foram até o Supermercado Extra, onde tem um caixa “24 horas”. Lá, Walner denunciou a dupla à Polícia Militar, com o celular de um terceiro. Os investigadores, então, foram levados à delegacia.

Os dois investigadores responderam procedimentos administrativos e apenas Elxilena teve pedido de suspensão ou demissão.

Marcelo negou as acusações, assim como a colega. A mulher alegou que o motorista foi ao banco para sacar dinheiro para o guincho do veículo e que parou no mercado para comprar absorvente.

Durante as apurações, foram ouvidos como testemunhas os militares da ocorrência e a pessoa que emprestou o celular. Todos confirmaram a versão do motorista.

Denúncia

Para o MPE, embora Marcelo não tenha pedido o dinheiro, ele tinha mais tempo de serviço, era o condutor da viatura e sabia que o procedimento padrão determina que o preso seja levado à delegacia imediatamente, sem a possibilidade de levá-lo a outro lugar durante o percurso. Então, o promotor acredita que ele sabia da propina cobrada.

Pelos supostos crimes, o MPE pede a condenação dos investigadores, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos e o pagamento de multa civil, além de indenização por dano moral coletivo devido à atitude improba.

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