MP vê Pedro Taques como chefe e principal favorecido com escutas clandestinas

Ministério Público abriu uma ação civil pública em que lista uma série de indícios que apontam para Pedro Taques

Ex-governador de MT, Pedro Taques (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

O Ministério Público de Mato Grosso indica na ação civil pública por improbidade administrativa que o ex-governador Pedro Taques (Solidariedade) foi o principal favorecido com os grampos telefônicos ilegais que vieram à tona em seu mandato. Por isso, figura como o principal suspeito de que seja o chefe do esquema ilegal.

A afirmação consta na denúncia oferecida na segunda-feira (22) pelo promotor de Justiça Reinaldo Rodrigues de Oliveira Filho. O documento tem o total de 89 páginas.

Taques nega as acusações e, em entrevista ao LIVRE, afirmou que o Ministério Público age corporativamente.

As investigações descobriram que as interceptações telefônicas iniciaram ainda na campanha eleitoral de 2014, quando Pedro Taques, no exercício do mandato de senador, concorreu ao governo do Estado como franco favorito.

Na época, adversários políticos de Taques, como os candidatos ao governo do Estado Janete Riva, José Marcondes Muvuca e Lúdio Cabral (PT) – este último hoje deputado estadual – tiveram seus aparelhos celulares grampeados.

“No período em questão, a campanha eleitoral encontrava-se no auge, notadamente em virtude do início da permissão das propagandas eleitorais (a partir do dia 15 de agosto do ano eleitoral). É inevitável concluir, portanto, ainda mais na fase derradeira de campanha eleitoral, que qualquer informação de adversários políticos seria de extrema valia visando o êxito no pleito eleitoral”, diz um dos trechos.

Interesses do chefe

Na mesma ação civil pública por improbidade administrativa, também foram denunciados o ex-comandante geral da Polícia Militar, Zaqueu Barbosa, e o sargento da Polícia Militar Gerson Corrêa.

O ex-chefe da Casa Militar, coronel da PM Evandro Lesco, e o ex-secretário de Justiça e Direitos Humanos, coronel da PM Airton Siqueira, também são acusados de serem peças chaves no esquema de grampos telefônicos ilegais.

O Ministério Público questiona na denúncia qual seria o interesse real de subordinados do governador Pedro Taques em interceptar seus adversários políticos, que não fosse favorecê-lo com informações privilegiadas.

“Quais interesses políticos os executores confessos (Zaqueu, Lesco e Gerson) teriam em interceptar candidatos ao Governo e advogados de campanha eleitoral, senão em atender aos interesses pessoais e de pessoas interpostas (vide Pedro Taques)?”.

“Por que todos os pretensos candidatos e/ou coordenadores de campanha ao Governo do Estado de Mato Grosso foram interceptados, com exceção ao então candidato ao Governo Pedro Taques?”, completa.

Cargos estratégicos

Outro indício de que o ex-governador Pedro Taques seria o chefe das escutas telefônicas ilegais é que a cúpula da Polícia Militar responsável pelas interceptações foram nomeados em cargo de primeiro escalão a partir da sua posse, em janeiro de 2015.

Zaqueu Barbosa foi nomeado subchefe do Estado Maior da Polícia Militar; Airton Siqueira Júnior foi nomeado secretário chefe da Casa Militar; Evandro Lesco foi nomeado secretário-adjunto da Casa Militar e Paulo Taques, secretário chefe  da Casa Civil.

Outro ponto que reforça os indícios é que o primo do ex-governador, o advogado Paulo Taques, ex-chefe da Casa Civil, monitorava de perto as interceptações telefônicas, vindo até mesmo a grampear sua ex-amante, Tatiane Sangalli.

“Esta riqueza de elementos que apontam Paulo Taques como atuante na ‘Grampolândia Pantaneira’, tem como efeito reflexo o envolvimento do então governador Pedro Taques, seja pelo vinculo íntimo e familiar entre eles, seja pelas condutas prévias concomitantes e posteriores à construção do escritório clandestino”, diz trecho da ação.

Prova testemunhal

O Ministério Público ainda cita como claro indício de participação de Pedro Taques a malfadada tentativa de afastar-se das provas que apontavam seu conhecimento prévio a respeito dos grampos ilegais.

Numa entrevista coletiva dada no Palácio Paiaguás, Pedro Taques acusou o seu próprio ex-secretário de Segurança Pública, o promotor de Justiça Mauro Zaque, de fraudar a numeração do Protocolo Geral do Estado, em documento referente a uma denúncia sobre a prática de interceptações telefônicas ilegais no Governo.

O último ponto destacado pelo Ministério Público no transcorrer das investigações que aponta a participação de Pedro Taques é o depoimento de seus ex-subordinados, Zaqueu Barbosa, Evandro Lesco e Gerson Barbosa.

Todos foram categóricos em atribuir a ordem de grampos ilegais bem como a produção de relatórios a Paulo Taques e Pedro Taques.

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