Movimento “Escolas Abertas Cuiabá” questiona dados de painel epidemiológico

Mato Grosso tinha 25 UTIs pediátricas até agosto do ano passado, e foi reduzido para 15 por conta da ociosidade, diz movimento

Foto: Ednilson Aguiar/O Livre

O movimento “Escolas Abertas Cuiabá”, protocolou no último sábado (06.03) uma denúncia na Ouvidoria da Secretaria Estadual de Saúde questionando dados do 8º Informe  epidemiológico de 2021, sobre a covid 19.

Em matéria recente divulgada pela prefeitura de Cuiabá, e veiculada no site da prefeitura, há a informação de que 10% de crianças internadas por coronavírus foram a óbito, no período de 14 de março de 2020 a 27 de fevereiro de 2021. As informações são do Estado.

De acordo com a comissão de saúde do movimento, com base nisso está sendo noticiado que a ocupação de leitos de Utis pediátricas, hoje em 75% (são 15 leitos apenas), são de crianças infectadas com covid, o que não corresponde à verdade.

Segundo a pediatra da comissão de Saúde, Heleniza Damico, o próprio boletim aponta que as crianças representam número muito reduzido de infectados – já que foram registrados no último ano que apenas 3,9% dos casos são de crianças de 0 a 9 anos, e apenas 9,7% de casos de crianças e pré e adolescentes de 10 a 19 anos.

Infecção no hospital

Os dados de internação são ainda menos expressivos. Apenas 7,6% do grupo de 10 a 19 anos são internados e 4,1% das crianças de 0 a 9 ficam nos hospitais.

A pediatra explica que, segundo levantamento feito em hospitais públicos e privados que compõem o boletim, a maior parte das crianças que estão em leitos de UTI apresentam outras patologias de base: são neuropatas ou cardiopatas e pegam coronavírus no Hospital e entram nas estatísticas.

“A infecção acontece no hospital, mas a causa principal do óbito não é o coronavírus”, explicou.

Para a presidente do movimento, Francielle Claudino Brustolin, a notícia da provável lotação dos leitos pediátricos (na ultima semana 9 dos 15 leitos estava ocupado) tem despertado medo e questionamentos relativos à reabertura das escolas.

“Somos um grande movimento de pais e mães de crianças, pela manutenção das escolas abertas, temos mais de três mil membros, muitos médicos, inclusive intensivistas de UTIs pediátricas, e uma comissão de saúde que analisa e acompanha diariamente os dados da saúde, os médicos não conseguiram encontrar onde estão as crianças indicadas no boletim”, defendeu.

Francielle afirma ainda que, segundo levantamento feito nos boletins do estado, Mato Grosso tinha 25 utis pediátricas até agosto do ano passado, e foi reduzido para 15, por conta da ociosidade.

“Nossa comissão de saúde reforça ainda que muitas pesquisas mundiais entre elas as da Unicef, Organização Mundial da Saúde, Sociedade Brasileira de Pediatria, são unânimes em atestar que crianças contaminam e transmitem 50% menos do que adulto”, defendeu.

Tentativa de culpar crianças

Francielle relata que as escolas privadas abriram em sistema híbrido dia 1º de março, e que há franca tentativa de demonstrar com dados fantasiosos que as crianças são responsáveis por disseminar o vírus e supercontágio, bem como despertar ainda mais medo da família cuiabana;

“Lutamos incessantemente para conseguir o direito de nossas crianças voltarem a freqüentar a escola em um sistema híbrido, onde mães e pais podem ter o direito de escolher o melhor pra o seu filho. E agora querem novamente impedir o direito à educação de nossos filhos, por conta da irresponsabilidade de adultos e por equívoco na inserção de dados do painel de covid do Estado. Não vamos permitir, pois a ciência está do nosso lado”, finalizou. (Com Assessoria)

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