Mortes de pessoas trans no Brasil aumentam em mais de 50%

Mato Grosso registrou 5 casos no ano passado, conforme dossiê

Rio de Janeiro - Campanha contra homicídios de jovens pinta centenas de silhuetas de corpos no chão do Largo da Carioca (Fernando Frazão/Arquivo Agência Brasil)

O Brasil lidera, pelo quinto ano consecutivo, o ranking de países que mais mata travestis e transexuais, em todo o mundo. No ano de 2020, foram registrados 184 casos de mortes de pessoas trans, um aumento de 50,82%, em relação ao ano de 2019, em que foram registrados 122 casos.

Mato Grosso registrou pouco mais de 2% do total de casos em 2020, sendo que tanto em 2019 como em 2020, foram 5 homicídios. O número corresponde a 35% do total registrado na região Centro-Oeste.

São Paulo foi o estado com mais mortes, com um aumento de mais de 25%, em relação ao ano anterior.

Rio de Janeiro – Manifesto realizado na praia de Copacabana lembra as vítimas da transfobia no Brasil. (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Dados como esses e os registros de todos os casos de assassinatos de travestis e mulheres transexuais no país estão no novo dossiê da Rede Nacional de Pessoas Trans: “Transfobia: a pandemia que o Brasil ainda não extinguiu e o isolamento social que conhecemos – Monitoramento: Assassinatos, Suicídios e Mortes Brutais de Pessoas Trans no Brasil”, que foi lançado na sexta-feira (29), Dia Nacional da Visibilidade Trans.

“O dossiê foi pensado desde 2016, para chamar a atenção da sociedade brasileira para o genocídio da nossa população de travestis e transexuais, no Dia Nacional da Visibilidade Trans, data escolhida por um grupo de militantes em 2004, que já denunciavam, naquela época, tal situação lamentável, mesmo antes de nos organizarmos para apresentar os fatos documentados”, relatou Tathiane Araújo, presidenta da Rede Trans Brasil.

A gravidade das ocorrências também é alarmante: mais de 80% apresentaram requintes de crueldade, ou seja, a maioria das mortes ocorreu após uma sucessão de atos violentos, em sua absoluta maioria, com tiros e facadas como a causa principal dos homicídios.

Outros dados chamam atenção no dossiê publicado pela Rede Trans Brasil, como os locais dos homicídios. Nota-se que a maior ocorrência é nas vias públicas (58,33% dos casos), seguida pela residência da própria vítima (18,05% dos casos) e depois por outro local de trabalho da maioria das vítimas, o motel (4,86), pois a maioria é profissional do sexo.

Esses três locais correspondem ao total de 81,25% dos locais dos assassinatos. Dentre os 40 casos dos quais não foram informados o local, 22 foram suicídios e 18 assassinatos.

O dossiê completo, em português, inglês e espanhol, será colocado à disposição de toda sociedade brasileira no site www.redetransbrasil.org.br e na página oficial da Rede Trans Brasil no Facebook (https://www.facebook.com/redtransbrasil).

O dia da Visibilidade Trans

O Dia Nacional da Visibilidade Trans surgiu em 2004, após um ato político no movimento pela luta contra o ódio e preconceito de gênero. Um grupo formado por travestis, mulheres e homens transexuais foi ao Congresso Nacional exigir respeito e igualdade de oportunidades.

“Precisamos lembrar a vida física e social das nossas pessoas trans. Somos visíveis 365 dias do ano e quero que enxerguem esses corpos como participantes do processo social, no qual pessoas trans não tenham que viver com medo”, afirma Nathália Vasconcelos, Representante da Rede Trans, em Brasília-DF.

(com informações da Assessoria)

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